segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Esboço das Palestras da Conferência Fiel (5) - 2

Este é o esboço do segundo sermão pregado por Stuart Olyott, na quinta-feira pela manhã.

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Como viver perto do Senhor? A vida de Enoque (Gn 5.18-24)

1. Quem era Enoque?

Além do mencionado em Gn 5.18-24, há mais três deles no livro de Gênesis:

Há mais um em 4.17: o filho de Caim.
Outro em 25.4: o neto de Abraão.
E outro em 46.9: o filho de Rubem.

2. O contexto:

No capítulo 3 temos o primeiro pecado.
No capítulo 4 temos o primeiro homicídio.
No capítulo 6 lemos sobre a corrupção do gênero humano.
No capítulo 7 vemos a destruição do gênero humano.

Enoque é uma luz cercada de trevas.

Deus nos fala duas vezes do que Enoque fez:

5.22 – “E andou Enoque com Deus”.

5.24 – “E andou Enoque com Deus”.

[Andar: heb. Hitpa-El, andar interiorizado; seguir; andar na presença; andar moral, em justiça, em observância à Lei.]

Confronte com o que outros fizeram:

Jabal – 4.20
Jubal – 4.21
Tubalcaim – 4.22

Um dia você vai morrer e alguém ao lado do seu caixão vai dizer quem você foi e o que você fez. Matthew Henry no leito de morte disse: “Uma vida vivida em comunhão com Deus é a vida mais prazerosa do mundo”. Você sabe disso? Enoque sabia.

3. Onde Enoque andou com Deus?

No livro de Judas temos um pequeno extrato de um dos sermões pregados por Enoque (v. 14-15): “E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele”.

Repare a palavra que é repetida: Enoque andou no meio de ímpios, mas ele andou com Deus.

Se você for bom em matemática, vai perceber que Adão ainda estava vivo quando Enoque nasceu, e que por mais de 300 anos ambos conviveram. Adão, que não andou com Deus dentro do jardim do Éden, viu Enoque andando com Deus fora do jardim.

Enoque foi o sétimo depois de Adão, mas há outro sétimo pela linhagem de Caim (cf. Gn 4.17, 18, 23):

Enoque é uma figura de Cristo.

Lameque é uma figura do anticristo.

Enoque teve filhos e filhas (5.22). Alguém me disse: eu andava com Deus quando era solteiro, mas agora me casei. Mas Enoque andou com Deus mesmo em meio a fraldas, travessuras, quartos desarrumados e até quando as meninas experimentaram de uma vez só todos os batons da mamãe. Alguns crêem que só podem andar com Deus se separarem-se de tudo e de todos. Isso é falso. Enoque nos mostra que é possível andar com Deus no mundo.

4. Por que Enoque andou com Deus?

Judas 14 mostra que (semelhante a todos os demais profetas), Enoque também falou de Cristo. Ele contemplou a vinda do Senhor: “Eis”, isto é, “vejam!”. Ele presenciou a glória de Cristo na sua segunda vinda. Quando Paulo encoraja a Timóteo, ele diz: lembre-se de Jesus. Quando o autor de Hebreus nos exorta a viver a vida cristã, ele diz: “Olhando para o Senhor Jesus”.

Oração não lhe aproxima de Deus;
Ler a Bíblia não lhe aproxima de Deus;
Ouvir sermões não lhe aproxima de Deus;
Vida de igreja não lhe aproxima de Deus…

…a menos que você veja Cristo na sua oração, na Bíblia, no sermão, na comunhão.

Enoque andou com Deus porque seus olhos estavam voltados para Cristo. Ele contemplava a Cristo glorificado, vindo sobre as nuvens com poder e glória para julgar o mundo.

5. Para onde andar com Deus conduziu Enoque?

O pai de Enoque (Jerede) morreu com quantos anos? 962 (5.20).

E o filho de Enoque (Matusalém)? 969 (5.27).

E Enoque, quantos anos tinha quando deixou este mundo? 365 (5.23).

Em termos antediluvianos Enoque ainda era jovem. Não é o tempo de vida neste mundo que conta, mas como você vive o seu tempo.

Quando Moisés escreve no v. 24 que Deus o tomou, isto é uma forma de dizer que Deus pegou o que era seu.

Uma vez uma criança fez uma redação sobre Enoque. Ela escreveu: “Deus e Enoque conversavam muito. Um dia eles estavam conversando e andando, conversando e andando e quando Enoque percebeu, estava muito longe de casa. Aí Deus disse: Enoque, você está mais perto de minha casa do que da sua. Então venha para minha casa. E Deus o tomou para si”.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Esboço das Palestras da Conferência Fiel (5) - 1

O esboço abaixo é a primeira mensagem pregada por Stuart Olyott na última conferência da Fiel, no segundo dia, à noite. Olyott nasceu no Paquistão em 1942, e foi pastor em Londres e Liverpool, na Inglaterra, e em Lausanne, na Suíça. Atualmente serve como diretor pastoral do Movimento Evangélico do País de Gales, viajando bastante para falar em igrejas e conferencias. É autor de vários livros, entre eles Ouse ser firme: o livro de Daniel, Pregação pura e simples e Ministrando como o mestre, além do prefácio de A verdade para todos os tempos: um breve esboço da fé cristã, de João Calvino.

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Antes do sermão, o veterano palestrante recomendou a todos os ouvintes a leitura constante do livro que, segundo ele, é 99,5% perfeito! “Eu sempre levo 2 livros comigo: A Bíblia e o Breve Catecismo de Westminster. Eu o tenho todo decorado, e exceto a segunda parte da resposta à pergunta 95, ele é perfeito”.

A Conversão - Atos 8.26-40.

Da mesma forma que os nossos rostos são diferentes, mas ao mesmo tempo tem características comuns, assim também cada conversão é diferente, mas todas são iguais.

Toda conversão tem 4 características:

1) A Etiópia era um país religioso, mas idólatra. Porém, surpreendentemente, o Eunuco não estava interessado em ídolos, mas no Deus invisível de um país longínquo. Ele era um homem de status. Só pessoas importantes têm automóveis com motorista particular! Mas ele se arriscou a empreender uma viagem perigosa com o objetivo de saber mais sobre Deus. Quem o impeliu a isso?

Ele conseguiu chegar a Jerusalém e ao se dirigir ao Templo decepcionou-se ao se deparar com uma placa colocada numa mureta: “Se você não é judeu, não ultrapasse, sob pena de morte”.

Ele não consegue entrar no Templo, mas adquire o rolo do profeta Isaías e retorna à sua terra, absorto na leitura. Como explicar o interesse desse homem?

– Deus prepara pessoas para a conversão, e algumas dessas pessoas estão na sua escola, na sua vizinhança, no seu trabalho!

2) Deus envia um pregador: “um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai” (8.26). Filipe estava em Samaria (At 8.5) e teve que andar 110 km para encontrar o etíope. O caminho, como o anjo havia informado, era deserto. Mas surgiu um carro e Felipe foi instruído pelo Espírito a aproximar-se.
Felipe então passa a acompanhar o carro correndo. Ao ouvir que o homem estava lendo Isaías, perguntou: você está entendendo o que lê? – Não! Você poderia me explicar?

3) Deus preparou o etíope, o homem de Deus o encontrou e o Senhor Jesus foi-lhe apresentado através das Escrituras.

4) No caminho do deserto encontraram água. O Eunuco pede ao motorista que pare o carro e diz a Filipe:

- Algo impede que eu seja batizado agora?

Ao que Filipe responde:

- Nada impede se você crê de coração.

E o Eunuco respondeu:

- Eu creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.

E foi batizado ali mesmo.

Deus Pai o preparou
Deus o Filho lhe foi apresentado A conversão é trinitária
Deus o Espírito operou no seu interior

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Esboço das Palestras da Conferência Fiel (4)

Matt Schmucker serve no ministério 9Marcas como o diretor-executivo desde 1998, planejando conferências, editando livros e ensinando. Ele auxilia a Igreja Batista de Capitol Hill desde 1991 – como administrador e como presbítero, cooperando com Mark Dever no trabalho de renovação daquela igreja.

Em nova contribuição de Túlio Leite, segue a palestra de Schmucker, na manhã do segundo dia na Conferência Fiel de 2008.

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Ouvindo a Cristo: A pregação e a Igreja Centrada em Deus

Algumas tentações para tornar a igreja mais atraente:

1. Devemos ter a música “certa”
2. Precisamos trabalhar para atrair uma determinada classe social – a nossa!
3. A igreja precisa ter uma atmosfera amigável
4. A igreja precisa se envolver em trabalhos sociais

No entanto, a primeira pergunta que a igreja deve fazer não é: “como devemos alcançar o mundo?” Essa é uma questão secundária. A questão primordial é: como devemos adorar a Deus? Porque Deus sempre vem em primeiro lugar.

Se chamamos outras pessoas através da evangelização, nós as chamamos para adorarem a Deus. A igreja deve ser, antes de qualquer coisa, adoradora. A partir daí todas as demais coisas são postas no devido lugar.

Vou expor a tarefa de pregar a Cristo através de seis grandes temas:

1. Criação
Em Gn 1.21 vemos cada animal sendo criado conforme a sua espécie. Porém em Gn 1.26-27 lemos sobre o homem sendo criado conforme a imagem de Deus.

2. Queda
Em Gn 3 o homem abandona a imagem de Deus e decide dominar a terra por si mesmo. O diabo havia lhes prometido (Gn 3.5): “Sereis como Deus”. Porém eles já eram a imagem de Deus. Ao darem ouvidos a Satanás essa imagem foi corrompida.

3. Israel
Em Êx 4.22 Israel é chamado por Deus de “meu filho”. O filho é a imagem do Pai. O filho espelha o Pai. Mas esse filho, Israel, também escolheu não refletir a imagem de Deus e, como Adão foi expulso do Éden, Israel foi expulso da terra prometida.

4. Jesus
Por ocasião do batismo de Jesus, o próprio Deus testifica: “Este é meu Filho Amado” (Lc 3.2). Jesus é o Filho perfeito que dá prazer ao Pai. Embora tentado, esse Filho faz o que Adão e Israel não conseguiram.

“Tal Pai, tal Filho”: Ele é em forma de Deus (Fp 2.6); Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1.15); Quem o vê, vê ao Pai (Jo 14.9).

Em Cristo o problema da corrupção de Adão está resolvido. A imagem de Deus é restaurada.

5. Igreja
Em Rm 8.29 vemos o propósito de Deus para a igreja: fomos predestinados para sermos “conformes a imagem de seu Filho” (cf. 2Co 3.18; Cl 3.9-10; 1Co 15.49).

Tal Pai, tal Filho… tais filhos!

6. Glória
Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.

Duas perguntas:

P1. Quando nós adoramos?
R. Quando manifestamos o caráter (imagem) de Deus em nossa vida

P2. O que atrai as pessoas à sua igreja? Gente “legal”? Música agradável? Ambiente amigável?
R. Que tal um grupo de pecadores regenerados que buscam espelhar a imagem de Cristo?

Aplicações:

1. Deus deseja usar a vida corporativa da igreja local para manifestar os seus propósitos na criação. A igreja local deve ser uma representação visual do evangelho.

2. A igreja tem que ser distinta do mundo. O jardim do Éden tinha o lado de dentro e o lado de fora.
A arca de Noé tinha o lado de dentro e o lado de fora. Israel tinha o lado de dentro e o lado de fora. A igreja também tem o lado de dentro e o lado de fora. Nós temos que desenhar uma linha muito clara ao redor da igreja. Essa linha chama-se “membresia”.

3. O trabalho de evangelização e missões deve ser associado ao caráter da igreja. Se houver um membro, qualquer que seja, adolescente, idoso, membro do coral, envolvido em pecado e a igreja não se importa, então desista da evangelização.

4. Se a igreja é caracterizada por panelinhas e intrigas, desista de falar de Cristo a outros. Se não há amor sacrificial, então não fale do amor de Deus. Porque a igreja deve, antes de qualquer coisa, espelhar a imagem de Cristo.

Sugestões:

1. Certifique-se de que cada pessoa que vai se agregar a sua igreja conhece o evangelho. Peça ao novo membro para expor-lhe o evangelho. Quatro elementos precisam estar presentes: (1) Deus Santo, (2) homem pecador, (3) Cristo, sua vida sem pecado e seu sacrifício, (4) a resposta do pecador a Cristo.

2. Continuamente relembre à sua igreja que: conversão = arrependimento + fé.

3. Certifique-se de que as mensagens, a música e todas as demais coisas estão centralizadas no evangelho. Lembre-se: a igreja deve espelhar a Cristo.

4. Lembre-se que uma mensagem centrada no homem acarreta uma igreja centrada no homem. Uma mensagem centrada no homem não é o evangelho. Uma igreja centrada no homem não é a igreja de Cristo.

A igreja tem que ser a manifestação do evangelho. É a manifestação visível do evangelho no mundo.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Esboço das Palestras da Conferência Fiel (3)

Phil Newton é pastor da Igreja Batista Southwoods, em Memphis, Tennessee. Possui Mestrado em Divindade pelo New Orleans Baptist Theological Seminary e Doutorado em Ministério pelo Fuller Theological Seminary. Autor de vários artigos e livros teológicos, um deles publicado pela Editora Fiel, Pastoreando a Igreja de Deus: redescobrindo o modelo bíblico de presbitério na igreja.

Os temas das palestras foram:

· O Mundo na Igreja – Ap 2.18-29
· Morto ou Vivo – Ap 3.1-6
· Uma Porta Aberta – Ap 3.7-13

Em mais uma contribuição de Túlio Leite, segue abaixo a primeira palestra de Newton na Conferência Fiel de 2008.

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Ap 2.18-29 – A Igreja de Tiatira

Durante a guerra civil espanhola, um general que avançou sobre Madri com quatro colunas de soldados, enviou um alerta à cidade: “Eu tenho quatro colunas avançando sobre a cidade, mas tenho também uma quinta coluna dentro da cidade [espiões, sabotadores, franco-atiradores], pronta para agir a uma ordem minha”. Desde então o termo quinta-coluna designa aquelas pessoas que podem viver ao nosso lado, mas que não comungam do mesmo ideal e trabalham para destruí-lo. Pessoas que aparentemente são leais, mas de fato não são.

Jesus afirma que era exatamente isso o que estava acontecendo na igreja de Tiatira. Ela estava sendo ameaçada de dentro para fora. Isso pode acontecer a qualquer igreja, pode acontecer na sua igreja. Não estou afirmando que haja uma conspiração em curso. Também não estou dizendo que os quinta-colunas estejam conscientes de que o são. Mas pode ser que haja gente na igreja que não comungam dos nossos princípios bíblicos.

Quinta-colunista pode ser o pastor que transforma o culto de adoração em uma sessão de entretenimento; pode ser o professor de escola dominical que trata questões morais com elasticidade; pode ser o membro que fofoca contra a liderança ou faz oposição velada ou aberta às doutrinas da graça.

É por isso que Paulo instruiu aos presbíteros da igreja de Éfeso (e por extensão a todos os que lêem suas instruções): “Cuidem [estejam atentos] de si mesmos e da igreja”. Mais adiante Paulo diz a razão: eu sei “que dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas para atrair os discípulos após si” – eis os quinta-colunas!

Apesar de ser a menos importante das sete cidades, Tiatira é objeto da mais longa das cartas ditadas por Jesus. Lídia, a vendedora de púrpura é originária desta cidade. Os vendedores de púrpura pertenciam a um dos vários “sindicatos” de Tiatira, cada um deles tinha uma divindade “padroeira”. Animais eram ofertados a essas divindades em festas regadas a muito vinho e imoralidade. Quem não participasse corria o risco de ser posto de lado e ter os negócios arruinados.

Jesus inicia sua carta elogiando a igreja (v. 19). Que igreja não gostaria de ouvir esses elogios do Senhor? Cada uma de suas palavras tem um significado especial.

Amor: trata-se de amor sacrificial. Aqueles cristãos cuidavam com zelo uns dos outros.

Fé: eles tinham a compreensão correta do que significava ser cristão.

Paciência: eles eram perseverantes em face da tribulação.

Obras: eles estavam fazendo progresso, não havia acomodação.

Vemos então que muitas coisas boas estavam acontecendo naquela igreja!

E quando isso acontece, qual é a tendência da liderança? É relaxar na vigilância. É nos tornarmos complacentes. Passamos a agir como o comandante do avião que liga o piloto automático.

Mas é justamente nessas ocasiões que a quinta-coluna começa a agir. Eles são como a mosca morta no perfume, descritas em Eclesiastes [Ec 10.1]. As moscas mortas fazem com que o ungüento do perfumista emita mau cheiro; assim um pouco de estultícia pesa mais do que a sabedoria e a honra. É mais fácil destruir algo bom do que criar algo bom.

Tiatira, vocês tem moscas mortas no perfume! Essas coisas boas que vocês têm estão sendo destruídas pela “mosca morta”. O v. 18 é a única ocasião no Apocalipse onde Jesus é apresentado com a expressão “o Filho de Deus”. E Ele tem um olhar penetrante, olhar que faltou à liderança da igreja de Tiatira. Repare que o problema era semelhante ao existente na igreja de Éfeso (v. 6, 15), porém esta agiu de forma diferente.

Talvez o problema tenha começado com pessoas que diziam: “Temos que ser um pouco pragmáticos se quisermos ser relevantes na sociedade. Precisamos nos integrar à sociedade, precisamos ser aceitos se quisermos ganhar pessoas para Jesus”. E integrar-se significa participar dos sindicatos e das festas dos ídolos. Talvez esse fosse o argumento de “Jezabel”.

Jezabel é um nome simbólico que nos remete ao caráter da mulher do rei Acabe, a fenícia responsável pela introdução em Israel do culto a Baal e a Astarote. Essa Jezabel de Tiatira se autodenominava profetiza (v. 20) e encontrou espaço para difundir o seu falso ensino na igreja. Mas não é surpreendente encontrarmos essa tolerância ao falso ensino naquela igreja, em face aos elogios do v. 19? Não é o caso de dizer que a liderança concordava com Jezabel. Certamente eles odiavam aquele ensino. Provavelmente estivessem surpresos e indignados. Talvez dissessem: “Como é possível isso acontecer em nossa igreja?! Como essa mulher tem a audácia de dizer tais coisas? Como pode irmãos acreditarem nela?” Porém aqueles homens não tomaram nenhuma medida para estabelecer a verdade e impedi-la de ensinar.

Será que você tem o conhecimento de ensino errado sendo proferido em sua igreja e não faz nada, esperando que ele simplesmente desapareça com o tempo?

Evidentemente devemos ser tolerantes com irmãos que vêm de igrejas onde a teologia bíblica é deficiente, mas Jesus é absolutamente intolerante quando doutrina falsa é ensinada. Porém, em Tiatira não só a liderança, como também a membresia não reagiram à heresia. Jezabel não estava seduzindo as pessoas do mundo, mas “os meus” (v. 20). O alvo eram as pessoas que pertenciam a Cristo. O adversário está continuamente semeando sementes de destruição. Não é permitido à liderança da igreja o relaxar na vigilância. Se há alguma fragilidade no ensino em qualquer parte da igreja, em qualquer classe da Escola Dominical, devemos nos manifestar. Isso é desagradável? Sim, mas é o ônus do ministério.

O v. 21 mostra que a paciência de Jesus estava chegando ao fim. Ele havia dado tempo, mas Jezabel não se arrependia e a igreja não agia.

E o v. 22 inicia com a expressão “eis que”, isto é: “Acordem! Chegou a hora do Senhor da Igreja agir, trazendo disciplina para os que são dele e juízo para os que não são”. Muitos têm dificuldade quando se trata de exercer disciplina na igreja. Mas veja Jesus agindo nos v. 22 e 23 [cf. com Hb 12.11].

Mas no v. 24 Jesus afirma: “Outra carga não jogarei sobre vós”. Ele não estava colocando nenhum peso legalista sobre os ombros da igreja. Ele tão somente estava mostrando que desejava que eles vivessem como cristãos no mundo.

E no v. 25 Jesus conclui: “Conservem o que vocês têm”. Às vezes os pastores têm a tendência de chegar na igreja com “coisinhas novas”. Coisas que estão na moda por aí – quem sabe elas não farão a igreja crescer? Mas Jesus diz: Conserve, não jogue fora as coisas boas que vocês têm. Sejam fiéis.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Esboço das Palestras da Conferência Fiel (2)

Joel Beek é pastor da Congregação da Herança Reformada, em Grand Rapids, Michigan, EUA. É presidente, deão acadêmico e catedrático de teologia sistemática e homilética no Seminário Reformado Puritano. É editor, autor e co-autor de mais de 50 livros, entre eles A busca da plena segurança: o legado de Calvino e seus sucessores.

Esses são os temas das palestras que ele ministrou:

· Nutrindo a Igreja: a condição, a substância e o sucesso da Igreja.
· Combatendo o orgulho.
· Seu conflito com a crítica.

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Nutrindo a Igreja: a condição, a substância e o sucesso da Igreja

[Beeke começa lendo 1Jo 2.15-17.] O mundanismo é, em síntese, a natureza humana procurando viver sem Deus. É a vida vivida somente no contexto horizontal. Para isto não é necessário negar a Deus, mas apenas pô-lo de lado ou tentar usá-Lo para fins egoístas.

Nas suas conversações habituais, as pessoas conseguem identificá-lo como um homem de Deus?

Quão importante é a vida na igreja para o cristão mediano atualmente? Por um lado temos a igreja católica reivindicando todo o poder sobre os fiéis nesta vida e na outra, por outro lado temos o evangelicalismo moderno fortemente individualista definindo a igreja como meramente uma associação voluntária. São dois extremos não-bíblicos.

Os primeiros protestantes, embora tenham rompido com a hegemonia da igreja católica ainda mantiveram um alto conceito da igreja. Porém, a partir do século passado a igreja deixou de ser vista primordialmente como a Noiva de Cristo para ser vista como uma mera associação.

Mt 16.18: Sobre esta pedra edificarei a minha igreja.

1) A condição da igreja: “Minha igreja”. A igreja é de Cristo. No grego a palavra “minha” está no início da frase, deslocada da ordem gramatical normal, para dar ênfase a este fato. A igreja é o povo que pertence a Cristo e está ligada a Ele por laços mais profundos que amizade ou parentesco. [Nesse ponto Beeke fez uma pergunta: “Alguém aqui quer comprar minha caneta? Quanto você daria por ela? Dois dólares?… Mas se eu dissesse a você que essa caneta foi usada por Calvino para escrever as Institutas, quanto você acha que essa caneta passaria a valer? Mesmo que essa caneta tivesse sido usada por Calvino, não custou a ele o seu sangue… o status da igreja está ligado ao valor do seu Proprietário”.]

Lembre-se, a igreja pertence a Cristo, é a sua noiva, e assim só existe uma maneira de criticarmos a igreja: “com os olhos molhados”. Chorando, com lágrimas. [Outra ilustração de Beeke: “Quando eu era um jovem meio inconseqüente cometi o erro de criticar a esposa do meu irmão mais velho. Ele estava dirigindo, e imediatamente parou o carro no acostamento e ficou batendo com a ponta do indicador no meu peito enquanto dizia: nunca, nunca, nunca, fale mal de minha esposa!”]

2) A substância da igreja: “Sobre esta pedra”. Batalhas já foram travadas sobre o significado destas palavras. O Vaticano as escreveu sobre o suposto túmulo de Pedro.

Mas a pedra não é Pedro, [homem] instável, sujeito a erros, mas sim a estabilidade da revelação que foi concedida a ele (cf. 1Co 3.11; Ef 2.20b; 1Pe 2.4-5). “A igreja é tirada do lado de Jesus, que estava morrendo, assim como Eva foi tirada de Adão, que estava dormindo”.

3) O sucesso da igreja: “Eu edificarei”. Jesus não disse: gostaria de edificar, nem tentarei edificar, mas edificarei.

“As portas do inferno”: o lugar onde se assentam os juízes, os anciãos que governavam a cidade. Os principados e potestades não prevalecerão sobre a igreja. Nós estamos dedicando a nossa vida a uma entidade que não fracassará. A igreja ainda está em construção. Há andaimes por todo lado, há pedaços de tijolo em volta, há cimento fresco… não é algo bonito de se ver. Ainda há pessoas fracas, imperfeitas, elas ainda estão sendo construídas. Mas não espere ver algo melhor fora dela, pois você só encontrará desapontamento.

Quando o Senhor voltar, então os andaimes serão retirados e a beleza do edifício será revelada.

Lembre-se que você também, pastor, ainda está em construção. Você também não é perfeito.

Eu me converti há quarenta e um anos. Eu deveria ser mais santo do que sou, eu deveria ser mais forte do que sou… como, então, posso ser impaciente com as fraquezas das ovelhas que me são confiadas?

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Esboço das Palestras da Conferência Fiel (1)

Na semana de 6 a 10 de outubro ocorreu a 24ª. Conferência Fiel para Pastores e Líderes. Tivemos cerca de 1.300 congressistas, que ouviram sete preletores em 18 palestras, no decorrer de 5 dias, além de 3 “workshops” ministrados por Matt Shmucker e Jonathan Leeman, do Ministério 9Marcas.

Quem contribui conosco é o Túlio César Costa Leite, presbítero da Igreja Reformada Presbiteriana em Maricá, no Rio de Janeiro. Ele fez anotações de todas as palestras e irá compartilhá-las conosco aos poucos.

Começamos com a primeira pregação da série de três palestras de Sam Waldron. Ele é um dos pastores da Igreja Batista da Herança, em Ewensboro, Kentucky, professor de teologia sistemática do Centro de Estudos Teológicos Midwest e instrutor adjunto e membro do conselho do Seminário Reformado Batista em Easley, SC. Autor de diversos livros, entre eles um extenso comentário sobre a Confissão de Fé Batista de 1689.

Eis os temas das palestras que ele ministrou:

· A parábola do grão de mostarda: uma visão bíblica do avanço do Reino de Deus em Lc 13.10-21

· Igreja em guerra: o real significado de Mt 16.18

· Evangelização bíblica: o estilo de vida de todo cristão verdadeiro (Mt 12.30).

Bom proveito, e fica o convite para a próxima conferência da Fiel em outubro de 2009.

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A parábola do grão de mostarda: uma visão bíblica do avanço do Reino de Deus em Lc 13.10-21

– O que é o Reino de Deus? O Reino de Deus é: 1) profetizado no Antigo Testamento; 2) fortemente presente no mundo, através da Palavra de Deus, gerando filhos; 3) intimamente ligado a igreja; 4) manifestado também numa dimensão futura, na volta do Rei, quando os ímpios forem julgados e quando haverá somente um povo santo sobre a Terra.

1) A vinda do reino é o tema de muitas profecias do Antigo Testamento: Dn 2.44; 7.13-14; Is 52.7; Sl 103.19, etc.
2) Leia Mt 13.18-19, 23, 37-38.
3) O Reino não é a igreja, mas ambos estão intimamente ligados: Mt 16.17-19; 18.18.
4) cf. Mt 13.37-43.

– Lc 13.18: como o Reino é semelhante ao grão de mostarda?

1) Na questão de parecer insignificante no início.
2) No grande poder de germinar e crescer (cf. Mc 4.32).
3) Assim como depois de crescida a mostarda dominará a horta, também o Reino há de dominar o mundo (Ez 17; Dn 4). As aves do céu simbolizam as nações – cf. Is 9.

– Por que Jesus contou a parábola? Porque considerou que ela ilustrava perfeitamente o incidente descrito nos versículos anteriores:

1) Nada poderia ser aparentemente mais comum, normal e insignificante do que o aparecimento de um carpinteiro galileu numa sinagoga no sábado.
2) Mas naquele dia o Reino manifestou seu tremendo potencial de crescimento: Jesus libertou uma mulher que vivia cativa, figura de como a Palavra liberta aqueles que andam cativos do pecado.
3) Sempre há oposição (v.14), mas a palavra de Jesus trouxe à luz a condição do pecado de uns (v.17a) e a alegria de outros (v.17b).

Jesus, através da parábola, estava dizendo: hoje, nesta sinagoga, vocês viram o princípio do Reino. Ele será sempre assim, vindo em aparente fraqueza, mas manifestando um tremendo poder. E quem me seguir reinará comigo sobre as nações.

– Protegendo a parábola contra a má interpretação:

Dois erros costumam ser cometidos na interpretação desta parábola:

1) A interpretação pessimista: Certos comentaristas, tendo em vista a parábola seguinte (a do fermento) afirmam que sendo o fermento o símbolo do pecado, a parábola trata da crescente corrupção da igreja. Assim também a parábola do grão de mostarda: uma hortaliça que se transforma em árvore é uma monstruosidade. Porém o contexto não é a crescente corrupção da igreja, mas o crescente sucesso do evangelho.

2) A interpretação demasiadamente otimista: Esta parábola é grandemente encorajadora, mas há uma corrente que afirma que o evangelho transformará o mundo politicamente, financeiramente, socialmente, moralmente, antes de Jesus voltar. Porém o contexto bíblico mostra que temos que ser mais moderados: A parábola do semeador nos leva a concluir que há quatro tipos de solo, mas em três deles o resultado não é encorajador. Em Mt 13.25 vemos o inimigo semeando a sua semente no meio da boa semente e ambas crescendo juntas até a consumação do tempo.

– Qual a importância da parábola para nós?

1) Podemos ter certeza de que o Reino de Deus avançará e finalmente triunfará na história do mundo.

Há esperança. Os grandes dias da igreja não estão no passado. Maiores dias ainda estão por vir. A árvore ainda crescerá mais. A parábola nos encoraja, nos dá confiança, é a palavra do Rei.

Não será fácil, não será sem oposição, não será sem dor nem perseguição, não haverá crescimento instantâneo. Quanto mais Satanás temer a Palavra de Deus, mais a atacará. Mas a igreja triunfará.

2) Talvez você esteja pensando que eu não sei o quanto sua igreja é fraca. Lembre-se que nada é mais insignificante do que uma semente de mostarda – você já viu uma? Mas dentro dela há um tremendo poder de crescimento.

O poder de Deus sempre coexistirá com a fraqueza. Os servos de Deus sempre terão uma aparência comum e ordinária. A fraqueza não é problema para Deus. Sempre seremos fracos. O perigo quando esquecermos disso: deixarmos de ser pequenos aos nossos próprios olhos é o princípio do fim para nós.

3) O vigor da igreja tem que ser mantido pela proclamação do evangelho: para fora, aos ímpios, para dentro, edificando os santos. O evangelho é capaz de humilhar os inimigos de Deus, de libertar os cativos e de alegrar os filhos de Deus. Continue focado no evangelho do Reino de Deus.

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