Juntos pelo Evangelho 2010
Tiago Santos

Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.
Essa afirmação do apóstolo Paulo é uma das mais severas das Escrituras. Ele amaldiçoa a mensagem e o mensageiro que, pretendendo ser Evangelho, estão além ou aquém do mesmo – como apresentado pelo próprio Paulo e revelado no restante das Escrituras.
Assim, pareceu-me bastante apropriado iniciar o presente relato com a advertência apostólica.
Afinal, desejo tratar nestas linhas acerca duma conferência cujo tema fixo toca justamente neste ponto tão vital da fé cristã: o Evangelho.
A conferência chamada “Together for the Gospel” (Juntos pelo Evangelho), também conhecida pela sigla “T4G” é um evento bienal, organizado por quatro irmãos em Cristo, de diferentes denominações evangélicas, amigos de longa data e que atuam em áreas diversas do ministério cristão. São eles Pr. Mark Dever, Pr. Lingon Duncan, Pr. C. J. Mahaney e o Dr. Albert Mohler. Todos compartilham um forte apreço pela fé e tradição reformada e decidiram se unir em torno do tema central da mensagem trazida por Jesus Cristo à terra: O Evangelho da Salvação.

RESSURGIR! TODA A DOÇURA E TODO O VIGOR DA FÉ SE RESUMEM nesta palavra. É a flor do Calvário, a flor da cruz. O tremendo horror daquele martírio tenebroso desabotoa neste sorriso, e a humanidade renasce todos os anos a esse raio de bondade, como a formosura da terra à alegria indizível da manhã, o prelúdio do sol, o grande benfeitor das coisas. O homem, cercado pela morte de todos os lados, não podia conceber este ideal de eternidade, se não fosse por uma réstia do seu mistério radiante, divinamente revelado às criaturas. Nossos sonhos não inventam: variam apenas os elementos da experiência, as formas da natureza. Tem a fantasia dos viventes apenas uma palheta: a das tintas, que o espetáculo do universo lhes imprime na retina. E no universo, tudo cai, tudo passa, tudo se esvai, tudo finda. Nesse desbotar, nesse perecer de tudo, não havia o matiz, de que se debuxou um dia, na consciência humana, o horizonte da ressurreição.
PARA OS QUE VIVEMOS A PREGAR À REPÚBLICA O CULTO DA JUSTIÇA como o supremo elemento preservativo do regímen, a história da paixão, que hoje se consuma, é como que a interferência do testemunho de Deus no nosso curso de educação constitucional. O quadro da ruína moral daquele mundo parece condensar-se no espetáculo da sua justiça, degenerada, invadida pela política, joguete da multidão, escrava de César. Por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz. Aos olhos dos seus julgadores refulgiu sucessivamente a inocência divina, e nenhum ousou estender-lhe a proteção da toga. Não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados.


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