Mauricio Andrade

Alegria, Alegria

Quem não ama doutrina,
Bom sujeito não é:
É desmancha-prazeres
Ou doente na Fé!…

“A… passagem é uma porção da Oração Sacerdotal em João 17, na qual Jesus expressa o pedido imortal do verso 17: ‘Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade’. Nessa passagem encontramos o Senhor Jesus orando a Seu Pai celestial em antecipação a Sua ascensão, do outro lado de Sua crucificação e morte e sepultamento e ressurreição. Ele diz: ‘Eu vou para Ti’ para que eles ‘tenham a minha alegria completa em si mesmos’. Ele ora especificamente para que seus discípulos entendam que Ele os está deixando e indo para o Pai, e que eles serão edificados na verdade da Palavra do Pai que Ele lhes havia falado, de modo que Sua alegria seria completa neles. Jesus está dizendo que verdade é para produzir alegria. Doutrina produz regozijo, diz o Senhor Jesus. Se você denigre doutrina, você denigre aquilo que Jesus disse ser necessário para a alegria. Você é um exterminador da alegria se você é contra doutrina, porque Jesus diz que a verdade produz alegria”.

Lingon Duncan III, Sound Doctrine: Essential to Faithful Pastoral Ministry in Proclaiming a Cross-Centered Theology (Wheaton, Il: Crossway, 2007), 39.

Em resumo:

- Jesus está para voltar para o Pai
– Ele ora por seus discípulos
– Ele pede que a alegria que Ele mesmo tem na comunhão com o Pai seja plena em seus discípulos
– Ele deixa claro que isso acontecerá pela Palavra que Ele havia transmitido aos discípulos
- A Palavra – que é a Verdade – é o ensino de Jesus, sua doutrina

A quadrinha que encabeça o post não faz parte de João 17 – mas até podia.

Não perca sua alegria nem estrague a dos demais: sem a sã doutrina pode-se até produzir emocionalismo entusiástico, mas não verdadeira alegria em Jesus!

Convicção e Preconceito

Convicção e Preconceito

Filme estreando este final de semana, sobre a vida de uma garota de programa (eufemismo para meretriz), traz a seguinte chamada:

Vá com seu namorado, com suas amigas ou sozinha. Só não vá com preconceitos.”

Isso quer dizer que, se você possui uma cosmovisão reformada – que não aceita nem rejeita a priori a cultura, mas procura identificar nela tanto os sinais da Queda quanto os da Redenção –, você terá que deixar do lado de fora da sala de projeção:

  • suas convicções – elas não são fruto de reflexão séria sobre o que diz o Criador: são preconceito
  • seu amor a Deus – ele não pode ser expresso em termos de análise, reflexão e atitude na arena pública: se ultrapassar a linha do particular, do individual, vira preconceito
  • sua percepção da dignidade do corpo humano – ela não é uma percepção de que o corpo humano é para o Senhor, para expressar Sua glória: é apenas um ultrapassado preconceito
  • seu senso do absoluto senhorio do Criador sobre nós – ele não é uma visão de nosso dever para com Deus: se eu não puder fazer o que bem entender com minha vida, sem me preocupar com prestar contas no final, isso é preconceito

Entenda: não se trata tanto de assistir ou não a este ou àquele filme. Trata-se de quererem que você tire o capacete da salvação, largue a espada do Espírito, abaixe o escudo da fé, afrouxe o cinto da verdade, deixe brechas na couraça da justiça e ande descalço, sem boas novas para anunciar. Enfim, trata-se de quererem que você se cale!

Quando foi que deixamos nossas convicções serem tratadas como preconceito?

Informação e Verdade

Informação e Verdade

Confia no Senhor de todo o teu coração; e não te estribes no teu próprio entendimento. Pv 3.5

Lembro-me de uma palestra de Thabiti Anyabwile, ano passado, em que ele fez uma colocação muito perspicaz, aludindo ao conceito de pluralismo:

“Há dois tipos de pluralismo: um saudável, que reconhece a existência da diversidade no mundo, produz o conceito dos direitos humanos – como a liberdade religiosa, ajuda-nos a olhar o próximo como ele é, etc. Um outro tipo é prejudicial, uma vez que é ingênuo, pois falha em distinguir a valorização de pessoas da valorização de idéias, e tende a aceitar que toda idéia é igual em seu valor. É uma forma irracional de pluralismo. As razões por que esse tipo de pluralismo encontra lugar em nossa cultura são tais como nossa aversão ao debate franco, o desejo de disfarçar as contundentes diferenças entre religiões, a abordagem pragmática à religião, etc…”

Quero destacar uma palavra: ingênuo;
e apontar um ambiente: a Academia.

A Academia (universidades, seminários, etc) é o lugar do contraditório, do debate, do confronto e da análise. Quando funciona de modo saudável, os resultados podem ser muito bons. Como disse Louis Pasteur "Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima." Mas nem sempre é assim…

Em que Crê um Calvinista

Mauricio Andrade

Em que Crê um Calvinista Há, nas Escrituras Sagradas, uma demanda por transparência e definição! O profeta deve apresentar a visão de modo que até o corredor possa lê-la – em plena corrida! (Hc 2.2). Nossa palavra deve ser sim, sim! ou não, não! – sob pena de nos alinharmos com uma fonte maligna de informação (Mt 5.37). E existe um clamor por definição ainda no finalzinho da última profecia (Ap 22.11). Mesmo no início da Bíblia, já existe ordenação para evitar a confusão (Dt 22.5) – com a qual, aliás, Deus não se identifica (I Co 14.33).

Não costumo usar os termos calvinista e calvinismo, quando prego. A razão é simples: não é, geralmente, necessário. Refiro-me ao Evangelho e, pra mim e alguns outros (Charles Spurgeon, inclusive), dá no mesmo.

No entanto, às vezes, por motivo de clareza e compreensão, precisamos usar expressões histórica e teologicamente consagradas. Elas não definem o nosso time, a equipe à qual pertencemos. Definem, com mais precisão, nossa persuasão teológica.

Há professores de seminário que são pastores de igreja. Alguns deles ensinam uma coisa na Academia e outra no púlpito. Não dá pra saber o que eles realmente creem. Tivemos em nossa igreja um seminarista que relatou, atordoado, a confissão de um de seus professores de que não cria que houvesse alguém ouvindo nossas orações. O jovem interpelou o mestre, após a aula, e perguntou por que, então, o professor ainda orava. A resposta: “Por causa da angústia humana!” [...]

Teologia de Sofrimento

Mauricio Andrade

Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.
Isaías 45.7

Teologia de Sofrimento Moro no estado do Rio de Janeiro e, com tristeza, vemos mais uma vez, no início deste ano – como aconteceu no passado em outras regiões do estado – a morte de centenas de pessoas em função das chuvas, comuns nessa época do ano. As causas da tragédia, no entanto, não podem ser circunscritas à precipitação das águas. A ausência do Poder Público, a obstinação de alguns moradores, a pobreza, a corrupção, etc, podem ser discutidas, analisadas e investigadas na esperança – às vezes muito fraca, mas sempre insistente – de que tudo isso não se repita futuramente. E cristãos devem participar ativamente de todo esse processo.

Mas minha intenção hoje é levantar a questão das modificações teológicas que tendem a acontecer formalmente – no meio acadêmico e pastoral, e informalmente – entre os crentes, membros das igrejas. O ponto em questão é a forma como o contato com o sofrimento, pode produzir em nós uma hermenêutica idólatra e desembocar, necessariamente, numa Teologia de Sofrimento, não fundamentada na Revelação, nas Escrituras, mas na contundência da experiência humana. As teologias relacionais são um exemplo disso, como o Teísmo Aberto; mas não quero olhar para essas teologias em si, e sim para seu ponto de partida. [...]

Cristo e o Sofrimento Humano

Mauricio Andrade

Cristo e o Sofrimento HumanoO sofrimento humano deve atingir o cristão na mesma intensidade com que atingiu Jesus Cristo. É impossível imaginar sensibilidade maior do que a demonstrada por nosso Senhor diante da complexidade da angústia, dor e confusão humanas. Observe-se, por exemplo, o choro do Senhor diante do túmulo de Lázaro, em Betânia (João 11.35). Devemos nos perguntar a razão de Jesus ter chorado ali – mas dentro do contexto da narrativa e das informações que ela nos dá. Assim, lembremo-nos de que foi o próprio Jesus que, intencionalmente, demorou-se ainda dois dias onde estava, após receber a notícia da doença de Lázaro. E deixou claro que era melhor que ele não estivesse em Betânia – e não pudesse intervir na doença – a fim de que seus discípulos tivessem nova oportunidade de crer nele. Ou seja, ele sabia o que estava para fazer; tinha o controle da situação e a conduzia para um fim específico e bom. Então, por que ele chora diante daquele quadro de desespero e dor? Por que ele se comove e se agita, tendo Maria a seus pés a dizer-lhe “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido!”? Seria fingimento? Parte de uma atuação diante das pessoas, já que, todo o tempo, ele sabia o que tinha ido fazer ali? [...]

Desiring God 2010 National Conference

Parte II
Pr. Mauricio Andrade

Think! The Life of the Mind and the Love of God

As mensagens entregues nas sessões principais da Conferência Nacional 2010, do Ministério Desiring God, foram, obviamente, o momento mais esperado. Todos os conferencistas são amplamente conhecidos nos cenários americano e mundial, e alguns já haviam participado de edições anteriores da Conferência. Todas as mensagens estão disponíveis no endereço www.desiringgod.org, nas versões áudio e vídeo (em inglês). Faço aqui, apenas, um pequeno resumo.

Desiring God 2010 National Conference

Parte I
Pr. Mauricio Andrade

Think! The Life of the Mind and the Love of God

A bela cidade de Minneapolis, no estado americano de Minnesota, recebeu mais uma vez a Conferência Nacional do Ministério Desiring God (Desiring God 2010 National Conference), entre os dias 1 e 3 deste mês de outubro. A Conferência, que acontece anualmente, teve lugar no amplo e moderno Minneapolis Convention Center e contou com a participação de cerca de 4.000 pessoas. Eu e Rosane, minha esposa, tivemos o privilégio de fazer parte desse grupo.

Desiring God 2010 National ConferenceO tema deste ano, por si só, já constituía um desafiador e empolgante atrativo: Think! The Life of the Mind and the Love of God (Pense! A Vida da Mente e o Amor de Deus). E, como conferencistas, tivemos Rick Warren, R. C. Sprol, Thabiti Anyabwile (Um dos pregadores na Conferência Fiel, mês passado, em Águas de Lindóia), Albert Mohler, Francis Chan e John Piper. Foi abençoador perceber que cada conferencista abordou objetivamente o tema, dentro do assunto específico que lhe foi entregue. Além das sessões principais, houve vários seminários cujos assuntos variaram desde temas sobre missões e produtividade cristã até a apresentação de vários softwears de pesquisa e estudo bíblico. Em três dias apenas, você já pode imaginar a maratona que foi! Utilizando apenas um dos imensos halls do Centro de Convenções e o auditório principal, a Conferência foi caracterizada por uma excelente organização e por oferecer uma variedade imensa de recursos úteis a pastores, ministérios e à igreja de modo geral. Entre os 45 stands montados havia, como já foi dito, vários dedicados à tecnologia (estudo e pesquisa bíblicos; recursos de mídia – incluindo sonorização, iluminação e filmagem; recursos para internet – inclusive programas para auxiliar os pais no acompanhamento e disciplina dos filhos no uso da rede mundial), outros a entidades de socorro às populações carentes ao redor do mundo, além de diversos ministérios e entidades de ensino teológico, tanto instituições regulares como aquelas dedicadas ao treinamento de líderes em lugares desafiadores como certos países da África, Ásia e Oriente Médio. Não faltaram, é claro, as editoras, emissoras de rádio e os stands do Desiring God Ministries. Além disso, várias entidades missionárias estavam presentes, fazendo conhecidos os trabalhos que desenvolvem ao redor do planeta.