Quando uma Criança Morre: Respostas da História da Igreja
Steve Burchett
O que apresentamos em seguida são palavras sinceras e corajosas de quatro cristãos famosos, do passado, sobre a perda de uma criança – uma ocorrência muito comum nos séculos passados e que ainda é uma realidade em nossos dias.
Ann Judson (a primeira esposa do missionário Adoniram Judson), depois da morte de seu segundo filho:
“Nossos corações estavam presos a esta criança. Achávamos que ele era nosso tudo terreno, nossa única fonte de recreação inocente nesta terra pagã. Mas Deus viu que era necessário nos lembrar nosso erro e nos despojar de nosso pequeno tudo. Oh! que não seja em vão o que Deus fez! Que nos beneficiemos do fato de que ele estará nas mãos de Deus e digamos: ‘Isso é suficiente’”.
George Whitefield, em uma carta a um amigo, depois da morte de seu filho, que Whitefield imaginava cresceria e se tornaria um grande pregador do evangelho:
“Quem sabe o que um dia pode trazer? Ontem à noite fui chamado a sacrificar meu Isaque, quero dizer, a sepultar minha única criança e filho, de apenas quatro meses. Muitas coisas aconteceram que me levaram a acreditar que ele não somente seria preservado comigo, mas também seria um pregador do evangelho eterno. Satisfeito com este pensamento e ambições de ter meu próprio filho tão divinamente usado, Satanás teve permissão de me dar impressões erradas, pelas quais, conforme penso agora, apliquei erroneamente várias passagens da Escritura. Com base nisso, não tive escrúpulo de declarar que ‘eu deveria ter um filho e que seu nome seria John’. Mencionei o próprio tempo de seu nascimento e esperava apaixonadamente que ele seria grande aos olhos do Senhor…
Achei melhor enviar tanto a mãe como o filho a Abergavenny… Na viagem, eles pararam em Gloucester, na Hospedaria Bell… Ali, meu querido foi tirado com um golpe. Em minha chegada aqui, sem saber o que acontecera, perguntei a respeito do bem-estar da mãe e do filho e, pela resposta, descobri a flor tinha sido cortada. Imediatamente, chamei todos a unirem-se em oração, pela qual bendisse o Pai das misericórdias por dar-me um filho, preservando-o comigo por tanto tempo, mas tirando-o de mim tão cedo. Todos se uniram no desejo de que eu não pregasse até que a criança fosse sepultada; mas lembrei uma afirmação do Sr. [Matthew Henry]: ‘O chorar não deve impedir o semear’. E, por isso, preguei duas vezes no dia seguinte e no dia depois deste, no entardecer do qual, quando eu terminava o meu sermão, o sino bateu anunciando o funeral. A princípio, tenho de reconhecer, aquilo causou-me pequeno abalo, mas, olhando para o alto, recuperei o ânimo e fui capaz de terminar, dizendo que o texto sobre o qual eu estivera pregando, ou seja, ‘todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus’ me tornou tão disposto a ir ao funeral de meu filho quanto a ouvir sobre o seu nascimento”.
John G. Paton, refletindo sobre a morte de sua esposa e seu filho bebê:
“Atordoado pela terrível perda, ao entrar neste campo de trabalho para o qual o Senhor mesmo evidentemente me trouxe, minha razão pareceu, por um momento, quase se entregar. Febre e calafrios, também, deitaram uma mão deprimente e enfraquecedora sobre mim, ressurgindo freqüentemente e atingindo às vezes o máximo de seus piores estágios. Mas eu nunca fui abandonado completamente. O Senhor que é sempre misericordioso me sustentou, para que eu sepultasse o precioso corpo do meus queridos na mesma sepultura tranqüila… Mas, se não fosse por Jesus e pela comunhão que ele me proporcionou ali, eu teria ficado louco e morrido ao lado daquela sepultura!”
Charles Spurgeon, escrevendo a seu filho e a sua nora a respeito da perda do filhinho (e neto dele):
“Meus queridos filhos,
Que o próprio Senhor os console. Quero consolar a mim mesmo. Pensar que aquela querida criaturinha foi tomada! Isso tem de ser certo! Tem de ser bom! Nosso Pai nunca se engana e nunca é cruel… Tenho certeza de que vocês acharão uma força secreta derramada em sua alma. Também nisso a fé terá a vitória.
Nunca esquecerei o dia… Para vocês, deve ser um golpe muito duro, mas o Senhor tem uma consolação poderosa.
Seu amoroso pai,
Charles H. Spurgeon”
3 Comentários para “Quando uma Criança Morre: Respostas da História da Igreja”
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Interessante que ao longo da História da Igreja os grandes homens da teologia e quase todos reformados de peso criam que essa esperança se deve à crença de que Deus os levaria para o Céu. E que as crianças mortas num condição de não responderem à fé habitarão com Ele.
Sugiro a leitura de Safe in the Arms of God: Truth from Heaven About the Death of a Child de John MacArthur Jr. Muito esclarecedora!
Spurgeon pregou sobre esse assunto algumas vezes: uma vez, ele disse
“Agora, eu ouço uma ou duas pessoas dizendo, “Você imagina então, que ninguém pode ser salvo separado de Cristo?” Eu respondo, eu não imagino, mas eu tenho aqui em meu texto claramente ensinado! “Bem mas,” diz um, “Em relação a morte de crianças? Não morrem as crianças sem um pecado real? Elas são salvas? E se são, como?” Eu respondo, elas são salvas, sem dúvidas – todas as crianças morrendo na infância são levadas para o Terceiro Céu de glória eternamente! Mas anote isso – nenhuma criança foi salva separada da morte de Cristo. Jesus Cristo comprou com seu sangue todos os que morreram na infância. Elas são todas regeneradas, não em pequena quantia, mas provavelmente no momento de suas mortes uma maravilhosa mudança passa por suas vidas pela respiração do Espírito Santo. O sangue de Jesus é aplicado, e eles são lavados de toda corrupção original que herdaram dos seus pais – e dessa forma, lavados e purificados, eles entram no reino dos Céus. De outra forma, amados, não estariam aptas a participar da canção eterna “Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados” (Ap 1.5c) Se as crianças não forem lavadas no sangue de Cristo, elas não podem participar da canção universal que perpetuamente circunda o Trono de Deus! Acreditamos que elas todas são salvas – cada uma delas sem exceção – mas não separadas do grande Sacrifício do Senhor Jesus Cristo.”
Alguns não concordam com essa ideia, mas a meu ver é consoladora em muitos caso e mais biblica do que uma suposta regeneração batismal
Abs
Armando
Concordo com Spurgeon e Armando. por certoessa questão não é tão facilmente resolvida como muitos pensam, mas à luz dos textos da Escritura, o ensino pregado por Spurgeon e Zuínglio é bíblico e confortado e satifaz mais do que a doutrina da regeneração batismal e da doutrina do mistério na salvação infantil proposta por Wayne Grudem.