Pecado – Palavrinha incômoda…
Por D. A. Carson
O texto abaixo foi extraído de um livro de D. A. Carson que será lançando em breve pela Editora Fiel: Escândalo, a morte e ressurreição de Jesus.
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“Vivemos numa época em que a única coisa errada é dizermos que o outro está errado.”
Pecado é geralmente uma palavra que causa risadinhas sarcásticas: você a pronuncia, e todos riem. Não há vergonha vinculada a ela. É tão difícil comunicar quão ofensivo o pecado é para Deus. Quando falo sobre o pecado, estou me intrometendo. Não estou falando sobre um grupo de idéias externas em que as pessoas podem crer ou não crer. Estou falando sobre algo que pessoas sentem que devem repudiar. Há tanto em nossa cultura que nos ensina que nós definimos nossos próprios pecados, individual ou socialmente (por exemplo, pertencemos a determinada comunidade que estabeleceu sua própria herança de coisas certas e erradas). Alguém vir e dizer-nos: “Isto é certo” ou: “Isto é errado” parece manipulação procedente de fora da comunidade, e as pessoas acham que essa atitude deixa de reconhecer as origens sociais de todas as construções do bem e do mal. Às vezes, tais pessoas se mostram tão indignadas com essa noção de pecado, que tenho de gastar muito tempo falando sobre ela!
3 Comentários para “Pecado – Palavrinha incômoda…”
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Que bom. Espero ter logo acesso a este livro. Obrigado, Editora FIEL.
O livro está previsto para ser lançado em Maio deste ano. Aproveite. É dos melhores de Carson em tempos recentes, com certeza.
Considero que falar de pecado na sociedade atual soa à caretice. Tenho feito a pergunta para mim mesmo, por que isso é tão real e verdadeiro, hoje? Creio haver algunas razões para esse fato: (1) na maioria das vezes, os cristãos (evangélicos em particular) não conseguem explicar o que é o pecado e o que é que ele representa no contexto da fé e da vida com Deus. Quase sempre fala-se do pecado como algo que “eu acho” que seja e não do que fala a Bíblia a respeito dele. Afirmamos que ela é a nossa regra de fé e prática, mas na hora de fazer afirmações quanto ao pecado nos esquecemos dela. A partir daí não conseguimos convencer ninguem do que seja o pecado, porque nós mesmos não sabemos. (2)hoje ser cristão, segundo a quase maioria esmagadora de igrejas chamadas evangélicas, não significa ter una nova relação com o pecado, a partir da nova relação com Deus por Cristo Jesus. As mensagens de salvação não proclamam a necessidade de arrependimento e nem abandono do pecado e nem sequer ele é citado como algo que se interpõe entre Deus e nós. Hoje não se proclama que Cristo morreu pelos nosso pecados, segundo a vontade do Pai. Fala-se de que Jesus quer nos dar uma vida melhor, vai dar solução aos nossos problemas familiares, nos facilitar emprego e sucesso na vida dos negócios (chamado de prosperidade), mas em nenhum momento fala-se de pecado e o abandono dele. Fui testemunha de um pastor dizer que não poderiamos falar de pecado para não escandalizar os que visitavam a igreja. Na maioria das igrejas que conheço no chamado ministério Encontro de Casais, não se pode falar em pecado e nem no sangue de Jesus. Querem que as pessoas que participam desses encontros se descubram cristãs sem o perceberem, ou seja sem saberem que são pecadoras e que Cristo teve de morrer para que seus pecados fossem perdoados. Isso significa não poder falar que o homem sem Deus está perdido, ou morto nos seus delitos e pecados. (3) na igreja de hoje o pecado não é tratado biblicamente, pelo seguinte: trata-se o pecado como um meio de se desfazer dos que não andam na “linha” e por isso se tem a sensação de que na igreja todo mundo é perfeito e não pecadores remidos em processo de santificação. Isso causa o seguinte problema, não se aplica o princípio bíblico ao pecador, mas uma série de “eu acho”, dependendo quem é o pecador. Outro problema verificado é o abandono a que é submetido o disciplinado. Muito raro restaurar-se a quem peca. Somos o único exército que costuma abandonar seus caidos. Não raro encontrar ex-crentes. Inclusive ex-pastores. Isso acaba por criar categoria de pecados à semelhança da igreja católica romana: os mortais e veniais. Pelos mortais o crente é definitivamente eliminado. Deixa de pertencer a categoria dos santos impecabeis. Quanto aos pecados veniais costumam ser deixados de lado por serem aqueles que todos cometem e ninguem é incomodado por eles. A afirmação é a seguinte “como todo mundo peca melhor não se incomodar por pouco”. A Bíblia continua a não ser consultada quanto ao procedimento em relação ao pecado, e nem mesmo quanto a compreensão que dele devemos ter e nem como lutar contra ele.