Cristianismo na Alemanha: desilusão ou esperança?

Cristianismo na Alemanha

Oferecemos aos leitores um panorama introdutório sobre a situação da igreja evangélica na Alemanha. Os autores do texto que são: Matias Heidmann, Bacharel em Teologia pelo Martin Bucer Seminar, na Alemanha, membro da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo, onde dirige um grupo de estudo bíblico nos lares; e Gutierres Fernandes Siqueira, Bacharel em Comunicação Social, membro da Assembleia de Deus no Jardim das Pedras, em São Paulo, editor do blog Teologia Pentecostal.

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Cristianismo na Alemanha: desilusão ou esperança?
Matias Heidmann e Gutierres Siqueira

O livro Schluss mit Lustig (Chega de diversão), do apresentador de televisão Peter Hahne, foi o “bestseller do ano” da lista dos livros de não-ficção mais vendidos da revista alemã Der Spiegel em 2005. A obra vendeu oitocentos mil exemplares na Alemanha. Ao invés de tratar temas como autoajuda, crise econômica ou outros, que tanto fazem sucesso em terras brasileiras, esse livro é uma crítica à alienação da sociedade alemã (“Spassgesellschaft”, isto é, a sociedade de entretenimento) de uma perspectiva cristã conservadora.

Peter Hahne não é apenas uma das estrelas da TV aberta alemã, moderando programas de cunho jornalístico, mas também um bem-sucedido escritor de livros que fazem apologia ao cristianismo bíblico. Hahne é luterano praticante e membro do conselho da “Evangelische Landeskirche” (igreja protestante alemã estatal, formada por igrejas luteranas e reformadas). Ele já vendeu mais de seis milhões de seus diversos livros e ainda é colunista do principal jornal popular da Alemanha, o Bild am Sonntag, na sua edição de domingo. Um dos seus artigos dominicais trouxe como título “A Bíblia é mais emocionante que um romance policial”. Segundo a Der Spiegel, “as pessoas leem Hahne, pois não entendem Ratzinger”.

O economista-chefe do Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha, Dr. Norbert Walter, católico praticante, exortou os alemães a seguirem uma ética e moral bíblica em suas vidas. “Devemos orar e trabalhar”, diz em desafio aos cristãos.  “A igreja representa apenas um cristianismo de cereal matutino e deveria voltar à prática do cristianismo bíblico”, disse o economista. O discurso pode ser visto na Katholische Nachrichten. Em um debate de televisão com a bispa luterana Margot Kässmann, foi o Dr. Norbert Walter que fez menção da importância da Bíblia para construção de uma sociedade sadia, cuja base é a família.

Em recente discurso perante a União Democrata-Cristã (Christlich-Demokratische Union, CDU), a chanceler Angela Merkel, filha de um pastor luterano na antiga República Democrática da Alemanha, falou aos membros do seu partido político: “Não temos muito Islã na Alemanha, temos pouco cristianismo. Temos poucas discussões sobre a visão cristã da humanidade”. Merkel ainda defendeu a liberdade religiosa como um valor universal, destacando que a Alemanha está inserida numa tradição judaico-cristã. Seu discurso foi acompanhado por aplausos entusiasmados.

A voz profética desses profissionais destacados, cristãos convictos, é ouvida na Alemanha por meio de publicações, congressos e dos meios de comunicação. Mas em um país onde até um jornal secular lamenta que o evangelho somente é pregado quando o “Weihnachts-Oratorium” (Oratório de Natal) de Johann Sebastian Bach é cantado, devemos perguntar: Qual é o papel da igreja evangélica na proclamação das verdades bíblicas na terra da Reforma Protestante?

A Alemanha é um país onde aproximadamente 85% da população considera-se cristã. Muitos são membros da “Evangelische Kirche” e da “Katholische Kirche” (igreja católica alemã). Ambas são estatais, sendo que pastores e padres são funcionários públicos e os cursos teológicos protestantes e católicos são oferecidos pelas grandes universidades alemãs. A forma de cristianismo é predominantemente nominal, com exceção de algumas iniciativas conservadoras, como o movimento pietista dentro das igrejas luteranas no sul do país. Entre as igrejas estatais há grupos que colocaram no estatuto de suas igrejas que querem pastores convertidos para a direção da comunidade. Ambas as igrejas lamentam o crescente número de pedidos de desligamento dos seus membros. Apesar de muitos professarem o cristianismo, esses mesmos acham que a igreja não é relevante. É a privatização da fé, resguardada na individualidade, sem manifestação social. Uma vez desligados da igreja, o ex-membro fica isento do imposto da igreja (“Kirchensteuer”).

Pouco notadas ainda pela população são as igrejas de denominações independentes, como Batistas, Pentecostais, Metodistas e Evangélicas Livres. É difícil fazer uma estimativa de quantos membros ativos essas igrejas possuem. Estima-se que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas na Alemanha consideram-se “evangelicais” (“Evanglikale”), sendo membros das denominações acima mencionadas ou de outros grupos independentes. Também é difícil mencionar o que cada grupo crê e faz. Destacamos então três grupos distintos:

• Igrejas russo-alemãs (“Russlanddeutsche Christen”, “Evangeliumsbaptisten”)
• Igrejas carismáticas e pentecostais
• Uma igreja independente/reformada em Hamburgo

Igrejas russo-alemãs (“Russlanddeutsche Christen”)
Quando a ditadura socialista no bloco leste europeu foi derrubada no final dos anos 1980, as fronteiras foram abertas e muitos emigraram para a Europa Ocidental. A Alemanha tem, desde então, recebido aproximadamente trezentos a quatrocentos mil cristãos “evangelicais” da antiga União Soviética. Muitos são descendentes de alemães e são chamados de “cristãos do Evangelho” (“Evangeliumschristen”) ou “batistas emigrantes” (“Aussiedlerbaptisten”), um termo, porém, bastante equivocado. Formaram igrejas independentes, no início culturalmente fechadas e bastante legalistas. Os grupos também são fechados em relação a igrejas denominacionais, estatais e principalmente pentecostais.

Aos poucos, a nova geração que cresceu na Alemanha foi tomando conta dessas igrejas e hoje muitas se destacam por um forte crescimento e ênfase no ensino bíblico. A maioria das igrejas mencionadas é conduzida por um corpo de presbíteros. Quase não há obreiros que são sustentados pelas igrejas, pois a maioria dos dirigentes são profissionais liberais. Impressionante é a formação teológica dos mesmos, que se dá em seminários noturnos ou nos finais de semana. Alguns dos pregadores leigos são bons conhecedores do grego e do hebraico.

Igrejas carismáticas e pentecostais
As igrejas pentecostais e carismáticas estão crescendo na Alemanha. Estão tomando o lugar de denominações mais tradicionais. Com seu culto mais espontâneo, música moderna e pregadores que falam a linguagem do povo, eles atraem principalmente jovens. Também muitos imigrantes cristãos da África e Ásia são pentecostais, contribuindo para o crescimento dessas igrejas.

A “Glaubensgemeinde” (Igreja da Fé) em Stuttgart, liderada por Peter Wenz, possui quatro mil frequentadores por fim de semana, sendo a primeira mega-igreja na secularizada Alemanha. Outras igrejas carismáticas de destaque são a “Elim” em Hamburgo, o “Christuszentrum” em Frankfurt e o “Missionwerk” em Karlsruhe. Também a denominação batista tem uma forte representação carismática ao lado das linhas tradicional e liberal.

Enquanto isso, na distante Nigéria, o incansável evangelista alemão Reinhard Bonnke prega o evangelho para uma audiência de um milhão de pessoas. “Africa shall be saved!” (“a África será salva”), diz o evangelista, falando inglês com forte sotaque alemão. Os cristãos africanos amam Reinhard Bonnke. Ele prega uma mensagem pentecostal clássica. Bonnke é considerado o Billy Graham alemão. Na África é conhecido pessoal de muitos líderes de nações e trabalha com as diversas denominações cristãs. Apesar de ter sua base em Frankfurt, Bonnke é conhecido e respeitado somente entre os carismáticos de sua própria nação.

Em meados dos anos 1990, Bonnke escreveu um pequeno livro evangelístico chamado Vom Minus zum Plus (Do menos para o mais) e enviou pelo correio a todos os lares na Alemanha. Esperava-se que muitos dos que receberam o livro procurariam uma igreja parceira do projeto. Infelizmente, o evento bem-intencionado foi pouco notado pelos alemães, que devem ter confundido o livro com a propaganda de uma seita e jogado diretamente no lixo.

Evangelizando na Alemanha
Mas cruzadas evangelísticas, como as de Bonnke na África, não são bem sucedidas na Alemanha. Acabam sendo frequentadas somente pelos crentes. Por esse motivo, o potencial da evangelização está na igreja local e na sua atuação. Enquanto que muitas igrejas preocupam-se em manter a tradição de seus cultos e cultivar a vida restrita na igreja, outras procuram formas novas e contextualizadas para alcançar o povo alemão.

Casas de chá cristãs, discotecas cristãs, worship nights (noites de louvor), comunidades alternativas para punks e metaleiros são algumas das variantes. As iniciativas são bem intencionadas, porém, no fervor evangelístico, o discipulado é negligenciado. Solteiros e jovens são atraídos por essas iniciativas, mas para garantir um futuro crescimento e a vida cristã de qualidade é necessário que os interessados sejam devidamente instruídos na doutrina básica da fé cristã.

Igrejas Luteranas, quando lideradas por pastores bíblicos conservadores, são um ótimo meio de alcançar a população, já que a igreja luterana faz parte da cultura alemã. Mas, infelizmente, são poucas as igrejas luteranas com pastores verdadeiramente convertidos.

À procura de modelos de igreja
Enquanto que o modelo de igreja em células do coreano Yonggi Cho era muito propagado nos anos 1980 como segredo para o crescimento da igreja, já nos anos 1990 uma onda de modelos americanos foi implantada pelas igrejas evangélicas independentes, desesperadas para alcançar maior impacto e significância na sociedade, onde ainda eram consideradas seitas fundamentalistas. Os modelos Willow Creek (Bill Hybels) e Saddleback (Rick Warren) foram copiados principalmente por igrejas batistas, algumas carismáticas e até algumas comunidades luteranas. Enquanto isso, pentecostais estavam fascinados com a tal benção de Toronto e o avivamento de Pensacola (Florida), perdendo o foco evangelístico em nome de um aparente modelo de avivamento bizarro, produzido por homens.

Uma igreja independente/reformada em Hamburgo
Infelizmente, os modelos importados não deram certo. Ao contrário, os modelos levaram a frustração e muitos líderes estavam no final totalmente esgotados. Hoje, muitas igrejas que sobreviveram as “ondas” estão buscando maneiras mais bíblicas para edificação da comunidade.

Enquanto que nos anos 1990 a maioria dos pentecostais estava sendo atraídos pelos novos (e bizarros) fenômenos norte-americanos, uma igreja pentecostal na cidade de Hamburgo começou a trilhar um caminho bem diferente. O pastor Wolfgang Wegert, reconhecido ministro pentecostal com pregação direta e cristocêntrica, teve uma crise profunda e estava a ponto de desistir do ministério tão bem sucedido. A sua igreja, Arche (a Arca) é uma das igrejas que mais crescem na secularizada cidade de Hamburgo. Mas a crise foi teológica, pois Wegert não quis entregar-se a esses movimentos que vem e vão. Ele queria ver uma mudança real e contínua na igreja, além de uma igreja forte na doutrina e no poder do Espírito Santo. Nesse momento de crise foi levado a ler o livro O Spurgeon esquecido, de Iain Murray (PES). Descobriu então não mais um modelo de igreja, mas uma parte da teologia que não conhecera antes. Um pastor pentecostal abraçou o calvinismo. Na igreja não aconteceram mudanças de liturgia ou estrutura, mas a pregação tornou-se reformada em seu conteúdo. Hoje a igreja faz contatos com calvinistas nos Estados Unidos, já que a fé reformada é pouco presente nas denominações evangélicas na Alemanha. Uma interessante entrevista com os Wegerts pode ser assistida em inglês no Youtube.

Quinze anos depois, a Arche é uma igreja reformada livre, bem estruturada, abrigando um campus do seminário reformado Martin Bucer Seminar, crescendo em número e usando a televisão como meio de propagar o evangelho e com trabalhos de ajuda humanitária em diversas nações do mundo, incluindo Brasil e Índia.

No final de 2010, Wolfgang Wegert passou a direção da igreja para o seu filho Christian Wegert, engenheiro por profissão e pastor por vocação, como seu pai. Christian foi formado pelo Pastors College da Sovereign Grace Ministries, em Gaithersburg, Maryland (EUA), e tem o desafio de consolidar o curso reformado da igreja e levar a mensagem da livre graça de Deus além das fronteiras da igreja.

Conclusão
A igreja na Alemanha ainda está viva. Diversas inciativas, mesmo que em estágio imaturo, são ferramentas que Deus está usando para alcançar a população. Profissionais destacados como Peter Hahne e Norbert Walter, mencionados no começo, são apenas dois exemplos de cristãos que têm acesso aos lares alemães. Há muitos políticos, artistas e cientistas que confessam publicamente o cristianismo bíblico.

O exemplo da igreja Arche serve para mostrar que os alemães estão famintos para receber a boa semente do evangelho. O problema é que a igreja alemã, pensando que tinha que adaptar sua mensagem ao Zeitgeist deixou de ser relevante. A Arche é uma prova que quando a igreja prega a Bíblia e suas verdades centrais torna-se uma igreja relevante. Que Deus conceda um avivamento verdadeiro e que muitos alemães encontrem novamente o caminho da vida.

25 Comentários para “Cristianismo na Alemanha: desilusão ou esperança?”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Vinha Fm, Hub Reformado Brasil. Hub Reformado Brasil said: BLOG FIEL: Cristianismo na Alemanha: desilusão ou esperança? http://bit.ly/f4pJ3O [...]

  2. Vitor Grando 21 Dezembro 2010 às 20:53 #

    Franklin,

    Não sabes como isso me alegra!

    Forte abraço,

    Vitor

  3. André Tadeu de Oliveira 22 Dezembro 2010 às 13:59 #

    Parabéns pelo texto, Gutierres. Mesmo não concordando com algumas idéias, é um ótimo espelho a respeito da situação eclesiástica na Alemanha.

    Entretanto, apenas gostaria de fazer uma ressalva. Não acredito que a fé reformada não tenha relevância na igreja evangélica alemã, como foi afirmado no texto.

    Historicamente, a Igreja Reformada é forte no sul do país e na região do Palatinado. Sem contar que o maior teólogo cristão ainda vivo é alemão e reformado; J. Moltmann.

    Pode-se dizer que a linha reformada evangelical ou fundamentalista não tenha influência na igreja protestante alemã, mas nunca afirmar que o calvinismo histórico não tenha relevância naquele país.

    Abraços

    André

  4. Alisson Kwiatkowski da Silva 22 Dezembro 2010 às 14:12 #

    Excelente texto informativo, parabéns aos autores.

    É muito bom saber que o cristianismo ainda está vivo na Alemanha. É lamentavel que os batistas lá, assim como cá, em sua maioria, estejam tão presos ao pragmatismo.

    Vale lembrar que o pioneiro dentro os batistas alemães, Johann Gerhard Oncken, era um firme defensor das doutrinas da graça. Ele juntamente com outros como o judeu-dinarmaquês (convertido) Julius Köbner foram intrumentos usados por Deus para plantar igrejas na Prússia, Dinamarca, Polônia, Austria, Holanda ( contadando Johannes Elias Feisser), Turquia, etc, países que já no séc. XIX eram grandemente influenciados pelo modernismo. Sevos de Deus que amavam o Seu Evangelho. Assim como os irmãos da Editora Fiel, pelo que eu muito agradeço a Deus por vocês.

    Para as convicções de reformadas de Oncken, ver a Confissão de Fé da igreja batista em Hamburgo do qual era pastor no grande clássico de McGlothlin, disponível em:

    http://www.archive.org/details/cu31924029452566

    Deus continue abençoar o ministério Fiel.

  5. Marcos Granconato 22 Dezembro 2010 às 14:41 #

    Tenho amigos crentes que pastoreiam na Alemanha e um irmão da nossa igreja é alemão, tendo chegado de lá recentemente. Fico feliz em ver que o Espírito Santo voltou a soprar com mais força por aqueles lados. Isso me encoraja muito.

  6. Juan de Paula 22 Dezembro 2010 às 16:41 #

    Lindo relato. Parabéns ao jovem Gutierres pela iniciativa inspiradora.

    Aqui no Brasil acontece o contrário: muita igreja e pouco cristianismo bíblico e relevante para a sociedade.

    Feliz natal.

  7. Matias Heidmann 22 Dezembro 2010 às 18:21 #

    Caro Alisson,
    muito bem lembrado o trabalho de Oncken em Hamburgo. Infelizmente sobrou pouco da teologia reformada na igreja batista em Hamburgo (eu morei lá 10 anos e não encontrei uma igreja batista de linha reformada, ao contrário, os batistas tiveram muitas disputas internas em relação a doutrinas bíblicas cardinais no seminário que estava estabelecido em Hamburgo e depois mudou para perto de Berlim).
    A igreja de Oncken é reconhecida como uma igreja que teve muita relevância para o movimento batista da Alemanha.
    A confissão de fé de Johann Gerhard Oncken em alemão pode ser encontrada no site http://www.bucer.de (MBS Texte 51.pdf “Glaubensbekenntnis der ev.-taufgesinnten Gemeinde in Hamburg”, no item “Ressourcen”->MBS Texte->Reformiertes Forum)
    Abraço,
    Matias

  8. Franklin Ferreira 22 Dezembro 2010 às 18:23 #

    Oi pessoal,

    Só um detalhe importante: o autor do texto é o Matias Heidmann e o Gutierres Siqueira fez alguns acréscimos e revisão.

    Obrigado pelos comentários!

  9. Márcio Rogério Bernardo 23 Dezembro 2010 às 10:13 #

    Um breve porém riquíssimo “spiegel” da atual sociedade alemâ como cristandade. Somos feitos conscientes de dias futuros que podem vir a ser reproduzidos em nossa nação, se nos portarmos ignorantes ou negligentes e não buscarmos através do Santo Espírito imprimirmos a marca de Cristo em sua igreja e no meio em que vivemos. O que nos cabe são sempre renovadas esperanças na ação oculta de DEUS no mundo inteiro. Parabéns aos autores. E, caro Pr. Franklin, muito obrigado por sua contribuição sempre tão relevante e instigante através desse “veículo”. O contato com suas palestras via conferência fiel, e seus textos muito me contribuíram e influenciaram a postura no ministério. Oro e desejo que o irmaõ tenha um abençoado período de festas e um ano novo produtivo. Abraço.

  10. Pastor Edson Sobreira Alves 23 Dezembro 2010 às 11:00 #

    Irmãos, Matias Heidmann, Gutierres e Franklin! Quero agradecer pelo panorama da posição da igreja de Cristo na Alemanha.
    Ficamos impressionados com a trajetória da igreja ao longo do tempo, vemos tudo se consolidando de acordo com os propósitos de Deus. Somos meros espectadores dos acontecimentos ou estamos inseridos na história fazendo a diferença na proclamação de um verdadeiro cristianismo? Somos instrumentos usados por Deus para proclamar e não devemos ficar calados, amarrados, estacionados, enquanto o evangelho está sendo diluído, dilacerado, acabado, quer seja na Alemanha, ou no Brasil. Devemos apoiar pessoas como Peter Hahne e Norbert Walter. Sabemos que a igreja estatal perde muito seu valor diante do povo, mas o que a faz fortalece-la é a pregação do verdadeiro evangelho bíblico, isso também vale para toda igreja independente do Estado.
    Pr. Edson Sobreira Alves
    Igreja Batista Regular Maranata- Crato – CE

  11. Franklin Ferreira 23 Dezembro 2010 às 11:14 #

    André, o texto em lugar algum afirmou que a fé reformada é irrelevante na Alemanha – não sei onde vc leu isso; mas o texto mostrou apenas que ela tem impacto limitado naquela sociedade. Agora, não dá prá classificar Jurgen Moltmann como “reformado”, na medida em que as posições teológicas de Moltmann são uma ruptura com a fé reformada clássica (como estabelecida nas Três Formas de Unidade ou na CFW) ou uma reinterpretação das mesmas (como em sua doutrina da eleição). Aliás, há no próprio teólogo alemão uma ruptura metodológica, o que se pode ver nas ênfases teológicas presentes por exemplo em “Teologia da Esperança” e “Trindade e o Reino de Deus”.

  12. Neander Kraul de Miranda Pinto 23 Dezembro 2010 às 13:45 #

    As informações do texto são animadoras e servem para relembrar que Deus sempre m,anterá um remanescente fiel e que, também, levanta “ministros e profetas” nos mais variados círculos.
    Bendito seja o Senhor.

    Neander

  13. André Tadeu de Oliveira 23 Dezembro 2010 às 14:05 #

    Caro pastor Franklin, boa tarde.

    Bem, acho que fui infeliz no uso do termo ” irrelevante”. A respeito de seu comentário, não concordo que Moltmann esteja fora da clássica tradição reformada. O teólogo de Hamburgo não pode ser considerado um reformado ortodoxo, mas tal posicionamento não o empurra para fora dessa tradição. Seria a mesma coisa que, usando por base os pensamentos teológicos do atual Papa Bento XVI, jogar para fora do catolicismo uma figura como João XXIII. Considero a fé reformada ampla, capaz de acomodar diferentes matizes. Mas, assumo, reflito a postura de minha denominação ( Presbiteriana Independente do Brasil ).

    Por fim, assim como Emile Léonard, grande historiador e reformado francês, não considero a CFW um documento calvinista autêntico, mas sim ” tardia e duvidosa” ( palavras do mesmo). Tal posição também é defendida por gente como Justo González, Kendall e etc..

    Rogo a Deus que a comissão criada pela AG da IPIB, promulgue, o mais breve possível, a nova confissão de fé, sepultando, de forma definitiva, este documento puritano em nosso seio.

    Um forte abraço
    Que Deus abençoe seu ministério

    André Tadeu de Oliveira

  14. Franklin Ferreira 23 Dezembro 2010 às 17:13 #

    André,

    Como vc mesmo reconhece, sua abertura reflete a posição da IPI. Mas a ‘tradição’ é maior que a denominação. Esta pode, inclusive, abandonar aquela. De qualquer forma, pode-se debater a descontinuidade de temas tais como a teologia das alianças, a distinção entre a fé salvadora e a segurança da salvação, alcance da expiação, etc., mas há elementos suficientes de continuidade na CFW que a inserem na tradição da reforma continental. Basta compará-la com as confissões Belga e Helvética, por exemplo, ou com o catecismo de Genebra.

    Agora, apelar para autoridade não ajuda muito, pois há muitos outros eruditos que afirmarão justamente o oposto destes.

    O problema de Moltmann – assim como com Brunner e Barth – é que ou eles romperam com elementos centrais da tradição reformada ou reinterpretaram esses temas, tais como Escritura, expiação, criação e eleição. Aliás, também o batismo, no que se refere a Barth. Então, num sentido estrito, estes escritores não podem ser considerados ‘reformados’, na acepção histórica da palavra.

    Por fim, não é um teólogo individual, por mais brilhante que seja, que determina o que é ‘ser reformado’ – mas o consenso doutrinal presente nas confissões de fé preparadas por essa mesma tradição.

    Abs
    Franklin

  15. André Tadeu de Oliveira 23 Dezembro 2010 às 20:47 #

    Caro Franklin, paz e bem.

    A respeito de seu último post abordando a não inclusão de teólogos como Barth, Brunner e Moltmann dentro da tradição reformada, gostaria de, respeitosamente, postar uma réplica posteriormente. Peço encarecidamente que me dê um tempinho, pois é Natal. Não acessarei a internet neste período.

    Agora, apenas gostaria de comentar algo; acredito que há uma ruptura ou reinterpretação dos teólogos citados nos seguintes temas alocados pelo irmão: expiação e eleição. Já no que se refere à autoridade das Escrituras e a doutrina da criação, sendo esta última estudada conforme a interpretação dos dois relatos contidos no livro de Gênesis, creio que eles estão muito próximos de Lutero, Calvino e os demais reformadores magistrais.

    Debateremos melhor estas questões na próxima semana. Que Deus te abençoe.

    Um Feliz Natal a Todos.

    André Tadeu de Oliveira

  16. Renato 24 Dezembro 2010 às 0:47 #

    Creio que a enfase de muitos pastores em “alcançar”, “ser relevante”, etc é um grave equívoco. Os cristãos precisam reencontrar a doutrina dos apóstolos e a genuína fé cristã. O resto é conseqüência. Quando a Igreja reencontrar o rumo, a pregação que alcança os pecadores se reestabelecerá. Até lá, só fogos de artifício e entusiasmo humano …

  17. Matias Heidmann 24 Dezembro 2010 às 9:23 #

    Caro Renato, as suas observações são importantes. A própria igreja na Alemanha, herdeira da reforma luterana, queria maior relevência na sociedade, afastando-se da simplicidade da fé biblica e abraçando o liberalismo. Invés de alcançar mais pessoas, acabaram ainda perdendo muitos que ainda frequentavam a igreja. O mesmo aconteceu com muitas igrejas que implantaram modelos de crescimento de igreja “made in U.S.A.” ou aderiram a movimentos de avivamentos “fake”.
    O último estado de muitas destas igrejas, até bem intencionadas, tornou-se pior do que o primeiro estado.
    A todos desejo um feliz Natal com a presença de Cristo nos corações!
    Abraço,
    Matias

  18. Ivan Fraga 31 Dezembro 2010 às 18:30 #

    Bem,

    Gostei do panorama da atual situação da Igreja cristã na Alemanha. Até pouco tempo imaginava que em países da Europa como Alemanha, por exemplo, não existia Igrejas cristãs não liberais. É bom saber que há também um bom número de cristãos não liberais na Alemanha que ainda crêem na Bíblia como ‘Palavra de Deus’.
    Recentemente tive a grata surpresa de saber que uma das minhas irmãs que reside em Genebra/Suiça havia se convertido ao evangelho. A Igreja que ela congrega é uma igreja cristã carismática fundada por cristãos evangélicos suiços e franceses.Pelo que vi, pelo menos a parte litúrgica se parece muito com a das igrejas neo-pentecostais brasileiras(Batista da Lagoinha, por exemplo).Entretanto, acredito que eles foram influenciados pelas igrejas carismáticas Americanas e mesmo Australianas – Eles cantam muitas musicas do Grupo musical Hilsong, por exemplo.
    Mas de qualquer forma fiquei surpreso porque, quando se falava no cristianismo Alemão ou Suíço, por exemplo, só me vinha a mente as teologias de teólogos como Bultmann, Barth, etc. Então pensei: é pouco provável que nestes países exista igrejas de uma linha, digamos, mais evangélica.
    Parece que me enganei.

    Abraços,

    Obs: segue o link da Igreja que eu comentei – ICF:

    http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=de&u=http://www.icf-geneve.ch/&ei=SjseTcGpJ4H88Ab99YGlDg&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CB4Q7gEwAA&prev=/search%3Fq%3DICF,%2Bgeneve%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divnsm

  19. Franklin Ferreira 1 Janeiro 2011 às 9:16 #

    Oi André
    Como estou entrando de férias, gostaria de responder sua última mensagem.

    Que bom que você reconhece que há uma reinterpretação/ruptura entre os teólogos contemporâneos e aqueles dentro da tradição reformada nas doutrinas da eleição e expiação. Moltmann é o exemplo óbvio aqui, como em O Deus crucificado, assim como Barth, em CD IV/1, etc. É importante salientar esse afastamento dos teólogos contemporâneos nesse ponto justamente porque estas são duas doutrinas centrais e definidoras a tradição reformada, como se pode ver nos Cânones de Dort.

    Barth, Brunner e os outros neo-ortodoxos também romperam com a tradição reformada no campo das doutrinas da Escritura e da criação. Os reformadores magistrais, como Lutero e Calvino, criam na inerrância e infalibilidade das Escrituras. Isso era óbvio e reconhecido pelos teólogos neo-ortodoxos, como Emil Brunner (cf. por exemplo Dogmática, vol. 1, p. 29-73, 142-150). Para estes, a Palavra não podia ser identificada com a Escritura, mas com Cristo – como se pode ver, temos aqui não apenas uma reinterpretação da doutrina reformada tradicional, mas uma ruptura. Aliás, Barth foi além de Brunner, afirmando que o conceito de inspiração verbal já estava presente no pensamento patrístico (na CD ele documentou, inclusive, as citações nas obras dos pais da igreja que corroboravam a inerrância da Bíblia). Na doutrina da criação, a ruptura é mais explícita, com Lutero e Calvino afirmando a noção da criação em seis dias literais (cf. por exemplo Institutas I.14.1-2). Enquanto isso, Barth, por exemplo, afirmava a idéia de que as narrativas da criação eram ‘sagas’ (CD II/1, III/1, etc.).

    Então, por mais brilhantes que os teólogos atuais sejam, mesmo aqueles criados dentro da tradição reformada (como Moltmann, que afirmou recentemente que ‘o protestantismo é apenas minha proveniência, o ecumenismo é meu futuro’), há uma ruptura e reinterpretação em cada doutrina central ao pensamento reformado clássico. Então, não!, eles não podem ser classificados como pertencentes à ‘tradição reformada’, definida que é pelas Três Formas de Unidade ou pela CFW.

    Abs e bom ano novo para vc!
    Franklin

  20. Eliel Leonardo 8 Abril 2011 às 18:30 #

    O artigo dá um ótimo panorama da situação atual da Alemanha.
    Tenho servido no sul e agora no norte desse país de tradição tão forte no cristianismo. Minha oração é que Deus levante outros trabalhadores para servir nessa nação que em termos de evangelho é “terceiro mundo”, palavras que eu ouvi de um pastor alemão ano passado.
    Muitas igrejas estão fechando mas, nós achamos que a Alemanha não precisa de Deus… penso que essa mentalidade que os países ricos não precisam de Deus tem impedido que muitos de nós nos importemos com eles.
    Na pequena Weener (15.000 hab.) onde tem uma igreja batista sem pastor há anos… e eles são por volta de 200. Eles não conseguem achar um pastor. Um dos problemas é que estão em Ostfriesland uma região remota da Alemanha divisa com a Holanda onde poucos obreiros estão dispostos a trabalhar. Tem igrejas fechando por falta principalmente de pastores.
    Contudo prefiro ter esperança, pois tenho visto tbm a graça de Deus em favor desse povo. Quem sabe Deus use muitos brasileiros para mandar embora a disilusão da vida de muitos alemães… esse é minha oração!
    Ao lado do Vencedor,
    Eliel

  21. ulisses 24 Maio 2011 às 23:50 #

    muito bom! eu fico aki pedindo confirmação a Deus se realmente devo abraçar a visão calvinista de uma vez por todas. acho que esse negócio funciona…

  22. Diego Leandro 30 Agosto 2011 às 9:20 #

    Não faço idéia de quanto tempo este artigo esteja disponível, mas hoje (30/08/2011) acabo de ler e glorifico a Deus pelo que faz naquele país. Tive experiência de provar deste mover divino em 2008 na “15th Baptist Youth World Conference” em Leipizig e no “TeenStreet” em Oldenburg; em 2009 no primeiro “Mission-Net” em Oldenburg; e frequentando a EFG-Kreuzkirche (Baptisten)em parte do tempo que estive lá, destacando a presença de jovens atuantes na GemeindeJugendWerk no norte do país. Aleluia! Orando pela realização do segundo Mission-Net (28/dez/11-02/jan/2012)

  23. Diego Leandro 30 Agosto 2011 às 9:40 #

    Depois de comentar é que via a data do post (dezembro 2010), volto então para citar o Salmo 24:
    1 DO Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.
    2 Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios.
    3 Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?
    4 Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
    5 Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.
    6 Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó. (Selá.)
    7 Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
    8 Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
    9 Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
    10 Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Selá.)

  24. zwinglio 18 Fevereiro 2012 às 12:11 #

    Parabéns aos autores do texto.

  25. Joel 25 Abril 2012 às 21:18 #

    o Sr. reside em Hamburgo? conheçes uma pessoa pelo nome de Burckard Schoen?
    Esta pessoa era ou é ligada a uma igreja batista de Hamburgo ou da região.
    Há muitos anos esteve no Brasil…


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