Nobreza perdida
Tiago Santos
Nas últimas décadas, essa mentalidade tem alcançado a igreja. Os valores cristãos, absolutos por definição, estão sendo devorados por essa forma de encarar as coisas. Assim, os púlpitos estão sendo esvaziados e não sobra espaço para se abordar temas considerados controversos e ultrapassados: pecado, inferno, evangelho, regeneração, ira de Deus, santidade, parecem temas que fazem parte de uma história remota e obscura da igreja cristã.
A agenda evangélica tem sido cada vez mais ocupada por assuntos do momento – via de regra, de cunho ecológico, social, ou, como alguns preferem, missional. Os proponentes desta nova agenda evangélica, articulistas, escritores, apóstolos e pastores, ao abandonarem a Escritura para lidar com as questões da vida e do momento, precisam cooptar com ideologias estranhas ao cristianismo, via de regra com viés político esquerdista e com as novas hermenêuticas que as filosofias pós-modernas têm proposto, oferecendo suas fórmulas como panacéia dos males mais profundos de que padece a humanidade – ignorando que a Queda e seus efeitos é que de fato causam a mais abissal miséria do homem.
Mas, uma das características mais marcantes dos proponentes desta nova agenda entre o povo evangélico, é a força de sua propaganda e a virulência de sua beligerância – intolerantes em nome da tolerância, não aceitam o contraditório e rejeitam o debate na arena bíblica. A defesa da fé é reputada como conduta reacionária fundamentalista, ao arrepio das Escrituras e de cartas bíblicas como a de Judas.
O politicamente correto em que vivemos, parece ser incompatível com a velha idéia de buscar a orientação da Escritura para “ver se as coisas são mesmo assim”.
Isso tudo se constitui num grande desafio para o cristão sincero hoje. Precisamos reaprender a pensar biblicamente e a submeter as questões mais complexas da vida ao crisol das Escrituras – no melhor espírito da nobreza bereana.
6 Comentários para “Nobreza perdida”
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Obrigada!
Amado irmão,
graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo.
Vivi durante um bom tempo dentro da Igreja romana. E li muita gente lá. Desde Bulltmam, os Boff, Asman, Croatto e etc…
E agora dentro de uma igreja que é reformada, ou eu vivo rodeado pelos mesmos que pregavam que Deus não exite, foi invenção de Moisés para uma revolução dos hapirus, ou caio num culto cheio de pessoas que não respeitam a Deus. Fico besta! Até mandam nele.
Esse negócio de núemro é um perigo.
Davi
Olá. Obrigado, Pr. Tiago, por este texto – lacônico, mas no ponto. Está difícil saber quem é do "caminho" hoje em dia. O povo evangélico parece não ter critério nenhum. O espírito bereano foi mesmo para as favas. Alias, a ignorância bíblica grassa por toda parte, mesmo em igrejas ditas históricas. Seu desafio final é fundamental e a igreja precisa sentir isso como parte vital de sua chamada.
R. Barbosa
Olá! Ótima meditação. Muito obrigado. Pensar em categorias bíblicas é fato raro hoje. O povo de Deus, os leitores deste blog, enfim, os crentes em geral, precisam tomar esta palavra com muita seriedade – pensar biblicamente em todas as situações da vida. —– D. José
Ótimo texto, irmão. Direto ao ponto. Às vezes, a situação é tão complicada que fico a pensar se haveremos de recuperar esta nobreza. Só pela graça mesmo.
Edno
Oi Tiago.
Estou terminando a leitura de um pequeno livro intitulado “Revolution in Word Missions” (K.P.Yohannan, Gospel for Asia Books) que, apezar de seu tom Pentecostal – o qual na verdade não me preocupa absolutamente, mas preocupa crentes tidos por “mais sofisticados” – faz um análize muito bom sobre as preocupações das igrejas atuais com missões de “justiça social e assistencialismo” e, com boas estatísticas, nos informa dos milhões de dólares empregados neste novo sistema de missões (… realmente, não tão novo que se diga!).
Bem, que nós, como crentes individualmente, como luzes e sal da terra, devemos preocupar-nos em envolver-nos com as carências da humanidade (talvês deveria dizer: do ser humano), não só do mundo lá fora, ou lá de longe, mas particularmente com aqueles que são “o nosso próximo” – os que pessoalmente encontramos no caminho, feridos, abandonados, necessitados de socorro. Outros, crentes com mais possibilidades e com maior alcance de influência (como cristãos que atuam em altos níveis governamentais etc.), encontrarão “seus próximos” em caminhos diferentes do crente comum como eu (como nós?). Que atender a necessidade das pessoas carentes é uma obrigação cristã, não temos dúvida. Veja-se, por exemplo (entre muitos outros) Tiago 1:27.
Creio que existem muitas organizações sociais preocupadas e envolvidas em programas de auxílio e socôrro (como o vimos recentemente com o terremoto em Haiti), que se denominam cristãs ou que levam o nome de denominações religiosas (muitas, evangélicas), que não são, em sí mesmas, organizações biblicamente cristãs. Têm seu valor, sem dúvida. Mas os nomes com os quais se identificam, têm o propósito de ganhar a simpatia das muitas igrejas genuinamente evangélicas que, visto não estarem elas mesmas envolvidas em missões verdadeiramente cristãs e evangélicas, e que, por si mesmas, não estão atendendo ao mandato do Senhor na chamada “Grande Comissão” (Mat. 28), desencargam suas consciências culpadas por distribuir dinheiro, mesmo que irresponsavelmente, para logo poderem orgulhosamente apresentar em seus relatórios anuais, os seus próprios “Orçamentos de Missões”. Mas isto não é nada mais que uma maneira de aliviar consciências culpadas. E eu pessoalmente creio que este é um dos problemas mais sérios de nossas Batistas Reformadas nos EE.UU. Estamos sobremaneira ocupados na propagação da “Fé Reformada” mas, MISSÕES? Parece não nos preocupar muito. Será que, incoscientemente nos temos tornado hiper-calvinistas? Na suposição de que aqueles “predestinados à vida”, de uma maneira ou de outra, serão salvos?
Dito isso, deixe-me aclarar-me, não quero dizer que as igrejas não devam ajudar missões de auxílio e alívio. Mas, quando num caso como de Haiti, as igrejas devem buscar primeiramente assistir os irmãos das igrejas de lá. Aqueles crentes que estão sofrendo adversidades. Não é natural que, nas emergências, primeiramente atendamos nossa própria família antes de socorrer o vizinho? Algumas igrejas Reformadas na República Dominicana, diga-se para crédito das mesmas, já estão, há muitos anos, envolvidas com os irmão Haitianos.
Roberto Freire.