Em Busca de uma Teologia da Estética!

Pr Luiz Sayão

A fé cristã teve uma trajetória traumática com as manifestações artísticas. Desde o início do cristianismo a relação entre fé e arte sempre foi de suspeita. Por que será que isso aconteceu? De onde veio essa ruptura? Tem explicação?

Os judeus e os primeiros cristãos sempre contemplaram as manifestações artísticas dos pagãos e dificilmente dissociavam uma coisa da outra. A arte dos egípcios, babilônios, filisteus, gregos e romanos estava repleta de idolatria e de imoralidade. Não é difícil entender a repulsa de judeus e cristãos a tais manifestações.

Além disso, foi o próprio Deus que proibiu a confecção de imagens de escultura (Êx 20.4-5) como objeto de culto. O mandamento foi levado a sério pelos judeus. Não temos quase nada de esculturas hebraicas dos tempos bíblicos. No cristianismo primitivo a tendência prosseguiu. Todos sabem que a controvérsia das imagens foi um dos principais problemas da história da igreja. Até hoje católicos e protestantes têm linhas demarcadas em torno da questão.

Na área da música, as coisas também foram complicadas. O Novo Testamento fala pouco de música cantada na igreja. A igreja cristã sempre temeu que a música se tornasse um ídolo que prejudicasse a adoração genuína. O canto gregoriano tornou-se um estilo musical que evitava os desvios da alma. O problema persistiu na época da Reforma. O zelo por uma espiritualidade genuína e o medo da idolatria muito limitaram a expressão estética. Instrumentos musicais foram vistos com desconfiança. Os calvinistas mais radicais mostraram essa ruptura. Houve até mesmo uma destruição em massa de órgãos na Escócia. Graças à tradição luterana alemã, a música protestante teve força cultural e depois foi exportada para outros ambientes. O fato é que essa tradição de reticência com a arte teve efeito no evangelicalismo anglo-saxão e chegou também ao Brasil.

Em terras brasileiras a arte entre evangélicos teve outro agravante. Como era proibido construir templos no início da história protestante, nossos templos pareciam “caixotes da fé”, com pouquíssima referência estética. Além disso, por sua identidade anti-católica, símbolos como a cruz entre outros também foram abolidos. Em resumo, nossa herança estética é mínima. Por que tão grande divórcio?

Antes de iniciarmos qualquer preteritoclastia, é preciso observar que o problema da ruptura com a arte surgiu da leitura da própria Bíblia.

Quando lemos a gênese da arte nas Escrituras, ficamos assustados. Tudo começa com a família de Caim. A arte começa num ambiente anti-Deus, com características más como independência de Deus, imoralidade e violência. O toque final da estética de Caim aparece na figura da Cidade, resumo daquela civilização anti-Deus:

19 Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada e a outra, Zilá. 20 Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. 21 O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. 22 Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá.23 Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. (Gn 4.19-23 – NVI)

Mas a pergunta que devemos fazer é: será que o início da estética compromete plenamente sua manifestação? O problema está na arte ou no coração do homem? Deus criou tudo bom e bonito (cf. o hebraico: Gn 1.31). Na verdade, Deus é o Senhor de toda arte! Ele é o Deus da estética. Por isso, vejamos outros enfoques estéticos nas Escrituras. Em Êxodo 31.1-7 (NVI), há um texto bíblico surpreendente:

1 Disse então o Senhor a Moisés: 2 “Eu escolhi Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística 4 para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze, 5 para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e executar todo tipo de obra artesanal. 6 Além disso, designei Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, para auxiliá-lo. Também capacitei todos os artesãos para que executem tudo o que lhe ordenei: 7 a Tenda do Encontro, a arca da aliança e a tampa que está sobre ela, e todos os outros utensílios da tenda…

Como pode o Deus que proibiu “fazer imagens de escultura” ordenar a confecção artística do tabernáculo (Êxodo 25 a 40), o que incluía a imagem de dois querubins! E o texto ainda diz que a capacidade de criar e expressar o Belo veio do Espírito de Deus! Começa aqui uma história de redenção da arte. Deus condenava a idolatria, mas nunca foi seu objetivo destruir a própria arte.

Prosseguindo pela Bíblia, vamos encontrar arquitetura e estética espacial no templo de Salomão, música muito elaborada nos Salmos e em outras partes, muita poesia cuidadosamente trabalhada em grande parte de toda a Bíblia. Há inclusive uma espécie de encenação dramática nos profetas (Ezequiel). Deus é o Senhor de toda arte!

Mesmo que a motivação de muitos cristãos tenha sido sincera, muito da teologia da estética presente na Bíblia não foi percebido por eles. Por isso, herdamos um cristianismo de expressão tão sisuda, e às vezes melancólica, que tem dificuldades de dialogar com a estética e com a cultura nacional contemporânea.

A questão é muito séria porque a arte tornou-se fundamental para a sociedade contemporânea. É o principal meio de veiculação de conteúdo. O pensador Francis Schaeffer criticou a atitude de afastar-se da arte comum do evangelicalismo americano no início do século 20. Isso foi mortal para a igreja, pois a música e as artes cênicas tornaram-se monopólio do pensamento secular. O conservadorismo entregou as novas formas de expressão ao mundo não cristão, facilitando a formação de uma geração secular e pagã! Por isso, a igreja precisa redescobrir o valor e o poder da arte. Mesmo que seu início na história bíblica seja maculado e que seu transcurso histórico esteja muito marcado pelo pecado, na Bíblia Deus redime a arte, para a sua honra e sua glória. Hoje, é possível vermos criações artísticas que surgiram longe dos arraiais da fé, serem usados por Deus para o benefício do reino. O que era para o mal, tornou-se bem! Deus dá um nó no Mal!

A vitória de Deus é extraordinária. Vale observar que o Apocalipse termina a Bíblia cheio de arte e cheio de muita música. Até a Cidade, símbolo da arte e do progresso do mal, é transformada em bênção (Ap 21.1-4). Que Deus use cada Bezalel e Aoliabe de hoje. Nunca a relevância do artista cristão foi tão importante na história!

23 Comentários para “Em Busca de uma Teologia da Estética!”

  1. Rodrigo Suhett 23 Outubro 2009 às 16:26 #

    Muito bom o post. Realmente ainda há muito preconceito nas igrejas quanto a manifestações artísticas, entretanto considero que as artes são ferramentas poderosíssimas para transmissão da palavra, sobretudo a evangelística.

    Trabalho com teatro e dança e tenho visto Deus tocar as pessoas que não seriam atraídas a ouvir uma mensagem tradicional, mas quando ouvem a música ou percebem alguém interpretando, aproximam-se e ouvem a Palavra.

    Fique na Paz!
    Rodrigo Suhett

  2. caioperes 23 Outubro 2009 às 16:45 #

    Talvez seja a hora de os cristãos também darem um nó no Mal. O problema é que, normalmente, quando os cristãos tentam dar esse nó ele é mal feito, é muito frouxo e se desata rapidamente.

    Ótimo texto professor, valeu.

  3. Carlos Roberto 24 Outubro 2009 às 21:06 #

    Esse blog tem um Q diferente de outros que já li,parabens.Muito relevante este assunto de estética.Quando leio sobre isso e outros assuntos por filosófos da atualidade,sempre sinto falta de que um teológo mencione em algum livro,artigo,ou na internet.Valeu Franklin.A proposito possuo sua e do Alan Myatt,Teologia Sistemática,estou na pg 587 ,num assunto, deveras relevante numa data tão hisórica quanto da comemoração do dia da Reforma que é a teologia crucis(fica a sugestão).Graça e Paz

  4. Tito 6 Novembro 2009 às 22:12 #

    Oi,boa noite!
    Este assunto é bom a gente falar. E creio que estamos no caminho redentivo das
    artes, pois com o comportamento ao longo da história,nós cristãos jogamos muita coisa boa fora,porque pensamos que era do diabo, e não é.Ainda hoje temos preconceitos contra quase tudo que o mundo secularizado usa em seu favor e nós ficamos ‘observando’. A música tem uma linguagem extraordinária e os cantores/artistas profissionais sabem usá-la com sabedoria.Não é a toa que Jesus disse que os do mundo são mais experts do que os filhos de Abrão.
    um abraço do tito – from brasília.

  5. Joelson Gomes 7 Novembro 2009 às 0:51 #

    Para notarmos a relação de Deus com a arte é só procurar quantos textos na Biblia são escritos em poesia ( a palavra com arte), e notar que quando Deus fala através dos profetas, as suas palavras vem em poesia. Deus é poeta.

    Joelson Gomes

  6. Ronaldo Rampaso 7 Novembro 2009 às 10:13 #

    Creio que artigos como esse podem gerar uma reflexão sobre a necessidade de encontrarmos ou re-encontrarmos, o verdadeiro sentido do Evangelho, na medida que através das Artes, encontramos a expressão da alma de quem um dia ousou um discurso além academia, além eclesiologia. O Evangelho que se manifesta na pecadora condenada, na doente que cria que bastava-lhe um toque na orla dos vestidos, do paralítico que esperava por aquilo que talvez nunca alcançaria no tanque de Besthesda, manifesta-se também na criação e compreensão da expressão artística como expressão da alma, ora cansada, ora conflitante, ora denunciante. O Evangelho é a arte de Deus expressa na tela de um mundo caótico, na construção de um busto invisível, criado para as boas obras, na restauração da pintura manchada e destruída pelo algoz maior. O Evangelho é o toque de primazia que, na mais cálida imagem de um amanhecer moribundo, é capaz de realçar a esperança que só a Graça pode trazer. É hora de resgatarmos a Arte de Deus.

  7. Anônimo 7 Novembro 2009 às 10:13 #

    Moro em uma cidade do interior do Rio Grande do Norte e a ‘arte’ por aqui é muito rala, não há uma mínima estrutura para que se discuta, se experimente ou se expresse arte, também pela falta de alguém que mostre alguns viés por onde a arte pode e deve passar. O que vemos em poucas dramatizações são repetições de arte vista nas novelas e programas de baixo teor artístico. A música que ouvimos em igrejas aqui é de uma expressão artística muito pobre. Os interprétes sem nenhum senso artístico, sem afinação executam essas ‘canções’ e quando tentamos onversar sobre o tema, os líderes (pastores) afirmam: “Estão fazendo para Deus!”. Será que deve ser assim???

  8. Raquel 7 Novembro 2009 às 10:17 #

    Alguns em nome de seus próprios preconceitos são verdadeiras muralhas obstruindo outros de verem a beleza de um Deus tão criativo, de um Deus fantástico.
    Prª. Raquel Evangelista

  9. Anônimo 7 Novembro 2009 às 11:51 #

    Alo irmãos,que a grça e apaz de nósso senhor jesus seja com todos,li e gostei do comentario , bem alicerçado nsa escrituras nósso Deus nunca foi contra arte, alias Ele é o supremo artista criador das mais belas obras, entretanto as dansas, canticos,tambores e businas que glorificavam o nome de nósso Deus,não entravam no tabernaculo, eram manifestções feitas fora do templo, por isto não acho apropiado durante um culto a Deus, não tenho nada contra as dansas ou bateria em acampamentos ou salões de festa.

  10. Rubens Pimpim 7 Novembro 2009 às 20:48 #

    Este é um texto complexo. Não porque trata de tema polêmico, mas porque é composto por diversos elementos, em diálogo com a Arte, e que produz muitas questões. Entre esses elementos pode-se destacar teologia bíblica, filosofia da arte, história do protestantismo, a relação cristianismo e cultura, etc.
    O professor Sayão tenta amalgamar este composto num slogan, dito duas vezes: – Deus é o Senhor de toda arte; a primeira em referência a Gn 1:31 e, a segunda, como apoio às atividades artísticas de Salomão.
    Mas, será que isso é verdade? Em Philosophy of Art, A Contemporary Introduction, 1999, Noël Carroll, que é professor de Filosofia da Arte na prestigiada CUNY, a City University of New York e já foi até presidente da Sociedade Americana de Estética, entre várias definições, diz que “x é uma obra de arte somente se x é sobre alguma coisa” (p. 26).
    O problema com essa teoria é que ela é aberta e pode sair dos limites da definição e assumir proporções subjetivistas não mais em nome da coisa representada, mas da arte de representar alguma coisa. Nessa direção, Carroll cita um nome muito apreciado nesse tipo de discussão no mundo da arte, Marcel Duchamp (1887-1968).
    Duchamp, um neorepresentacionalista da arte, tem em sua biografia, entre outras ousadias, uma obra chamada “A Fonte”, que era apenas um urinol. O questionamento de Carroll, em casos assim, é por que devemos considerar o urinol de Duchamp como obra de arte e outros urinóis de modo diferente (p. 27)?
    Do mesmo modo, por que devemos considerar as bailarinas do Faustão como provocações aos bons costumes e maus exemplos de conduta para as jovens crentes, mas vermos de modo diferente as dançarinas gospel, em grandes concentrações, sob o aparato de fortes luzes em transparentes vestes, representando desde os festins do bezerro de ouro até o bacanal de Belsazar?
    Carroll, o filósofo da arte, diz que a diferença entre um e outro está na representatividade, mas será que um pastor deve ser tão complacente? E quando a representação artística, ao invés de conduzir à adoração, atrapalha esta?
    Creio que seja o caso das imagens no Antigo Testamento. Sayão quase chega a insinuar uma contradição entre o mandamento proibindo e a existência de imagens no tabernáculo. O que ele não cita é que essa representação envolvia o reconhecimento da presença de Deus, algo conhecido entre o povo, diferente de hoje. Além disso, o povo, em geral, não tinha acesso àquelas imagens, exceto o sumo-sacerdote, diferente de hoje.
    Não creio que o problema da arte da igreja deva ser compartimentalizado entre conservadores e mentes-abertas, mas entre o que é arte boa e má. As músicas, as poesias, os sermões, as encenações, etc, têm sido medíocres, não podendo levar o selo de Bom. Falta mais estudo, aprofundamento, vontade e reconhecimento de que se alguém deve fazer arte para Deus, deve ser Arte maior, de qualidade inquestionável.
    Daí, conclui-se, que Deus não é Senhor de toda arte, pois é possível haver arte boa e má, uma contradição ao Deus que viu ser bom, tudo o que havia feito.

  11. Poesia de Graça 7 Novembro 2009 às 22:20 #

    Olá. Acho que o cristão aboliu a arte não só por seu início desastroso como foi mencionado no post, mas principalmente por falta de cultura. Gosta-se muito hoje do que a tv apresenta e leituras descompromissadas. Sou poeta e, entre os muitos textos que já escrevi recebo dezenas de elogio, mas há comentário do tipo “pastor e poesia não combina”. A esses pergunto: e os salmos? Não são poesia? e Jo. E Cantares?Não são estes livros poéticos? Pior é saber do desinteresse de editoras para publicar textos poéticos A alegação é que não é vendável. Mas, para se desenvolver gosto precisa-se pagar o preço primeiro. Tirar nosso povo do estado de falta de cultura é necessário. C.S Lewis, John Bunnyan e outros usaram bem a arte e ela serviu para exaltar Deus.
    Editoras, comecem a publicar poemas!

  12. valdir francisco brito 7 Novembro 2009 às 22:23 #

    muito bom este artigo,graças a Deus que, temos pessoas que são habilitadas pelo Espirito Santo, para estudarem a Biblia e assim escreverem bons artigos, para nós que estamos sempre em fase de crescimento( espiritual ) valdir Brito.

  13. Anônimo 9 Novembro 2009 às 10:22 #

    Sou professor de filosofia da universidade do estado de mato grosso e doutorando no prgrama de pós-graduação da universidade federal do rio grande do sul em porto alegre, para mim foi uma supresa encontrar algém nos arraiais evangélicos pensando a questão da estética. Gostei muito do artigo “em busca de uma teologia da estética. É um viés que tenho procurado trabalhar na filosofia é a estética, particularmente fundamentada no pensamento do filosófo francês Michel Foucalt. Eu, com minha “santa ignoráncia e arrogancia” pensava que os pastores evangélicos não estava enteressando em assuntos tão “mundanos” como este e outros. Penso que é um ponto interressante para começarmos um parlamento instigante entre as desgastadas “verdades” religiosas e a academia. Parabens pela iniciativa.

  14. Frank Oliveira 9 Novembro 2009 às 23:28 #

    Acredito que a expressão “muito bom!” é um excelente adjetivo ao artigo do pastor L. Sayão. Acredito também que as entrelinhas desse artigo vão muito além do apenas a música e o teatro como expressões artísticas, a própria arquitetura do templo, creio eu, está relacionada dentro de uma teologia estética. Pois já viram a arquitetura da maioria dos templos espalhados pelos rincões do nosso país?! Que Deus seja louvado pela arte, pela estética em nosso meio como expressão de adoração.
    Frank Oliveira
    Pastor

  15. Johnatn Lima 10 Novembro 2009 às 1:18 #

    A paz de Cristo! Primeiramente quero dizer que gostei muito do artigo. Contudo, a mim não ficou claro o tipo de arte que o autor quis enfatizar, se é que ele quis fazê-lo. Concordo com o autor sobre a autoria de Deus em relação a arte, afinal, Ele é o criador de todas as coisas (inclusive do mal, Is 45.7). Concordo também que a arte é uma “ferramenta” fantástica para o cumprimento da missão uma vez que, por meio dela, se pode alcançar e ser relvante à “tribos” distintas em uma sociedade pós-moderna cada vez mais cética quanto a existência da verdade absoluta, CRISTO. Concordo ainda com a leitura histórica feita pelo autor, quando este diagnosticou o radical (raiz) afastamento e desconfiança da igreja primitiva em relação a arte, entretanto, não vejo que ela se afastou da arte em si, mas evitou parte dela ao considerar que era ofensiva à Deus e ao cristianismo. Por falar em ofensa à Deus…! Quero me posicionar em favor do BOM uso da arte e em favor de seu uso NA igreja, pois desde a música e ornamentação, até a poesia e a própria pregação, fica claro algumas nuances artísticas e isto é muito bom. Agora! quando se pretende defender o uso da arte em nosso contexto, é quase um crime não lembrar do MAL uso dela, pois o que se percebe no contexto evangélico brasileiro é que a arte tem sido usada para a satisfação do ego de autores e ouvintes e não para a proclamação do evangelho. Além disso, arte no meio evangélico atual é sinônimo de mercado lucrativo, de disputa eclesiástica, de escândalo ao corpo de Cristo, estão confundindo o “fazer arte” com o “fazer bagunça”, eu pensava que só as crianças confundiam isto.
    O autor (Pr. Sayão), disse bem ao declarar que “a igreja precisa redescobrir o valor e o poder da arte”, precisa mesmo, urgente, agora, precisa inclusive de voltar a fazer arte pensando na glória de quem a criou, e não no cofre de quem a executa hoje, precisa fazer arte com o olhar em Cristo e não na platéia, precisa fazer arte pensando na salvação dos que a vê e aprecia, e não no reconhecimeto artístico e promoção da fama do próprio artísta. Preciso conluir, (MEU COMENTÁRIO TÁ FICANDO GRANDE, CORRO O RISCO DE NINGUÉM LÊ-LO), concluo lamentando o fato de o autor não ter sido específico em alguma área da arte para que eu comentasse de forma mais direta e confrontativa, na verdade essa não era sua proposta e, eu respeito. Fico por aqui, temo ter sido duro com irmãos que tanto amo, mas, entre eles e as Escrituras, fico com elas! (Johnatn Lima, Igreja Presbiteriana do Brasil, Goiânia-GO.

  16. Anônimo 13 Novembro 2009 às 8:21 #

    Tenho 4 comentários breves a fazer:
    1º- O artigo foi bem escrito, quero dizer, as palavras e o raciocínio, foram colocados onde devia. recomendo uma leitura acautelada.
    2º – Considero que em relação ao 1º texto bíblico, Deus queria vincar o facto de a arte é tão milenária quanto a humanidade.
    3º – Entendo que arte, no campo espiritual, deve ser desenvolvida por quem, como no caso de Bezalel e Aoliabe, é especialmente `dotado` espiritualmente. A Arte não é má em si; mas, parece-me que a ausência de um discernimento espiritual do artista, pode desvirtuar tudo (1Cor. 10.31).
    4º – Jesus apreciou a estética: falou dos lirios, mencionou a beleza do templo de Salomão; está registado que Ele cantou “um hino” com apóstolos…
    Um amigo de Maputo, Moçambique

  17. Filósofo Calvinista 16 Novembro 2009 às 2:48 #

    Arte é arte e teologia é teologia. É certo que os argumentos religiosos têm, como já disseram, de forma criminosa, jogado fora muita arte. A estética é um assunto muito relevante, não só para a filosofia, mas para a humanidade. Só devemos tomar o cuidado para não misturar as coisas. Deus pede para utilizar arte no culto? Dança? Em que parte. Tem muita gene exagerando….

  18. Tiago Dias 19 Novembro 2009 às 0:09 #

    Gostei muito desse post um tema que deveria ser mais discutido entre nós, falo isso como um jovem que tem visto uma enorme confusão e ignorância deste assunto por parte de outros jovens… Mas referente aos comentários do Sr. Rubens Pimpim, creio que aquilo que ele chama de Slogan “Deus é o Senhor de toda arte”, criado pelo Pr Sayão, na verdade é uma referência a uma frase reportada ao reformador João Calvino – “Todas as artes procedem de Deus e devem ser consideradas criações divinas”… Pr Franklin me corrija se estiver errado.
    Graça e paz,
    Tiago Dias

  19. João Duarte de Alencar 20 Novembro 2009 às 15:51 #

    Caros irmãos,
    Pretendo estudar mais sobre o assunto agora…
    A questão que me inquieta é: Se o Cristianismo surgiu em uma época em que a arte estava no seu auge, como herança dos gregos e aperfeiçoamento dos romanos, por que Cristo e os apóstolos não a usaram? Teria sido simplesmente porque a arte estava contaminada com a idolatria? e hoje, a arte está ilesa do mal? Creio que é importante usarmos alguns elementos da arte e desprezarmos outros! Aqueles que estão misturados com o mundo.
    Que Deus nos abençoe!

  20. Rev Carlos Henrique 21 Novembro 2009 às 6:56 #

    Gostei muito destes artigos publicados e com certeza é uma ferramenta a mais em nossa vida e um deleite, poder le-las Um forte abraço e muito obrigado pelo sempenho dos amados . Rev Carlos Henrique

  21. Luiz Sayão 26 Novembro 2009 às 17:30 #

    Deve-se esclarecer:

    Deus é o Senhor de toda arte, assim como é o Senhor de toda a história e de todo o universo.
    Isso não significa que Deus deve ser diretamente responsabilizado pelos crimes de guerra e pela arte de má qualidade.
    O intuito foi dizer que as formas de arte não são impuras per se, como se poderia pensar numa cosmovisão platônica, muito presente no imaginário evangélico.

    PR. Luiz Sayão

  22. Rubens Pimpim 12 Dezembro 2009 às 4:51 #

    Por platonismo quero entender que o professor Sayão referiu-se à visão que admite a existência de objetos abstratos, ideais, originais, que não podem, por isso, estar relacionados com outros objetos, suas cópias. Exemplo dessa conceituação é o VERMELHO, uma propriedade abstrata universal, mas que pode ser identificada quando está sobre objetos concretos particulares. Polêmicas a parte, quanto ao platonismo, nossa discussão volta-se agora à proposição “as formas de arte não impuras per se”. Como a estética na igreja se relaciona com tal significado? É possível separar arte em si e realização da arte, em especial no culto cristão?
    Quando se fala de execução de uma obra de arte (música, teatro, dança, recitação, etc), não se quer falar de coisas distintas, ou seja, da execução e da obra, mas de um exemplo da obra, porque a execução é um exemplo da obra (Peter Kivy, p. 93). Se há algum platonismo aqui, ainda que ocorra alguma distância entre obra e execução, não há disfunção entre os objetos. Além disso, não se pode deixar de observar que a execução de uma obra trás, em si, certas “propriedades” que não podem ser violadas, sob pena de tornar a obra ou irreconhecível, ou repulsiva por quem a conhece sem as agressões. Isso torna a obra e sua execução ainda mais conectadas entre si.
    São dessas propriedades que a discussão sobre estética na igreja deve se ocupar. É certo que qualquer modalidade de obra de arte seja executada na igreja, ou deve haver um “tipo” de arte apropriada à adoração coletiva? Não fugimos, aqui, de algum modo de platonismo, é verdade, se dissermos que a segunda alternativa é a correta. Contudo, é originalmente no platonismo que devemos encontrar a resposta para tal escolha, ou nos princípios do enorme aparato envolvido na adoração no Antigo Testamento, em especial no Êxodo e no Levítico?
    Creio que parte do problema que se vê na igreja, ao entendê-la como ou completamente desprovida, ou com pouca estética, não está nem na falta de definição de uma estética do cristianismo, nem na busca de uma estética contemporânea, mas nas bases para se julgar uma situação apropriadamente estética (J. O. Urmson, p. 75) para o culto.
    Estética está, de modo geral, ligada a satisfação, ao que agrada (idem, p. 76). Assim, podemos falar de estética tanto objetiva, como subjetivamente. E agora, a questão! Para quem o culto (todo o conjunto de adoração) deve ser artisticamente estético, para Deus, ou para os adoradores? As músicas, as danças, as apresentações, os sermões devem agradar a Deus, se é que deve haver arte com estética em um culto, do contrário torna-se, na melhor das situações, um espetáculo artisticamente estético e, na pior, uma cerimônia esteticamente idolátrica.
    Um passo além. Estética, quando levada ao culto cristão, não pode ser apenas adjetivo, algo agradável, tem que ser também substantivo, porque deve ter santidade. Assim, entende-se que a arte no culto cristão deve ser santa, de outro modo, é possível que haja forma de arte que não seja impura, mas que também não seja santa. Exemplo disso era a confecção das belas vestes que os sacerdotes deveriam usar. Não foram instituídas só por causa de algum senso estético, mas também para refletir e anunciar o caráter d’Aquele com quem o pecador deveria se encontrar, em especial na lâmina de ouro da coroa, onde se lia: – SANTO AO SENHOR (Êx 39:30).

    KIVY, Peter. Platonism in Music: A Kind of Defense, in Aesthetics and the Philosophy of Art: The Analytic Tradition: An Anthology. Oxford: Wiley-Blackwell, 2004.
    URMSON, J. O. What Makes a Situation Aesthetic?, idem.

  23. Elisfabio 25 Dezembro 2009 às 15:44 #

    A fala de Johnatn Lima foi espiritualemente precisa quando afirma que se deve "fazer arte pensando na glória de quem a criou, e não no cofre de quem a executa hoje, precisa fazer arte com o olhar em Cristo e não na platéia, precisa fazer arte pensando na salvação dos que a vê e aprecia, e não no reconhecimeto artístico e promoção da fama do próprio artísta".

    Se o Cristão pode recorrer à arte, que o faça para a Glória de Deus e não pelo louvor dos homens.


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