quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Questão de família: Uma Breve Exortação sobre a Unidade da Igreja

Por Tiago Santos
O assunto que trago aos prezados leitores neste texto é fruto duma mensagem que proferi na última conferência da CRBB (Comunhão Reformada Batista no Brasil). Na ocasião, introduzi a mensagem dizendo que o que desejava compartilhar naquela palavra era algo que julgava de grande importância e que, d’alguma maneira, parecia ser assunto muito mal tratado recentemente. Chamei de caso de família, porque a Escritura ensina que a igreja de Cristo é família de Deus e, visto que não poderia tratar do assunto de forma ampla, então pareceu-me adequado tão somente fazer uma breve exortação sobre o assunto.

Sigamos então: Ao dizer que desejo fazer uma exortação sobre a unidade cristã, não estou tentando advogar a união de todos os credos a qualquer custo, a fim de que, depois, desenvolvamos algum tipo de concórdia doutrinal. Isso não me parece possível e nem bíblico. Como dá para perceber, se olharmos ao nosso redor, vivemos em dias de Babel espiritual. A confusão e a balburdia se estabeleceram de vez. Como em Babel, todos querem chegar ao Céu. Fazem-no, porém, do seu jeito, não do jeito de Deus e o resultado é a confusão. São diversos os exemplos no campo eclesiástico e de ministérios para-eclesiásticos dessa confusão que tem se estabelecido. Basta refletirmos um instante sobre a realidade do movimento evangélico no Brasil e não será difícil associar muito do que temos visto e ouvido com a “Babel” a que me refiro. Temos visto várias tendências, das mais extravagantes e esdrúxulas tomando lugar nesses ministérios e, para nosso espanto, igrejas que se confessam evangélica. Mas, para não prosseguirmos num caminho extenso e espinhoso, podemos afirmar que essa “Babel evangélica”, se assim podemos chamá-la, tem como razão mais óbvia a total supressão da mensagem do Evangelho, ou sua deformação, ou subversão, ou adulteração, como queiram. Isso explica alguns fenômenos que estamos assistindo, estupefatos, em nosso país e em muitos outros lugares. Alguns desses ministérios, eu poderia arriscar, passaram de severa enfermidade para apostasia e, nesse caso, o que devemos fazer é pregar a Palavra da verdade e o Evangelho da salvação em Jesus Cristo e orar por sua conversão.

Minha preocupação, porém, é com a verdadeira igreja de Cristo. Aquela composta dos santos de Deus, que já experimentaram a palingenesis, o novo nascimento, a regeneração. Refiro-me àqueles que foram comprados pelo precioso sangue do Senhor Jesus Cristo; àqueles que manifestam e insondável sabedoria de Deus; sua “poilipoikilos” (multiforme sabedoria); o povo de Deus; os embaixadores do Reino do Senhor; aqueles que exalam o perfume de Cristo; os cristãos e discípulos; a família de Deus, a Igreja.

Ainda mais, impele-me tratar deste assunto o senso de que carecemos, com urgência imensa, firmar nossa identidade, enquanto servos de Jesus Cristo e povo dEle – O apóstolo Pedro identifica o povo de Deus como nação (etnia), o que remete nosso pensamento à identidade que há entre este povo – e, esta identidade deve ter sua base na unidade do Espírito, conforme veremos adiante.

Devo acrescentar que o momento que a comunidade cristã de confissão evangélica e histórica vive é único neste quesito. Parece que estamos vivenciando um momento singular na história do povo de confissão evangélica; e de tradição histórica – se é que isso não soa redundante. Não são poucas as constatações de como a igreja de Cristo neste país e neste mundo está fragmentada, pulverizada, enfim, dividida. A quantidade de denominações evangélicas em geral já dá uma indicação do que estou tentando dizer.

O Dr. Martyn Lloyd-Jones chamou a atenção para o problema da divisão na igreja de confissão evangélica em várias de suas pregações e escritos. Num certo lugar ele chegou a afirmar que “a divisão entre católicos e protestantes, estou pronto a defender com a morte; porém as outras divisões, estou pronto a asseverar, foram pecaminosas. Foram manifestações de cisma, e todos os que se envolveram nela foram culpados, e nós somos culpados, aos olhos de Deus”. Alguns dos textos mais persuasivos, penetrantes e perceptivos dele sobre este assunto já foram publicados em português, pela Editora PES, no livro “Os Puritanos – suas origens e seus sucessores”, onde, principalmente nos capítulos sobre John Owen e o cisma e no capítulo intitulado “Podemos aprender da história? ele lida com o problema da divisão; neste mesmo livro o capítulo sobre John Bunyan e a pregação é de grande ajuda, principalmente aos batistas.

Enfim, esta é uma questão que penso ser motivo de nossa mais séria reflexão. Então, pretendo usar um texto bíblico para refletir neste assunto da unidade da igreja:

Vamos considerar o texto de Efésios capítulo 4, versos de 1 a 6:

Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.


Antes de nos adentrarmos no texto, penso ser interessante lembrarmos alguns fatos acerca dos destinatários desta carta:
  1. O apóstolo Paulo havia passado 3 anos entre eles (como se vê nos Caps. 19 e 20 de Atos). Ali, naquela importante cidade, considerada a capital da Ásia, estabeleceu um dos mais importantes e frutíferos trabalho de formação de líderes e plantou igrejas. Tinha pelos efésios grande afeição, como podemos ver na oportunidade de sua despedida e orientações aos líderes que ficaram.

  2. Na oportunidade em que escreveu para eles, anos após haver partido, estava em prisão domiciliar, em Roma.

  3. Paulo dirige-se a uma igreja madura: “(...) que tinha fé no Senhor Jesus e amor entre os irmãos...” 1.15; note que ele não faz uma censura específica, como aconteceu, por exemplo, em sua carta aos gálatas e aos tessalonicenses.

  4. Por eles estava sempre em oração – menciona várias vezes: 1.16; 3.14.

  5. Escreve-lhes uma carta riquíssima em conteúdo doutrinário e apresenta-nos a Igreja – sua natureza e sua edificação; o antes e o depois da salvação; a vida no Espírito: admoestações práticas para o viver diário.
Mas o foco de nosso interesse está nesses 6 primeiros versículos do capítulo 4. Há pelo menos 6 pontos que podemos deduzir desta passagem, mas o seu foco, a sua mensagem, a preocupação do apóstolo Paulo é com a “preservação da unidade do Espírito no vínculo da paz”; podemos dizer que este é o verso central da passagem, sobre o qual orbitam todos os demais. Na primeira metade da passagem, vemos o apelo de Paulo pela unidade, e, na segunda metade, vemos a natureza desta unidade.

Adiante:

Verso 1: Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor a que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados.

É notável que antes de apresentar seu argumento aos efésios, no verso 4, o apóstolo inicia esta parte de sua carta com um apelo; com um pedido muito forte.

O apóstolo implora. Ele roga (pedir com insistência e humildade); uma das formas de tradução deste termo “rogo-vos” é: “falar, instruir, confortar, tudo indicando exortação, uma preocupação amorosa para que a pessoa não se desvie do caminho da virtude cristã.” Esse parece ser um procedimento comum do apóstolo Paulo. Sempre que ele sente a urgência do assunto que deseja introduzir, ele faz uso deste expediente de rogar aos irmãos; de implorar; de apelar à sensibilidade de seus leitores. Muitas vezes ele o faz usando uma alavanca, um argumento. Em Romanos 12, por exemplo, quando Paulo inicia a série de exortações até o capítulo 15 e o encerramento da epístola, ele diz: “Rogo-vos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor”. Ali ele usa a misericórdia de Deus como razão de ser ouvido em seus rogos, em seus apelos. Ao usar a misericórdia de Deus para ser atendido, ele esvazia-se a si mesmo; não se vale de sua autoridade apostólica para requerer um determinado comportamento dos santos; antes ele traz à memória dos romanos que eles foram alvos das misericórdias de Deus, que entregou seu próprio filho, o Senhor Jesus Cristo, para a salvação deles, deixando de aplicar a pena que lhes era merecida., concedendo-lhes gratuitamente a justiça de Cristo.

Bem, esse então é o apelo do apóstolo. E ele o faz, desta vez, evocando toda a explanação que ele fizera nos capítulos anteriores. Os três primeiros capítulos dão a tônica do assunto que ele quer tratar nesta parte de sua carta, a preservação da unidade no vínculo da paz. O advérbio de ligação, “pois”, dá-nos esta dica. É como se ele dissesse o seguinte:

“ Diante de tudo que lhes expus, diante da realidade de que fomos chamados em Cristo Jesus, por iniciativa de Deus, ou, usando a linguagem do próprio apóstolo, pelo beneplácito de sua santa vontade e conselho, que nos predestinou para salvação, desde tempos eternos, tanto judeus como gentios, para, com fé nos méritos de Cristo, formar um só povo, a igreja, que manifesta a grande pintura de Deus na história, sua multiforme sabedoria, [que noutro lugar ele chama de profundidade da riqueza tanto da sabedoria quanto do conhecimento de Deus], nós, que fomos assim chamados, devemos todos andar de modo digno desta vocação; deste chamamento. Agora que o chamamento foi exposto de forma tão clara e persuasiva nos três primeiros capítulos, é próprio, é adequado, é coerente, enfim, é digno, que vivamos em conformidade com esta realidade..

Este apelo do apóstolo então já estabelece um critério para a unidade. A base da unidade está neste ensino que ele desenvolveu até aqui, ou seja, somente aqueles que possuem tal vocação, aqueles que se enquadram na realidade “pintada” nos três primeiros capítulos e que foram chamados para uma santa vocação; aqueles que são a igreja de Cristo, que têm paz com Deus, que não têm mais inimizade com Deus, pois a parede de separação fora derrubada, enfim, estes tais é que devem preservar a unidade.O Dr. Lloyd-Jones, comentando esta passagem, diz que “não há unidade, não pode haver nenhuma unidade, sem a pessoa de Jesus Cristo, sem sua obra e sem a redenção que é pelo seu sangue. Isto é essencial à unidade na qual o Novo Testamento está interessado”.

Verso 2: com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.

O apóstolo então prossegue, no verso 2, qualificando a conduta dos cristãos; demonstrando que é necessário que, para mantermos a vocação a que fomos chamados, precisamos daqueles dons que o Espírito nos concede, a humildade, mansidão e longo ânimo. Afinal de contas, a vida na igreja não está desprovida de lutas e dificuldades.

Embora o apóstolo Paulo sempre se preocupe em estimular o desenvolvimento do fruto do Espírito na vida do cristão, é interessante que, das várias qualidades que o cristão deve ter, algumas delas está diretamente ligada à questão da unidade.

A humildade é colocada aqui logo após os cristãos serem lembrados que receberam vida quando estavam mortos em delitos e pecados. Não há mérito nosso; não nada de que possamos nos gloriar. Diante da imerecida graça de Deus, devemos nos humilhar. Além disso, conforme João Calvino coloca em seu comentário à epistola aos efésios, a humildade é a primeira virtude aqui porque sem ela é impossível atingirmos a unidade. Devemos ver a humildade não como se esta fora “ingenuidade” ou mera “simplicidade”, como muitas vezes temos a tendência de fazer. Aqui a humildade é o senso de que recebemos tudo pela graça e devemos nos portar desta mesma maneira diante de nossos irmãos. A humildade haverá de produzir um espírito dócil (manso); o Senhor Jesus era manso e humilde de coração (como vemos em Mt. 11). Isso não significa que ele era tímido ou que tolerava o erro e o pecado, mas significa que tinha compaixão e disposição para guiar os pequeninos; para pastorear as ovelhas aflitas e exaustas que não tinham pastor... O texto prossegue exortando-nos a termos longo ânimo; que devemos suportar com ânimo a contrariedade, e que devemos nos suportar uns aos outros em amor, isto é, movidos pelo amor, devemos servir de suporte aos nossos irmãos, ajudando-os e caminhando pacientemente com eles. Richard Baxter, ao aconselhar o pastor sobre sua conduta diante de questões que possam causar divisão ou confusão no ensino da igreja, recomenda o seguinte:

Dediquemos amor a todos e, especialmente, aos santos. Façamos o bem a quanto pudermos. Sejamos mais justos que os divisionistas, mais misericordiosos, mais humildes, mais mansos e mais pacientes (...) Sobrepujemo-los com uma vida santa, não prejudicial, reta, misericordiosa, frutífera – uma vida que reflita o céu – como fazemos com relação à nossa firmeza doutrinária. Sejamos conhecidos por estes frutos. Então os irmãos mais fracos poderão ver a verdade em nossas vidas, quando são incapazes de vê-la na doutrina. Como teria sido feliz a igreja se em vez de brigarem por causa de erros e cisões, os ministros do evangelho seguissem esse modo de agir. Ela teria muito mais poder” .

Verso 3: esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

Finalmente chegamos ao nosso versículo chave. Aqui está o centro da argumentação de Paulo neste trecho de sua carta.

Somos exortados aqui a nos esforçarmos grandemente para preservar a unidade do Espírito. O que podemos perceber a partir desta afirmação?
  1. a) A unidade já existe para todos aqueles que foram detalhadamente definidos nos primeiros capítulos. Ela já é uma realidade para a igreja; o povo de Deus; os salvos; os regenerados pelo Espírito; já há algo comum a todos estes: todos receberam a salvação pela graça. Foram vivificados pelo Espírito. Depositaram sua fé na pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. Creram no santo Evangelho. Essa é uma unidade que existe a partir da salvação recebida pela graça, ou, empregando um termo jurídico, é uma unidade ex post facto ( a partir do fato)

  1. b) Somos então exortados a preservar esta unidade. Este é o nosso dever. Por isso o apóstolo evoca a doutrina ensinada como base da unidade. Agora ela precisa ser preservada; sua ênfase é que a unidade que já existe entre o povo de Deus seja preservada; seja mantida; seja guardada. A palavra grega “tereo” É a mesma palavra usada em Mateus 27 para referir-se aos centuriões que “guardavam” o túmulo do Senhor Jesus. O apóstolo então nos exorta a nos empenharmos (spoudazo), ou seja, fazermos todo o esforço possível. Deixe-me ilustrar isso: Luiz de Camões, nos primeiros versos de seu poema, ao celebrar as conquistas de Vasco da Gama, diz o seguinte: “Em perigos e guerras esforçados / mais do que prometia a força humana / e entre gente remota edificaram / novo reino, que tanto sublimaram”. Devemos prezar tanto a unidade que foi promovida na cruz, devemos amá-la tanto, que faremos um esforço “acima do que promete a força humana” para preservá-la; para guardá-la.
  1. c) A unidade é do Espírito; ou seja, a fonte da unidade é o Espírito Santo. Isto significa muita coisa. O Espírito nos dá. Temos de cuidar para não perder. Se o Espírito é a fonte, nós somos quem devemos ser responsáveis quando não temos unidade; significa que não estamos fazendo um grande esforço para preservá-la, para guardá-la. Nós fomos trazidos a esta unidade por ação da graça soberana de Deus pelo seu Espírito. Precisamos de unidade espiritual. Temos de nos unir em torno dos dons que recebemos do Espírito Santo. Não podemos nos esquecer do preço que custou a conquista da nossa cidadania; somos concidadãos, membros da mesma família.
Bem, então, uma vez que tenhamos atentado para o chamado do apóstolo à unidade, ele passa a demonstrar a natureza desta unidade: É uma unidade trinitária. Note que o verso 4 fala do Espírito, o verso 5 fala de Deus o Filho e o verso 6 fala de Deus o Pai. Um Deus, três pessoas. Pessoas distintas, com funções distintas; mas essencialmente iguais; harmonicamente ligados; que mistério glorioso, diriam os nossos irmãos pentecostais!

No verso 4, lemos o seguinte: há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados a uma única esperança da vossa vocação.

A igreja de Cristo é uma só. Há um só corpo, que é unido pelo único e mesmo Espírito. O apóstolo Paulo já utilizou esta definição antes, o corpo, quando, quando morava em Éfeso e escreveu sua primeira carta aos coríntios. Lá, no capítulo 12, ele descreve a igreja como sendo um organismo (v.12, 13), formado por vários membros distintos (v.14, 20); e que todos os membros têm funções igualmente distintas (vs. 15-19) , porém vital, orgânica e harmonicamente ligado. Ser parte do corpo de Cristo nos torna a família de Deus (Ef. 2.19). Isto permite ao corpo crescer e se desenvolver – o apóstolo usa a figura do corpo para estabelecer o princípio de uma realidade superior, justamente por ser algo de simples e fácil compreensão. Embora no texto aos coríntios ele esteja se referindo às demandas da igreja local, o exemplo e princípio podem bem ser aplicados aqui também.

A unidade é uma condição fundamental para o crescimento e desenvolvimento do corpo de Cristo, de sua santa família. Em efésios 2.21 lemos o seguinte sobre o crescimento da igreja: “... na qual todo edifício, bem ajustado, cresce...” Interessante perceber que a condição para o crescimento é estar “bem ajustado” (synarmologeô) o significado deste termo, bem ajustado, pode ser traduzido também como ajuntar, que por definição, quer dizer: “junto, unido, coligado”, logo, podemos inferir que o apóstolo está nos dizendo que a Igreja, quando está bem unida, cresce (auxanô) ( e este é a mesma palavra que foi usada para falar do crescimento do menino Jesus em Lc. 1.80 e 2.40, isto é, desenvolvimento, “aumentar em volume, grandeza ou extensão e maturidade”). Fica claro então que a unidade é condição fundamental para o crescimento e o desenvolvimento do corpo.

Homens e mulheres livres, unidos no Espírito e unidos na esperança. Nosso chamamento das trevas para a Luz; da morte para a vida; da perdição para a salvação; da inimizade com Deus para sermos feitos membros de sua família e sermos chamados seus filhos. Nossa esperança é comum.

Verso 5: Um só Senhor, uma só fé e um só batismo.

Só há um mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus o homem. Há só um Senhor: Jesus Cristo. Ele é o alfa e o ômega. É a sumula de todas as coisas. É o autor e consumador de nossa fé. Sua obra é perfeita. Ele é o fundamento dos apóstolos; é a pedra angular. Há um só Senhor! . Há uma só fé e um só batismo, parecem estar necessáriamente ligados ao Senhor, portanto, um só Senhor, em quem depositamos a nossa fé [para a salvação] e em nome de quem somos batizados. No batismo somos unidos ao povo de Deus. Faz muito sentido colocar o batismo como vínculo da unidade.

Verso 6: Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.

Lemos o seguinte em 1 Pedro 3.18: Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelo injusto, para conduzir-vos a Deus”. John Piper proclama que Deus é o Evangelho. Ele é quem torna boas as boas novas; o evangelho não tem como alvo levar pessoas para o Céu, mas de levá-las à Deus, a fim de que possamos desfrutá-lo para sempre. Ele é o summum bonum; o bem supremo; a Ele seremos final e definitivamente unidos, em Cristo, pelo Espírito.

Mais uma vez vemos que a unidade só se aplica aos que podem ser chamados filhos de Deus. Você faz parte da família de Deus? Então deve viver em união com os demais filhos de Deus. Ele está em todos e age por meio de todos. Não podemos nos esquecer que estaremos na companhia dos santos de Deus por toda a eternidade. Não podemos nem devemos deixar o privilégio de iniciar esta união aqui, na terra, enquanto aguardamos o dia em que tudo será aperfeiçoado de uma vez e por todas.

Bem, diante do desafio lançado pelo apóstolo Paulo a que permaneçamos unidos, vejamos como podemos aplicar isso em nossas vidas:
  1. A unidade orbita em torno da doutrina, não em torno da comunhão. Ela pode não ser obtida isoladamente. Precisa girar em torno da realidade da salvação em Cristo Jesus; em torno do Evangelho. O mínimo irredutível será a regeneração e a fé no Evangelho – e tudo que isso implica. Devemos nos esforçar por mantê-la – pois temos a tendência natural à separação e cismas.

  2. O que temos feito para preservar a unidade do Espírito no vinculo da Paz? Como lidamos com divergências que surgem em nosso arraial? Agimos com humildade, mansidão e longanimidade, suportando-nos uns aos outros em amor? Ou em nome da causa do evangelho estamos construindo muros mais altos e alargando os abismos? Quão pacientes temos sido com aqueles que não chegaram no mesmo nível de entendimento acerca de doutrinas que amamos e prezamos tanto? Qual o limite para que desfrutemos comunhão com o povo de Deus? Estamos dispostos a caminhar com aqueles de que [muitas vezes com razão] divergimos? De onde viemos? Será que temos sido cismáticos, brigões e inflexíveis, nos isolando da comunidade genuinamente cristã porque não mantém as mesmas práticas que mantemos? Quantos obstáculos somos culpados de construir? Quantas desculpas e razões temos elaborado, para não nos associarmos a nossos irmãos em Cristo, com os quais haveremos de passar a eternidade? Nós devemos ser UNIDOS pela verdade.

  3. Não podemos ser tolerantes com o erro; com o falso ensino; com a falsa doutrina; com uma prática errática e inconstante; com o pecado. Estou propondo que procuremos suportar – servir de suporte – os que são de Cristo em amor. Isto serve para a igreja local e para a comunidade cristã, como um todo.

  4. Pensando no problema da divisão entre os evangélicos, o Dr. Martyn Lloyd-Jones utilizou uma fórmula de concórdia entre o povo de Deus que fora elaborada a pedido do parlamento inglês, liderado por Oliver Cromwell, em 1654, em que ele trata sobre a unidade da igreja. Essa fórmula, que reproduzo abaixo, era considerada o mínimo irredutível em termos de concórdia de fé, para aqueles irmãos. Qualquer coisa menos do que aqueles termos era considerado heresia, e não poderia ser tido como evangélico. É claro que aquela foi uma resposta adequada àqueles tempos, contexto e realidades. Hoje lidamos com outras questões que aqueles irmãos não lidavam. Meu ponto aqui é honrar e resgatar o senso de união que houve entre aqueles irmãos e o esforço que fizeram para preservar a unidade da igreja, ainda que nas coisas mais básicas. A pergunta que faço é quão dispostos estamos nós de nos “empenharmos diligentemente para preservarmos a unidade do Espírito no vínculo da paz?”

  5. Espero, no Senhor, que esta breve exortação ajude-nos a refletir a seriedade do assunto que falamos. Afinal, estamos tratando de assunto de família. Assim, para encerrar, valho-me da mente e pertinência de Calvino, citando um trecho de sua carta a Thomas Cranmer, em 1552:

“Sem dúvida, uma das maiores desgraças de nosso século é o fato de as igrejas estarem assim separadas uma das outras... e que a santa comunhão dos membros de Cristo, que muitos professam com a boca, seja buscada com sinceridade apenas por poucos... Segue-se daí que estando os membros assim dispersos, o corpo da igreja fica sangrando. Até onde dependa de mim, se é que posso ser de qualquer utilidade, eu não temeria cruzar até dez oceanos para este propósito, se necessário fosse.”.




Fórmula de concórdia:

  1. Que as Escrituras Sagradas são a regra do conhecimento de Deus e da vida vivida para Ele, e que todo aquele que nelas não crer, não poderá ser salvo.
  2. Que há um Deus, que é o Criador, o Governador e o Juiz do mundo, e que deve ser recebido pela fé, e todo e qualquer outro meio de conhecê-Lo é insuficiente.
  3. Que este Deus, que é o Criador, é eternamente distinto de todas as criaturas em Seu ser e em Sua graça.
  4. Que este Deus é um em três Pessoas ou subsistências.
  5. Que Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e o homem, sem o conhecimento de quem não há salvação.
  6. Que este Jesus Cristo é o verdadeiro Deus.
  7. Que este Jesus Cristo é também verdadeiro homem.
  8. Que este Jesus Cristo é Deus e homem em uma Pessoa.
  9. Que este Jesus Cristo é o nosso Redentor, quem, pagando um resgate pelos nossos pecados e levando-os sobre Si, satisfez a justiça divina quanto a eles.
  10. Que este mesmo Senhor Jesus Cristo é Aquele que foi crucificado em Jerusalém, ressuscitou e ascendeu ao céu.
  11. Que este mesmo Jesus Cristo, sendo o único Deus e homem em uma Pessoa, continua sendo para sempre uma Pessoa distinta de todos os santos e anjos, não obstante a união e comunhão deles com Ele.
  12. Que, por natureza, todos os homens estavam mortos em ofensas e pecados, e nenhum homem pode ser salvo, a menos que nasça de novo, arrependa-se e creia.
  13. Que somos justificados e salvos pela graça e pela fé em Jesus Cristo, e não pelas obras.
  14. Que continuar nalgum pecado conhecido, com base em seja qual for o pretexto ou princípio, é condenável.
  15. Que Deus deve ser cultuado de acordo com a Sua vontade, e todo aquele que abandonar ou desprezar todos os deveres do Seu culto não pode ser salvo.
  16. Que os mortos ressuscitarão, e que há um dia de juízo a que todos comparecerão, uns para irem para a vida eterna, e outros para a condenação eterna.
Composição: Dr. John Owen; Pr. Richard Baxter; Dr. Thomas Goodwin; Dr. Cheynel; Sr. Marshall; Sr. Reyner; Sr. Nye; Sr; Sydrach Simpson; Sr. Vines; Sr. Manton; Sr. Jacomb.

Para meditar mais profunda e apropriadamente no assunto, dentre os vários autores que tocam no tema, desejo recomendar aquele que julgo estar dentre as principais autoridades quando se fala em serviço cristão: o Dr. Martyn Lloyd-Jones. De sua vasta obra de ensino, destaco duas, que foram publicadas em português pela Editora PES, dirigida pelo Sr. Bill Barclay: Os Puritanos – suas origens e seus sucessores e Discernindo os Tempos.

20 Comentários:

Às 13 de agosto de 2009 23:20 , Anonymous Anônimo disse...

Tiago, boa noite!

Grato pelo envio dessa exposição sobre este tema de grande relevancia na vida da Igreja de Cristo!

Penso (de acordo contigo) que a unidade já foi estabelecida por meio do Senhor da Igreja. Não precisamos pedir por unidade!

Entretanto precisamos viver aquilo que foi estabelecido pelo Senhor da Igreja. Precisamos desenvolver apreço por irmãos que discordam daquilo que defendemos (mesmo que seja relevante para nossas convicções). Precisamos ser amáveis, generosos, bendizentes com estes irmãos.

No entando, começando por mim, devo admitir que naquilo que apoio conceitualmente, vejo culpa em minha própria prática. Reconheço que meu orgulho, quando estimulado pela controvérsia, auto-estimula-se no debate que não edifica. De fato sou culpado!

Que o reconhecimento de culpa, o poder da graça de Deus, a conformação com sua vontade expressa na Bíblia; possa transformar-me diáriamente, tornando-me instrumento para preservação da unidade na família de Deus.

"Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos (I Jo. 3:16 RA)" .

Fraternalmente em Cristo,

Donizetti

 
Às 14 de agosto de 2009 14:45 , Anonymous Anônimo disse...

Interessante: Os assuntos que nos dividem são tão periféricos e, conquanto importantes, parecem tão pálidos diante daqueles que deveriam ser a base de nossa unidade. Temos muito mais motivo para nos unirmos, em torno das douttrinas fundamentais da Palavra de Deus e, no entanto, fazemos o contrário, por conta de questões de somenos importância. Como diz o ditado: “No essencial, unidade; Nas coisas menores, liberdade; Em todas as coisas, o caridade”. R. Barbosa

 
Às 14 de agosto de 2009 17:42 , Anonymous Gisele Santos Ribeiro Novaes Pereira disse...

"A força que usamos para nos desunir deveria ser aplicada justamente para o contrário: para a finalidade de nos entranharmos uns nos outros e nos unirmos mais à Cristo"

 
Às 14 de agosto de 2009 17:58 , Anonymous Anônimo disse...

Ola meu amigo Tiago!
Muito boa a sua esplanação, principalemte pra mim que estou dando aula para os jovens de como "vencer o mundo", e tem citado muitos acontecimentos que tem entrado nas igrejas, mas sempre dizendo que temos que orar por estas igrejas e sondar os nossos corações porque é de la que surgem os maus designos.
E quando voce fala sobre a Babel que o meio evangelico tem se tornado, de fato é verdadeiro e uma pena eles não enchegarem que não estão caminhando rumo ao céu, mas no rumo de suas próprias cobiças e desejos.

Que o nosso GRANDE DEUS olhe por nós e nos ajude a procurarmos fazer aas coisas sempre na vontade de Deus e colocando não as nossas vontades, mas a vontade de Deus.

Um grande Abraços!


Deiverson de Araujo

 
Às 14 de agosto de 2009 18:35 , Anonymous João Eiró disse...

Caríssimo Tiago, faço algumas considerações:
A denominação dessa confraria (CRBB) já aumenta o abismo e levanta o muro significativamente, certamente sem diretamente desejá-lo. O adjetivo, redescoberto recentemente, tem causado muitos problemas e concretamente produzido cismas entre irmãos queridos. Mutatis mutandis, há uma febre semelhante aquela que experimentamos em tempos idos, quando a etiqueta de superioridade espiritual era o adjetivo renovado. Essa adjetivação excessiva (em alguns textos curtos de convite para conferências dessa natureza observa-se mais de dez vezes o uso do termo - um exagero) tem se mostrado como um modismo recorrente, prejudicial e perigoso. Essa superênfase através de uma terminologia importada (No contexto brasileiro, quem são os evangelicais? Falar de evangelicalismo parece um inconformismo desconcertante diante das diferenças históricas dentro do protestantismo brasileiro em relação ao americano ou inglês)presta um deserviço à causa calvinista. Sabe o que vai acontecer se isso contunuar assim? Aqueles que já não tinham muita simpatia pelo calvinismo (nego-me a usar o outro adjetivo da moda, de propósito)vão, com justa razão, regogitá-lo com todas as suas forças. Por perigoso, antecipo a tragédia de alguns paladinos da são doutrina chegarem à conclusão de que suas igrejas locais não estão tão purificadas (novamente evito o adjetivo contrangedor)como deveriam. Como ilustração disso, posso mencionar a história do presbítero que saiu na sua fúria derrubando os flanelógrafos na sua igreja, diante das crianças assustadas, num suposto combate veemente à idolatria. Há tantas histórias semelhantes, de soberba espiritual e que redundaram em cismas, geralmente protagonizados por pessoas que acabaram de ler dois ou três livros antigos e não possuem nehuma formação teológica sólida.
Não estou em conflito com a teologia. Sou presbiteriano, faço parte de um presbitério doutrinariamente firme e exerço o ministério já por vinte e cinco anos. Dou aula em dois Institutos Bíblicos e não faço corpo mole. Mas, fico triste e preocupado quando vejo esse ranço aumentando. A título de observação, congratulo-me com a revista "Fé para hoje",a qual nas últimas edições retirou o adjetivo segregacionista na sua própria apresentação na primeira contracapa. Lembro-me de participar de várias conferências para pastores e não havia essa adjetivação desnecessária.
Que o Senhor da Igreja nos dê sabedoria para pregarmos com convicção as insondáveis riquezas de Cristo sem a necessidade de pendurar no Evangelho adjetivos dispensáveis e fomentadores de divisão.
Um grande abraço,
João Eiró

 
Às 14 de agosto de 2009 18:51 , Anonymous marcos ocanha disse...

olá Tiago, gostei muito da iniciativa de falar sobre este assunto. Eu crio que está havendo um processo de degeneração doutrinária em andamento no contexto evangélico brasileiro. pois a medida que há uma pulverização dos conceitos teológicos, os fundamentos doutrinários não só são fragmentados como superficializados. no final das contas a igreja será una, porem alinhada com a superficialidade e a heresia. livros como "a cabana" "porque você não quer mais ir a igreja" etc. que promovem a religiosidade a partir de suas proprias descobertas de Deus, querem tirar toda a autoridade de conceitos doutrinários fortemente arraigasos na tradição historica da igreja.
eu não creio numa unidade da igreja em temos denominacionais, e o relacionamento e convivencia com os de pensamento divergentes só pode ser mantido pelos que tem forte convicção de seus proprios fundamentos.

 
Às 14 de agosto de 2009 21:37 , Anonymous Wladimir Nascimento disse...

Moro numa cidade do interior da Bahia, e trabalhando de moto como carteiro identifiquei 3 templos sendo construídos num raio de 400m, todos de grupos dissidentes.
Vinte anos atrás eram 3! Fico em dúvida em saber se o Evangelho mudou ou a ação marqueteira e aperfeiçoou.
A verdade é que aqui a credibilidade de evangélicos é baixa!
Mas me alegro em saber que existem pessoas que se identificam com o Evangelho e façamos mesmo que seja difícil em nosso tempo a proclamação da Palavra de Deus como única regra de fé e prática.
Deus continue te abençoando meu irmão!
Em Cristo Jesus,

Wladimir Nascimento

 
Às 15 de agosto de 2009 02:23 , Anonymous Anônimo disse...

A paz do Senhor!
A pouco tempo descobri a editora fiel, e o site da fiel tem sido fonte de bençãos para mim, através da leitura dos artigos, dos livros e das conferências!
Hoje recebi a dica sobre o blog fiel, o qual vi que tem bastante material, ao qual irei ler com afinco!
Mas o motivo principal deste post, é um pedido de ajuda para encontrar um determinado material especifico.
A uma semana, quando participava de um curso em minha igreja fui pego de surpresa com um material do curso de libertação e intercessão, nesse dia estudavamos a situação do corpo, alma e espirito (argumento tricotomista) quando do novo nascimento, e que foi passado foi o seguinte:
1 - Com relação ao corpo - Após o novo nascimento, se a pessoa tinha enfermidades, essas permanecem - Concordo;
2 - Com relação a alma (sentimentos, desejos e decisões) - Após o novo nascimento, se a pessoa tinha traumas, esses permanecem - Tenho dúvidas, principalmente com relação a cura interior;
3 - O ponto de discordância - Com relação ao espirito - Após o novo nascimento, se a pessoa tinha demônios, os mesmos permanecem em áreas do espirito regenerado, pois segundo alegam eles tem legalidade para ali permanecerem, saindo apenas caso sejam explicitamente expulsos. Não consigo concordar, em que um cristão regenerado (conversão verdadeira), possa ter em seu espirito, demônios, ou seja, que o novo homem, o homem interior, nascido de Deus, possa nascer com sujeira(demônios) nele.
E desde então estou procurando estudar esse assunto(novo nascimento) e percebi que a dimensão dele é muito maior e mais complexo do que imaginei, por isso estou a procura de indicação de bons livros que tratem sobre o mesmo, pois hoje pelo que percebo, na igreja evangélica brasileira, de um modo geral, a questão do novo nascimento e a verdadeira regeneração não tem tido a importância devida, e o que mais temos vidas são pessoas que pelo simples fato de não demonstrarem uma animozidade para com o Senhor Jesus, sejam considerados cristãos autênticos, mesmo sem demonstrar em suas vidas frutos de arrependimento, mudança de caratér e demonstração dos frutos do Espirito e amor pelo Reino de Deus.

Me desculpe por mandar este post sem ter relação com o ótimo artigo que escrevestes, é que preciso de ajuda com o tema citado o mais urgente possível, pois sou diácono em minha igreja e líder de célula, sou apaixonado pela palavra de Deus, acho a palavra de Deus o que há de mais belo e temo pregar ou ensinar ou crer em coisas que não condizam com a verdadeira palavra de Deus.

Obrigado

Marcos

 
Às 15 de agosto de 2009 10:48 , Anonymous Anônimo disse...

Muito interessante a explanacao. Referido estudo deveria ser ensinado todos os dias (digo todos os dias) aos lideres (pastores, presidentes, superintendentes, etc), pois a divisao tem inicio entre eles e por eles, que conhecem (ou deveriam conhecer a Palavra)e refletem nos demais com a procura de adeptos a sua forma de pensar e agir. Os membros refletem as atitudes de seus lideres.
Parabens pelo estudo. Tomara que os que dele tomarem conhecimento deixem que desça ao coracao.

 
Às 15 de agosto de 2009 17:48 , Anonymous Anônimo disse...

Olá Tiago!

Pela paixão com que você toca no assunto, vejo que isso esse tema é muito importante para você, tanto que as vezes faltam palavras para descreve-lo, as quais somente o íntimo para entender.Falo assim porque esse assunto também incomoda-me. Realmente estamos em um tempo que cada um quer ter sua própria religião e suas doutrinas particulares. Por um lado, temos visto muitas defesas de teses com alta erudição e por outro uma liberaldiade que aceita qualquer palavra que se diga em nome de Deus. Há os que defendem suas denominações com unhas e dentes, como se somente eles entrarão no céu, e outros aceitam todos os movimentos ditos cristãos. Há os que defendem a igreja organizada, há os que entendem que ela não deve ser uma instituição, sendo mais informais. Para onde ir então? Temos que ir para Cristo. Nele temos unidade. Precisamos de humildade para assentar aos seus pés e ouvir diretamente do Senhor, pelo seu Espírito a sua palavra, que é única e não muda. O que temos hoje é uma defesa de opiniões com base nas raízes que cada um recebeu de sua denominação - daí as divisões. Estamos com as mentes cheias dos argumentos denominacionais e não do puro evangelho. Cada um defende seus credos de acordo com a sua ramificação, sem questionar sua origem. Há muitos que receberam de alguns cabeças que não o Senhor da igreja, e pensam de acordo com eles e não de acordo com o Cabeça da Igreja - daí não há unidade. A unidade é todos ouvindo e praticando a palavra como dita pelo Senhor da igreja. Quando ouvimos na fonte, ouvimos as mesmas palavras, não havendo assim divisão, pois o Senhor tem somente UMA palavra para todos os seus e não uma para cada denominação. Se há divergências, é porque estão ouvindo outra palavra. Se há disputas, é por seus interesses. Temos que subir mais alto e olhar por cima de toda essa confusão doutrinária. Quando fazemos assim, encontramos outros que também estão lá, que já entenderam que o Senhor sempre tem os seus, que já nasceram de novo, que vivem a vida do Senhor, que não se dividem com aqueles que são seus iguais. Um lugar tão alto que não existe ramo denominacional, mas somente a igreja de Cristo, os seus santos que foram comprados por seu sangue. Tenho entendido que quanto mais alguém se afunda em defender seus movimentos, mais legalista e isolado fica. Mas também entendo que aqueles que abrem para tudo, também perecem pela falta de prudência e ignorância. Prescisamos andar na centralidade do evangelho, que é absoluta na mensagem, cheia de amor e paciecia para ganhar os que ainda não entenderam, e que sabe rejeitar os apóstatas. Por outro lado,deixando um pouco o aspecto doutrinário, o que causa também divisão são líderes que querem dominar o rebanho. Presisamos identificar os movimentos e os líderes que somente querem ganhar dinheiro com o evangelho. Como são muitos os que exploram a fé das pessoas, aqueles que em nome de Deus e de forma sutil buscam somente o seu sustento da gordura das contribuições dos simples irmãos. Querem defender suas instituições pois são fonte de lucro para os seus interesses. Formam uma legião de seguidores da denominação e não de Cristo. Não cedem em suas posições pois tem medo de perderem os seus fiéis que estão sob o jugo dessa ou daquela corrente dita evangélica. Mesmo vendo o erro, preferem permanecer para não confrontar e perder suas posições nos escalões eclesiásticos. Não causa isso divisão? Os líderes com poder de erudição não convencem muitos a os seguirem? Isso divide o corpo, pois separam ovelhas exclusivamente para eles, não permitindo que elas seja levadas a outros pastos, onde há outros irmãos que estão comendo um alimento superior. Elas são reféns deles. Pobres ovelhas, quando o pasto seca, para onde vão? Não sabem para onde ir, pois não conhecem outros currais. Irmão Tiago. Esse assunto é extenso. Que Deus nos de a compreensão de vivermos acima de toda essa babel, onde os santos do senhor se encontram sem divisões.

Saudações em Cristo


Presbítero Abrahão de Melo
abrmelo@gmail.com

 
Às 15 de agosto de 2009 22:41 , Anonymous neuda disse...

“Rogo-vos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor”. Ali ele usa a misericórdia de Deus como razão de ser ouvido em seus rogos, em seus apelos. Ao usar a misericórdia de Deus para ser atendido, ele esvazia-se a si mesmo; não se vale de sua autoridade apostólica para requerer um determinado comportamento dos santos; antes ele traz à memória dos romanos que eles foram alvos das misericórdias de Deus, que entregou seu próprio filho, o Senhor Jesus Cristo, para a salvação deles, deixando de aplicar a pena que lhes era merecida., concedendo-lhes gratuitamente a justiça de Cristo."
AMEI DEMAIS ESTE TRECHO. OS ATUAIS DITOS 'APÓSTOLOS' DEVERIAM LER ISTO!

 
Às 17 de agosto de 2009 15:11 , Anonymous Anônimo disse...

Boa tarde Tiago!
Obrigado pelo texto edificante e pertinente.
Foi uma exposição bíblica bem fundamentada e clara.
Pergunto no entanto. Como podemos mostrar esta unidade na prática, principalmente em se tratando de Igrejas históricas, para facilitar a aplicação?.
Creio que é necessário entrar neste assunto de forma prática pois ainda somos muito sensíveis em questões de unidade e comunhão extra denominacional.
O que podemos considerar questões 'essensicais' e questões 'periféricas' em questões inter-denominacionais hoje?

No amor de Cristo
Pr Públio Ronaldo Fonseca
Ipatinga MG

 
Às 18 de agosto de 2009 08:54 , Anonymous Anônimo disse...

Bom dia Tiago!
Tratar de assunto como este, eu chamo de desafio, parabéns pelo texto, estou somando contigo.
Entendo que é muito importante sabermos a fé que confessamos, o amadurecimento cristão vem quando defendemos o que cremos,principalmente no âmbito das escrituras, sei que difilculdades existem em todos os seguimentos, o da Palavra não seria diferente, mas é necessário lutar para obter vitórias.
Abraços
Em Cristo esperança nossa
Pr. Antonio Roberto Lyra
Barão de Juparanã/Valença - RJ

 
Às 18 de agosto de 2009 14:06 , Anonymous Anônimo disse...

Prezados Donizetti, R. Barbosa e Deiverson: Obrigado pelo encorajamento e por sua participação. Que Deus os abençoe. Tiago

 
Às 18 de agosto de 2009 14:20 , Anonymous Anônimo disse...

Pois é Gisele, visto que a base de nossa união em Cristo já é algo estabelecido por Ele mesmo, na Cruz, deveríamos nós, doutro lado, estar dispostos a "cruzar até 10 oceanos" se preciso fosse, para tornar o corpo de Cristo mais unido.

Neuda: Você está certa. Mas não dá para esperar uma postura assim de apóstolos auto-proclamados. Há uma diferença essencial de origem em seu mandato que determina o todo do ministério.

Tiago Santos

 
Às 18 de agosto de 2009 16:43 , Blogger Tiago Santos disse...

Prezado irmão João Eiró:

Obrigado por sua participação e por suas considerações.

Sobre a CRBB, permita-me esclarecer, trata-se de uma união de indíviduos, não de igrejas, que subscrevem à confissão de Fé Batista de 1689 - assim como os irmãos presbiterianos se identificam através da confissão de Westminster. Nesse caso, não há diferenças. Ambos os grupos expressam sua fé através da uma confissão. Isso é bom. O ponto é que deve haver entre os diferentes grupos um senso do Reino de Deus, que abarca tanto um como outro, se foram regenerados pelo Espírito.

Sim, o uso descriterioso de predicados e adjetivos pode ser prejudicial. Reconheço, contudo, o valor de definições claras, que encontrem guarida nas Escrituras e que possam servir de orientação para o povo de Deus, que, às vezes, fica sem saber onde ir e com quem andar, diante de tantas portas e convites.

Quanto a soberba espiritual, parece ser um problema amplo e penso que não se restringe a aquele ou este grupo; os mais variados grupos parecem sofrer deste mal. Só a graça de Deus, concedendo humildade, para remediar isso. Minha forma de mitigar isso é sugerida no texto:
" Não podemos ser tolerantes com o erro; com o falso ensino; com a falsa doutrina; com uma prática errática e inconstante; com o pecado. Estou propondo que procuremos suportar – servir de suporte – os que são de Cristo em amor. Isto serve para a igreja local e para a comunidade cristã, como um todo."

Quanto ao texto da revista Fé para Hoje, ele foi redimensionado por questão de espaço. O texto que usávamos antes tinha o propósito de ser delineador e esclarecedor.

Um abraço e que Deus te abençoe,

Tiago

 
Às 18 de agosto de 2009 16:52 , Blogger Tiago Santos disse...

Prezado Marcos Ocanha,
Obrigado por sua participação.

Uma das coisas que mais me impressionam na palavra do apóstolo Paulo sobre a unidade da igreja é justamente o fato dele haver delineado todo o ambiente e estabelecido as condições básicas para que tal unidade exista. OS três primeiros capítulos de Efésios fornecem a base da unidade.

Wladmir - três congregações num raio de 400 metros é algo triste, porém, cada vez mais corriqueiro. Isso é cisma. Uma visão missionária mais bíblica evitaria este tipo de fenômeno.

 
Às 14 de setembro de 2009 19:11 , Blogger Tiago Santos disse...

Irmãos: Ainda sobre este assunto, sobre como proceder, na prática, o esforço para que não sejamos sectários, gostaria de oferecer-lhes uma breve citação dum livro que a FIEL está para publicar, de D. A. CArson, chamado "A Cruz e o Ministério Cristão". Vejam o que ele diz:

"(...) Certamente não significa que todo líder cristão e toda
herança cristã possuem o mesmo valor. Em outras passagens,
Paulo aborda a importância do discernimento e da avaliação
das coisas para seguir o que é melhor (cf. Fp 1.9-11). Também
não signifi ca que tudo que se identifi ca como “cristão” é necessariamente
cristão. Mas signifi ca que se você é, por exemplo,
um luterano, você não deve fugir daquilo que é certo e
bom nos wesleyanos, reformados, carismáticos, anabatistas
e outros segmentos (É claro que eu poderia ter reescrito essa
sentença em qualquer outra combinação)."

 
Às 15 de outubro de 2009 10:56 , Blogger Jardim Clonal disse...

Saudação, irmão Tiago,

É uma grande alegria ver que outros irmãos também se incomodam com o assunto da Unidade da Igreja. Meu desejo é, que uma vez identificado o problema, trabalhemos ativamente pela solução. Como Unir a Igreja de Cristo? A Fórmula de Concórdia dos Puritanos é excelente, porém será que todos compreendemos sua plena aplicação? Quem "fica de fora" pela aplicação desta Fórmula? Não existem mais Quakers e Diggers, porém há o Pentecostalismo e o Pelagianismo prático disfarçado de Arminianismo teórico. Temos coragem de aplicar esta Fórmula e traçar o "preto e o branco" das conseqüências da mesma?

Sinceramente, gostaria de lutar mais e mais por uma Igreja forte e unida em nosso País. Já temos (minha denominação e outros grupos articulados) dado alguns passos nesta direção. Peço aos irmãos que orem para que o Senhor nos auxilie e sustente nesta tarefa, e providencie mais e mais irmãos dispostos a adentrar diligentemente esta batalha conosco.

Obrigado pelo post. =)

 
Às 21 de outubro de 2009 12:20 , Anonymous Anônimo disse...

Tiago, boa tarde!

Dei uma lida rapida e achei o assunto levantado muito importante.. Realmente, nós pastores, temos essa tendencia carnal de sermos "cismáticos, brigões e inflexíveis" de nos isolarmos "da comunidade genuinamente cristã porque não mantém as mesmas práticas que mantemos". Por isso precisamos desta exortação!

Também achei que suas palavras estão bem apoiadas na Palavra.

Parabéns e obrigado!

Sillas

 

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