segunda-feira, 18 de maio de 2009

Plantar Igrejas: A Estratégia das Parcerias

Leonardo Sahium

Este artigo parte do pressuposto que plantar igrejas é parte integrante e importante do projeto de Deus para Sua igreja. A Missio Dei só é possível quando existe uma relação clara entre a ação sobrenatural de Deus, através do Espírito Santo no coração dos homens, e a ação natural do homem cristão em buscar caminhos para seu serviço na obra de Deus. Plantar igrejas é dar sentido à vida e obra de uma igreja, que vale lembrar sempre, é o organismo vivo de Cristo. Na linguagem do apóstolo Pedro “pedras que vivem” (1 Pe 2.5). Esta igreja vive para glorificar o nome de Deus e deve fazê-lo através de atitudes concretas em seu dia-a-dia.

Quando uma igreja local reconhece o mover do Espírito Santo para a grande missão de espalhar a Palavra de Deus entre os povos, ela automaticamente inicia um projeto de plantação de igrejas, mesmo que a princípio não perceba isso. Alguns membros de uma igreja local podem até pensar que o missionário na longínqua África está “apenas” pregando o evangelho em uma aldeia “qualquer”. Na verdade, aquele missionário está plantando uma igreja em uma nova comunidade. Afinal, o resultado da conversão é o batismo, a profissão de fé e a vida repleta da comunhão na Ceia do Senhor. Onde esta realidade será vivida se não na realidade visível da igreja local?

Pensando na realidade brasileira e urbana, encontramos muitas dificuldades para plantar uma igreja. Sem dúvida a maior dificuldade é o plantador. Outra dificuldade comum é a de recursos financeiros para plantar novas igrejas. Em alguns lugares repete-se a lógica histórica da retórica do fracasso. Um campo difícil, um plantador sem opção e uma verba irrisória trazem como conseqüência o pior resultado. Um projeto de plantação de igreja mal sucedido desmotiva o plantador, enfraquece sua família, desanima a igreja mãe e dificulta o trabalho na igreja filha.

A solução está nas parcerias de igrejas para plantação de novas igrejas. Quando fazemos parcerias com outras igrejas à possibilidade de sucesso no projeto é elevado a uma potencia muito superior ao que tradicionalmente se consegue. Uma parceria pode contar com duas, três ou até cinco igrejas, este é o número ideal máximo.

Seis fatores devem ser levados em consideração para fazermos parcerias.

1) Ampliamos a visão: O livro de Provérbios afirma que “na multidão dos conselheiros há segurança” (Pv. 11.14). Quando fazemos parcerias com outras igrejas nossa visão recebe como benefício desta comunhão uma ampliação da ação na missão urbana. Deus trabalha na multiforme capacitação de seus servos. Em um conselho podemos encontrar pessoas com formas diferentes e percepções individuais muito bem detalhadas que somadas compõe o grande mosaico da visão de Deus. Em resumo, a parceria promove uma maior interação entre os líderes conduzindo assim o projeto de plantação em uma ascendente de sucesso.

2) Ampliamos o campo de atuação: Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo certa vez se dirigiu aos seus discípulos e disse: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9.37). O diagnóstico de Jesus não ficou restrito aquele momento histórico, ele é atual. Hoje se você perguntar para os líderes de projetos de plantação de igrejas; qual é a maior carência? A resposta será unânime; “nossa maior carência é de plantador!”. Quando estabelecemos parcerias, ampliamos o campo de atuação tanto geograficamente, porque as igrejas conhecem campos diferentes, quanto ministerialmente, já que haverá uma troca maior de informações e um número maior de líderes que buscarão plantadores capacitados.

3) Ampliamos o impacto: O evangelho de Mateus termina com um imperativo de Cristo: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). Quando fazemos parcerias ampliamos o impacto da presença de Cristo no mundo. A sociedade percebe o testemunho da unidade de propósitos através de igrejas que se unem em torno de um projeto comum. A igreja que nasce aprende com sua própria história e contexto que a cooperação entre irmãos é possível e produtiva.

4) Aumentamos nossa motivação: Quando Jesus Cristo enviou os discípulos para pregar o evangelho, em Marcos 6.7, ele os enviou “de dois a dois”. Jesus sabia da realidade da “solidão” na vida daqueles que se envolvem integralmente na obra. Nas palavras do poema de Ted Loder: “Senhor, existe algo que eu quero falar com o Senhor, mas tenho tantas coisas para fazer, contas para pagar, reuniões para dirigir... acabei me esquecendo o que eu queria falar, quem eu sou e por que. Oh Deus, não se esqueça de mim por favor, em nome de Jesus amém” [Citado por Ruth Haley Barton em Strengthening the Soul of Your Leadership, p.22]. Plantadores sofrem assim, totalmente envolvidos na busca por vidas, nas histórias de vidas e ao mesmo tempo completamente sós. A motivação de muitos plantadores fica restrita muitas vezes à sua família. Mas está motivação pode ser ampliada através de parceiros que realmente caminham lado a lado com o plantador. A possibilidade de um plantador ser bem acompanhado e motivado é maior quando se vive em parceria com outras igrejas.

5) Aumentamos os recursos: Para plantar uma igreja é preciso investimento na oração, na vida devocional, meditação na Palavra de Deus e muita piedade. No entanto, isso tudo deve vir acompanhado de um bom planejamento financeiro. Jesus Cristo disse: “Pois qual dentre vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para concluir?” (Lucas 14.28). Um grupo de igrejas em parceria consegue investir mais recursos financeiros em um campo específico. Para conseguir bons resultados na plantação de uma igreja é preciso investir na qualidade de vida do plantador e de sua família. Um bom local para reuniões e elementos que dinamizem a vida da igreja nascente são imprescindíveis para o bom desenvolvimento da evangelização.

6) Aprimoramos a avaliação: Tudo o que fazemos deve ser sempre para a glória de Deus. Ele é o Deus que chama e capacita. Deus merece nosso melhor. Aprimorar para servir ao nosso Senhor com o que há de melhor para que todos percebam que para Ele e por Ele são todas as coisas. Uma avaliação com isenção e excelência deve ser parte integrante do projeto de plantação de igrejas. O exemplo de Neemias (Ne 2-12) que avaliou antes de começar e depois ao fim da obra de reconstrução dos muros de Jerusalém dedicou à obra ao Senhor. Quando as igrejas parceiras se reúnem para avaliar um trabalho, a percepção de muitos convergindo para um só alvo, faz desta avaliação algo abrangente e consistente. Toda avaliação deve conduzir a correção dos erros cometidos e ao incentivo dos princípios que foram comprovados na dinâmica da plantação de uma ou mais igrejas.

Que Deus nos conduza, em sua imensa graça, a uma maior contribuição e parcerias entre igrejas locais para a plantação de mais igrejas no Brasil e fora dele para glória do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Marcadores:

4 Comentários:

Às 18 de maio de 2009 15:27 , Anonymous Juan de Paula disse...

Prezado Leonardo,

obrigado pela reflexão. Falta-nos material impresso e divulgado dessa temática.

Por um lado, os aspectos negativos que se tornam obstáculos para o plantio de igrejas poderiam ter sido levantados, a saber; 1 - dificuldade visionária de igrejas já estabelecidas que mantém suas atividades sob uma ótica míope de Reino de Deus vivendo apenas para si mesma ; 2 - fuga da realidade estrutural de nossas igrejas (falo isso como pastor de uma denominação histórica) como motivação principal para se plantar igrejas.

Por outro lado, os aspectos positivos são: desafio para obreiros sem campo que poderiam orar e meditar sobre essa realidade e possibilidade de buscar um local onde não haja trabalhos da denominação em que serve e assim ponderar sobre a possibilidade de se iniciar uma frente naquele local.

Seria interessante "ouvir" (ler) quais são as características de um plantador e se os fatores escritos acima podem ser motivação para ponderar tal atividade.

Juan de Paula

 
Às 22 de maio de 2009 21:09 , Anonymous Anônimo disse...

Prezado Pr Juan de Paula,
muito obrigado pelo seu comentário.
Sua contribuição ao assunto proposto é relevante
pois estabelece novas linhas de percepção na
estratégia de plantação de igrejas.
Em breve teremos mais textos abordando o
tema na perspectiva do plantador.
Deus te abençoe,
Atenciosamente,
Rev Leonardo Sahium

 
Às 17 de setembro de 2009 18:58 , Blogger Dandan Menin disse...

mto boa essa abordagem sobre o assunto
em breve sairei do seminário (dezembro) e volto para o MT
para plantar uma igreja por lá
fico feliz pq vejo q Deus tem despertado a cada dia mais, pessoas com o desejo no coração de cumprir o Ide através da plantação de igrejas
q o Senhor abençoe a todos nós!


abraços
Daniela

 
Às 27 de outubro de 2009 16:22 , Blogger PASTOR EMSANTOS disse...

Amado Reverendo Leonardo
Seu artigo realmente tem uma adordagem bíblica relevante e contextualizadora e é um grande desafio para aplicarmos como uma filosofia ministerial de plantação de igrejas. Mas, infelizmente a falta destes princípios na prática da igreja e de sua liderança, deixa-nos de mãos atadas. Sou Secretário Executivo de meu concílio e completei 20 anos no pastorado da IPB no Presbitério de Campos e Norte Fluminense, cidade de Campos dos Goytacazes-RJ e aqui há uma dificuldade de recursos muito grande nas igrejas até mesmo para as mesmas terem seus pastores e todos os anos a luta e o desafio continua para obter recursos para plantar uma nova igreja.
Sou assíduo frequentador das Conferências Fiel e fiquei feliz pela sua palavra neste ano.
Eu estou orando para que em 2010 possa no PRNF apresentar um projeto ao meu concílio para plantar uma igreja em um bairro de Campos e resolvi fazer uma pesquisa no GOOGLE e acabei encontrando seu artigo. Não cremos em por acaso!
O que devo fazer para avançar com santa expecativa que poderei tirar meu projeto do papel através de parcerias?
O que fazer para romper com todas as burocracias e falta de apoio até mesmo do PMC?
Por favor se puder forneça-me uma lista de possíveis parcerias eficazes.
e-mail: emsantos@ipb.org.br
Obrigado e desculpe-me por ir além do assunto da reflexão.
Abraços e que Deus te abençoe mais abundantemente!
Seu irmão e conservo Rev. Eliseu Martins Santos.

 

Postar um comentário

<< Início