sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A glória de Deus e o profundo deleite da alma humana são, em si, a mesma coisa

Jonathan Edwards escreveu:

Jonathan Edwards

Deus, ao buscar Sua glória, busca também o bem de suas criaturas porque a emanação de Sua glória… pressupõe a felicidade de Suas criaturas. E, em comunicar-lhes Sua inteireza Ele o faz para si mesmo, porque o bem de suas criaturas, o qual Ele busca, está na sua estreita união e comunhão com Deus. Deus é o bem de suas criaturas. A excelência e a felicidade de suas criaturas não são nada mais que a emanação e a expressão da glória de Deus. Deus, ao buscar a glória e a felicidade de suas criaturas, busca a Si mesmo, e, ao buscar a si mesmo, isto é, a si mesmo irradia-se … Ele busca a glória e a felicidade de suas criaturas.

Assim, pois, é fácil conceber-se como Deus pode buscar o bem da criatura… a sua felicidade, a começar por uma suprema consideração por Si mesmo, pois a felicidade da criatura procede de… exercitar uma suprema apreciação por Deus… em contemplar a glória de Deus, em estimá-la, em amá-la e em regozijar-se nela.

O respeito de Deus pelo bem da criatura e o seu respeito para consigo mesmo não é um respeito dividido; mas ambos formam uma unidade, pois a felicidade da criatura, que Deus visa, é a felicidade de sua união com Deus.

Em seu livro God’s Passion for His Glory: Living the Vision of Jonathan Edwards(com o texto completo de The End for Which God Created the World) (Wheaton, Ill.: Crossway Books, 1998), John Piper oferece quinze implicações das verdades citadas acima.

1. A paixão de Deus por sua própria glória e sua paixão por minha alegria, não se contradizem.

2. Deus está comprometido com minha crescente alegria em si mesmo, assim como está comprometido com sua própria glória.

3. O amor de Deus pelos pecadores, não é o de ter pensamentos elevados dos mesmos, mas de, graciosamente, os libertar e fortalecer para que se alegrem e o exaltarem.

4. Toda verdadeira virtude entre os seres humanos deve trazer os indivíduos a se regozijarem na glória de Deus.

5. Segue-se, ainda, que o pecado é a troca suicida da glória de Deus pelas cisternas rotas das coisas criadas.

6. O céu será um perpétuo e crescente descobrimento da glória de Deus, com um regozijo cada vez maior em Deus.

7. O Inferno é terrivelmente real, consciente, horrível e eterno – a experiência em que Deus justifica o valor de sua glória, em ira santa derramada sobre aqueles que não se deleitaram naquilo que é infinitamente glorioso.

8. Evangelização é a demonstração da beleza de Cristo e de sua obra salvífica, com um profundo sentimento de amor que trabalha a fim de ajudar as pessoas a encontrarem sua plena satisfação em Deus.

9. De igual maneira, a pregação cristã, como parte do culto corporativo da Igreja, é uma exultação expositiva sobre as glórias de Deus em seu mundo, com o propósito de atrair o povo de Deus dos prazeres fugazes do pecado, para o caminho sacrifical de obediência a Deus.

10. A essência da autêntica adoração corporativa é a experiência coletiva de sincera satisfação na glória de Deus, ou o temor por reconhecer que não possuímos, mas que profundamente almejamos a dita satisfação.

11. Missões mundiais é a declaração das glórias de Deus entre os povos ainda não alcançados, com vistas à reunião de adoradores que exaltem a Deus através da alegria manifesta, de vidas radicalmente obedientes.

12. Oração é clamar a Deus por ajuda, de maneira a demonstrar claramente que ele tem gloriosamente todos os recursos, e que nós somos, humilde e alegremente, necessitados de sua graça.

13. A tarefa a que o crente é incumbido em seu conhecimento acadêmico é a de estudar toda a realidade como manifestações da glória de Deus, falar sobre elas com exatidão, e, nestas coisas, saborear a beleza de Deus.

14. A maneira de glorificar Deus na morte é por encará-la como ganho.

15. “É um dever cristão, como você sabe, que cada pessoa seja feliz o quanto puder.” (C. S. Lewis)

Tradução: Roberto Freire
Fonte: www.desiringgod.org

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Paciência Sobrenatural de Warfield

Warfield

É preciso um poder sobrenatural para ser paciente. Essa é a razão porque Paulo parece exagerar no modo como ora por nossa paciência:


Sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e paciência; com alegria (Cl 1.11).

Mas esse glorioso poder torna-se parte de nossa atitude através das promessas nas quais cremos. Como Romanos 8.28.


Benjamin B. Warfiel foi um renomado e mundialmente conhecido teólogo que ensinou no Seminário de Princeton por quase 34 anos, até sua morte em 16 de fevereiro de 1921. Muitos conhecem seus famosos livros, como A Inspiração e Autoridade da Bíblia. Mas o que muitas pessoas não sabem é que, em 1876, com a idade de 25 anos, ele casou-se com Annie Kinkead e viajaram para a Alemanha, em lua-de-mel. Durante uma violenta tempestade Annie foi atingida por um raio e ficou permanentemente paralisada. Após cuidar dela por 39 anos, Warfield sepultou-a em 1915. Em função das grandes necessidades de sua esposa, ele raramente se ausentava de casa por mais de 2 horas, durante todos os anos de seu casamento (Great Leaders of the Christian Church, p. 344.).

Bem, esse é, realmente, um sonho desfeito. Eu me recordo de dizer a minha esposa, na semana anterior a nosso casamento: “Se nós sofrermos um acidente de carro em nossa lua-de-mel, e você ficar desfigurada ou paralisada, eu manterei meus votos ‘na alegria ou na tristeza’”. Mas para Warfield isso realmente aconteceu. Sua esposa nunca foi curada.
Diferentemente de José, que sofreu, mas veio a ser primeiro-ministro do Egito, não houve ascensão ao poder do Egito, no final da história de Warfield. Apenas a extraordinária paciência e fidelidade de um homem a uma mulher, por 39 anos, numa situação que nunca havia sido planejada – pelo menos não pelos homens.

Mas quando Warfield expôs seus pensamentos sobre Rm 8.28, ele disse:


A idéia fundamental é o governo universal de Deus. Tudo que acontece a você está debaixo de Suas mãos. A idéia secundária é o favor de Deus para com os que O amam. Se Ele governa tudo, então nada exceto o bem pode sobrevir àqueles a quem Ele faz o bem… Ainda que sejamos fracos demais para nos ajudar, e cegos demais para pedir o que necessitamos, e possamos apenas gemer em anseios deformados, Ele mesmo é o autor de tais anseios em nós… e Ele dirigirá todas as coisas a fim de que recebamos somente o bem, de tudo que nos acontece (Faith and Life, p. 204).

Tradução: Rosangela de Oliveira e Maurício Silva Andrade
Fonte: www.desiringgod.org

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

At the end of the day

At the end of the day*

A palavra grega areté pode ser traduzida como “virtude” e, mais propriamente, “excelência”, sendo atualmente traduzida com o significado superlativo de “o máximo do que se pode ser”, tornar-se aquilo que somos chamados a ser. Como Werner Jaeger diz, “originalmente a palavra designava um valor objetivo naquele que qualificava, uma força que lhe era própria, que constituía a sua perfeição”, em suma, o ideal máximo da educação helênica. Assim é chamada a premiação oferecida pela Associação de Editores Cristãos (ASEC) há 18 anos para os livros evangélicos que se destacam no seu ano de lançamento, publicados no Brasil.

No princípio, criou Deus...

Adauto e SueliEscrito pelo físico Adauto Lourenço, Como Tudo Começou foi lançado pela Editora Fiel em outubro do ano passado, na Conferência Fiel para Pastores e Líderes, que é promovida pela editora há 24 anos, em Águas de Lindóia, SP. No único dia em que esteve à venda, naquela ocasião, cerca de 500 exemplares foram vendidos quase que imediatamente. E agora, Como Tudo Começou ganhou os prêmios nas duas categorias em que concorreu: Apologética e Projeto gráfico. Adauto é membro da Igreja Presbiteriana de Limeira, em São Paulo. Como Tudo Começou Ele é preletor freqüente nas conferências da Fiel no Brasil e em Portugal; proferiu suas palestras também em Moçambique e Angola e atua como preletor em conferências sobre evolucionismo, design inteligente, clonagem e outros assuntos relacionados, em igrejas, escolas e universidades de todo país. Justamente por estar realizando palestras, Adauto não pôde comparecer ao evento de premiação, sendo representado por sua esposa Sueli Lourenço e, em nome da editora, por Tiago Santos, o gerente e editor da Editora Fiel, que receberam a premiação pela categoria Apologética.

Edvânio SilvaEdvânio Silva, responsável pela área de editoração, diagramação e arte-final, recebeu, em nome da editora, o prêmio pelo Projeto gráfico.

Todo aquele que me confessar diante dos homens...

Na mesma cerimônia, o livro que escrevi em co-autoria com Alan Myatt, Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética, lançado por Edições Vida Nova, foi premiado em duas categorias, Teologia e Autor de obra nacional.

Difícil resumir em poucas palavras um trabalho de quase dez anos. Essa obra começou como uma apostila, preparada por Alan, para uso dos seus alunos de teologia sistemática, no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro, e foi usada de 1996 a 1999. Após esse período, a apostila foi revisada e expandida por mim, quando substituí o Alan nessa disciplina. Depois, continuamos a fazer constantes revisões, cada um contribuindo com matérias relevantes nos vários tópicos. Alan assumiu a responsabilidade pelas seções relacionadas com as seitas e religiões, as exposições bíblicas do Antigo Testamento e do Novo Testamento e a parte apologética. Eu assumi as seções histórica, sistemática e pastoral. Só que esse livro não é apenas a união de dois trabalhos independentes, mas uma colaboração total. O surpreendente é que em todo o tempo em que o livro estava sendo preparado, tanto eu como Alan estivemos envolvidos com aulas, pregação, pastoreio e outras pesquisas.

Franklin e AlanMas, acima de qualquer reconhecimento que a Teologia Sistemática receba, o motivo de maior alegria para mim e para Alan é ver a aceitação dessa obra, especialmente entre pastores e membros das igrejas, encontrando seu caminho como ferramenta para a pregação, ensino e edificação da comunidade cristã.

Alegria completa

Foi uma noite alegre para todos os que estiveram ali. Note o tempo verbal. Pretérito perfeito. Brevidade. Fugacidade. Rapidamente a alegria se mistura com outras emoções: prosaicas, nobres ou não tão dignas. Muitas vezes pecaminosas. Precisamos lembrar que as alegrias que experimentamos desse lado da existência são transitórias. A partir de uma compreensão cristã da vida, aprendemos que essas alegrias são concedidas pela graça livre de Deus. Mas ainda assim, passageiras. Isso quando não acompanhada por tristeza, dor ou iniqüidade. Essa é nossa sina enquanto passamos por esse vale da sombra da morte. Nunca recebemos inteira alegria. Mas sendo concedidas por Deus, mesmo essas alegrias têm um propósito: levar-nos a ansiar pela completa alegria (Jo 16.24), que será concedida na gloriosa vinda de Cristo, quando Deus será tudo em todos e veremos a glória de Deus na face de Cristo (2Co 4.6). Quando bem entendidas, essas alegrias efêmeras nos levam a ansiar por aquela alegria que permanecerá por toda a eternidade, no grande banquete do Cordeiro, quando seremos totalmente saciados, e Cristo será nossa alegria completa.

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* At the end of the day, literalmente “ao fim do dia”, também significa “finalmente”. Geralmente empregada no idioma inglês para enfatizar aquilo que se acredita ser o mais importante fato de uma situação.

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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Paixão pela glória de Deus

O Catecismo de Genebra afirma que “Deus nos criou e nos colocou na terra para ser glorificado em nós. E, certamente, é correto que dediquemos nossa vida à sua glória, já que ele é o princípio dela”. O Breve Catecismo de Westminster ensina que “o fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”. O anseio pela glória de Deus é um dos temas centrais da tradição evangélica e um importante motivador da piedade cristã. Em fevereiro desse ano tive o privilégio de proferir a aula inaugural em dois seminários teológicos em São Paulo. No dia 11, falei no Seminário Batista do Nordeste Paulista (SEBANOP), em Ribeirão Preto. E no dia 18, no Seminário Teológico Servo de Cristo, na capital. O tema das duas aulas foi o mesmo, a paixão pela glória de Deus. Para sua edificação, compartilho a palestra que proferi naquelas ocasiões.

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Paixão pela glória de Deus

Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é o Rei da Glória? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é esse Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Salmo 24.1-30)

Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade. Por que diriam as nações: Onde está o Deus deles? No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Salmo 115.1-3)

Correndo o risco de soar clichê, a igreja está em crise. Não apenas no que diz respeito à sua forma externa. Esta crise é evidente também na vida interna da igreja. Muito se debate hoje sobre o culto, mas, tomando muito cuidado, não parece que nossos cultos perderam muito de seu significado? Não só os cultos, aparentemente, se esvaíram de significado. Nossas vidas também estão vazias de significado; vidas medíocres, vidas pobres, simplesmente levadas pelas circunstâncias. Mas, por que isto está acontecendo? Provavelmente porque o vocábulo “Deus” se tornou uma palavra sem conteúdo para nossa geração. E, por conseguinte, buscamos o culto somente como o lugar onde nossas “energias” serão reabastecidas. Mas o culto é para a glória de Deus, que deve ser a paixão maior do cristão.

1. Precisamos pensar sobre o Deus que se revela nas Escrituras. Por meio da Bíblia aprendemos que Ele é o Deus trino, que se revela como Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é cheio de graça, majestade, santidade e soberania. Ele é o Senhor criador de todas as coisas, o todo-poderoso, que sustenta e governa toda a criação. O Pai perdoa pecadores por meio do sacrifício de seu único Filho na cruz para ajuntar a igreja dos quatro cantos da terra. E Ele envia Seu Espírito para confortar e santificar a igreja.

E o Deus que se revela nas Escrituras faz com que toda a criação o glorifique. O que significa a glória de Deus? John Piper define a glória assim: “Na Bíblia, o termo ‘glória de Deus’ geralmente se refere ao esplendor visível ou à beleza moral da perfeição multiforme de Deus. É uma tentativa de expressar com palavras o que não pode ser contido por palavras – como Deus é em sua magnificência e excelência revelada”. De forma bem simples, a glória de Deus refere-se à majestade e brilho que acompanham a revelação da palavra e do poder de Deus. Em outras palavras, a glória de Deus refere-se à suprema beleza do Deus triuno.

Mas – por que Deus busca glória? Porque somente Ele é Deus. Se Ele buscasse a glória fora de si mesmo, então existiria uma outra divindade no universo, digno de louvor. Só existe um único Deus, o Senhor, o Eu Sou, que se revela nas Escrituras. E, porque somente o Senhor é Deus, Ele é digno de toda a glória. Por outro lado, quando a igreja glorifica a Deus, a igreja imita a Trindade. Pois as santas pessoas da Trindade vivem para a glória da unidade divina.

Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. (…) Ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado. (…) Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. (João 17.1-5, 10, 22-24)

O Espírito Santo busca a glória do Filho, o Filho busca a glória do Pai e o Pai tem prazer em glorificar o Filho e o Espírito na igreja e no mundo. Então, porque Deus é Deus, Ele é o único digno de toda a glória.

E Deus, de fato, faz com que todas as coisas redundem em glória para ele. A criação é obra para Sua glória. A Escritura diz que Deus viu que tudo era muito bom. Ou, numa outra tradução, que tudo era muito belo. Bondade e beleza, presentes na criação sem pecado, refletiam e demonstravam a glória de Deus na criação. E, para nosso escândalo, a queda ocorre para a glória de Deus – a queda é a ocasião em que a vinda do Filho é prometida, quando Deus mesmo diz: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça,e você lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3.15). A humanidade que se espalhou pela terra e o dilúvio ocorreram para glória de Deus. E o Senhor Deus bagunça as pretensões idolátricas e religiosas na Torre de Babel para sua glória. E Deus entra em aliança com Abraão, Isaque e Jacó para sua glória. E ele se mantém fiel à aliança – mesmo em meio ao pecado e miséria – para Sua glória. O povo da aliança é sustentado durante a escravidão no Egito durante 400 anos – para Sua glória. Com braço forte, com sinais e prodígios, o povo é retirado do Egito – para Sua glória. O povo chega à terra da promessa, depois de 40 anos de peregrinação, onde a paciência de Deus é revelada – para Sua glória. O povo padece debaixo do pecado e em meio às invasões de outras nações durante quase 400 anos – para Sua glória. Reis são levantados – para sua glória. Reis caem – para Sua glória. O reino é dividido – para Sua glória. A nação de Israel é levada cativa – para Sua glória. Judá é conquistada – para sua glória. Jerusalém é destruída – para Sua glória. O povo é levado para o cativeiro – para Sua glória. Para que se saiba que:

Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro; além de mim não há Deus. (…) Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro. Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas. (…) Fui eu que fiz a terra e nela criei a humanidade. Minhas próprias mãos estenderam os céus; eu dispus o seu exército de estrelas. (…) Verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus e Salvador de Israel. Todos os que fazem ídolos serão envergonhados e constrangidos; juntos cairão em constrangimento. Mas Israel será salvo pelo Senhor com uma salvação eterna; vocês jamais serão envergonhados ou constrangidos, por toda a eternidade. Pois assim diz o Senhor, que criou os céus, ele é Deus; que moldou a terra e a fez, ele fundou-a; não a criou para estar vazia, mas a formou para ser habitada; ele diz: ‘Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro’. (…) Por mim mesmo eu jurei, a minha boca pronunciou com toda a integridade uma palavra que não será revogada: Diante de mim todo joelho se dobrará; junto a mim toda língua jurará. Dirão a meu respeito: ‘Somente no Senhor estão a justiça e a força’. Todos os que o odeiam virão a ele e serão envergonhados. Mas no Senhor todos os descendentes de Israel serão considerados justos e exultarão. (Is 45.4-7, 12, 15-38; 23-25)

O povo passou 70 anos no exílio – para Sua glória. E o povo retornou para a terra – para Sua glória. Durante 400 anos Deus esteve em silêncio – para Sua glória. E o Filho assumiu a forma humana – para Sua glória. Este Filho foi tentado, mas em tudo permaneceu sem pecado – para Sua glória. O Filho, sem pecado, caminhou para a cruz – para Sua glória. O Filho foi morto, e padeceu a morte de cruz, morte de um criminoso – para Sua glória. O Filho morreu por nossos pecados – para Sua glória. O Filho matou a morte em sua ressurreição – para Sua glória. O Filho ascendeu aos céus – para Sua glória. O Espírito foi derramado sobre a igreja – para Sua glória. Nós somos salvos – para a Sua glória e por causa da Sua glória. O Filho voltará dos céus como o rei dos reis, senhor dos senhores – para Sua glória.

Depois disso ouvi nos céus algo semelhante à voz de uma grande multidão, que exclamava: ‘Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus, pois verdadeiros e justos são os seus juízos. (..)’. E mais uma vez a multidão exclamou: ‘Aleluia! (…)’. Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que estava assentado no trono, e exclamaram: ‘Amém, Aleluia!’ Então veio do trono uma voz, conclamando: ‘Louvem o nosso Deus, todos vocês, seus servos, vocês que o temem, tanto pequenos como grandes!’ Então ouvi algo semelhante ao som de uma grande multidão, como o estrondo de muitas águas e fortes trovões, que bradava: ‘Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e puro’. O linho fino são os atos justos dos santos. E o anjo me disse: ‘Escreva: Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro!’ E acrescentou: ‘Estas são as palavras verdadeiras de Deus’. (…) Vi os céus abertos e diante de mim um cavalo branco, cujo cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro. Ele julga e guerreia com justiça. Seus olhos são como chamas de fogo, e em sua cabeça há muitas coroas e um nome que só ele conhece, e ninguém mais. Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus. Os exércitos dos céus o seguiam, vestidos de linho fino, branco e puro, e montados em cavalos brancos. De sua boca sai uma espada afiada, com a qual ferirá as nações. ‘Ele as governará com cetro de ferro’. Ele pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso. Em seu manto e em sua coxa está escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES. (Ap 19.1-9, 11-36)

Por que Deus existe? Para sua própria glória! E esta é a paixão última de Deus! Todo o propósito da história – e, mesmo, todo o propósito de nossa existência – é a glória de Deus. Deus não criou o universo para obter amor e adoração. Sendo um Deus trino, Ele já tem essas coisas em si mesmo. Mas, como escreveu Tim Keller, “o universo foi criado para espalhar a alegria e a glória que Deus já tem em si mesmo. Ele criou outros seres para transmitir o seu amor e a sua glória para eles, e para que estes o transmitissem de volta para Ele, de modo que eles (e nós!) pudessem entrar nesse grande processo, no circulo de amor e de glória e de alegria que Ele já possuía”. Então, em resposta à palavra evangélica, precisamos nos unir ao Deus todo-poderoso, oferecendo glória somente a Ele!

2. Nossa paixão deve ser glorificar a Deus, viver para sua glória, em tudo o que fazemos. Somos chamados e convertidos, somente por sua graça livre, soberana e irresistível, para sua glória. Somos alimentados pela Sagrada Escritura para sua glória. Assim como somos chamados à oração e devoção para sua glória.

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2 Coríntios 3.18)

No fim, todas as graças que fluem da cruz – regeneração, justificação, união com Cristo, adoção, santificação, perseverança – são aplicadas em nós pelo Santo Espírito, para a glória do Deus triuno. Devemos imitar nosso pai Abraão que:

Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus (Romanos 4.20).

Nossas amizades, estudos, descanso, casamento, família, tudo deve ser buscado e feito para a glória de Deus. Toda a vida deve ser o teatro da glória de Deus.

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. (1 Coríntios 10.31)

Especialmente nosso ministério na igreja deve ser para a glória de Deus:

Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém. (1Pe 4.11)

Assim como a glória de Deus é a paixão última de Deus, assim também, a glória de Deus deve ser a paixão maior em tudo o que fazemos ou pensamos.

3. Precisamos lembrar que fomos criados para experimentar alegria, contentamento e prazer. Pois bem. Quando glorificamos a Deus, aprendemos o que é a verdadeira alegria e prazer. Já que nossos afetos e desejos serão dirigidos para a glória de Deus, provaremos alegria e contentamento que não podem ser descritos, em Deus. E nada poderá roubar esta alegria e contentamento que teremos em Deus.

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. (…) Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8.28, 37-39)

Quando descobrirmos em Deus nossa verdadeira alegria, nossa única fonte de contentamento, aprenderemos a nos alegrar com os pequenos detalhes da vida. Os amigos, família, uma música legal, um bom filme, o som do vento, o nascer do sol. Mesmo o sofrimento se torna lugar para a revelação da glória de Deus.

Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs. (…) A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão. (…) Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos. (Sl 73.23-28)

Se Deus nos ama, o que ele deve nos dar? O melhor que há nele, aquilo de mais belo e preciso. E o que ele tem de melhor para nos dar senão a ele mesmo, na pessoa de seu amado Filho? Deus nos ama, para Sua glória, e nos dá a si mesmo. Um Deus que me ama e se deu a si mesmo por mim, me leva a louvá-lo. E esta é a forma que Deus consegue minha alegria mais completa: Deus é por nós, mas para que isto aconteça ele precisa se exaltar, buscando nosso louvor, para que a alegria de Jesus “esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15.11).

Como conclusão: quando vivermos para a glória de Deus, o louvor não será algo acrescentado à alegria, mas será a própria alegria completa. Então, quanto mais glorificarmos a Deus, mais teremos alegria e prazer – não nas criaturas, o que seria idolatria, mas no Deus totalmente suficiente, amoroso, bondoso, poderoso, glorioso, santo e digno de todo o nosso louvor.

Bendito és tu, SENHOR, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade. Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força. Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos e louvamos o teu glorioso nome. Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. (1 Crônicas 29.10-34)

Tributai ao SENHOR, filhos de Deus, tributai ao SENHOR glória e força. Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade. (Salmos 29.1-2)

Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! ‘Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?’ ‘Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?’ Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas.A ele seja a glória para sempre! Amém. (Rm 11.33-36)

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Prêmio Areté 2008


Areté
Ocorrerá no próximo sábado, 16 de agosto, na Bienal Internacional do Livro, no Parque de Exposições do Anhembi em São Paulo-SP, a 18ª edição do Prêmio Areté de Literatura, conferido pela Associação de Editores Cristãos aos melhores livros lançados durante o ano de 2007.

Centenas de livros das mais importantes editoras evangélicas foram avaliados por um júri composto por cerca de 150 especialistas, em suas respectivas áreas. O resultado final deste processo, que tabulou mais de 11.500 notas, é a listagem dos finalistas ao Prêmio Areté 2008, que está disponível para download no seguinte link: download Haverá premiados estrangeiros e nacionais nas categorias com mais de um finalista por nacionalidade.


Teologia SistemáticaA Editora Fiel tem o privilégio de concorrer com Nove marcas de uma igreja saudável, escrito por Mark Dever, finalista na categoria teologia e Como tudo começou, de Adauto Lourenço, nas categorias apologética e projeto gráfico. O livro que escrevi em co-autoria com o meu mentor e amigo, Alan Myatt, Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética, publicado por Edições Vida Nova, é finalista nas categorias teologia e autor de obra nacional.

Somos gratos a Deus por termos chegado a essa etapa do Prêmio Areté 2008, certos de que foi o próprio Deus que nos capacitou na criação e execução dessas obras. “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia” (Salmo 115.1).

Como Tudo Começou    Nove Marcas de uma Igreja Saudável

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Obras de João Calvino


“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1Corintios 3.11 RA).Símbolo


No ano de 2009 será celebrado os 500 anos do    nascimento de João Calvino, o reformador de    Genebra, um dos pais da tradição reformada e um    dos pilares da civilização ocidental. Um bom ponto    de partida para se ter a dimensão da importância dessa data é o portal Calvin09: The Calvin Jubilee 2009 www.calvin09.org onde o leitor poderá encontrar informações, ensaios e outros recursos em alemão,    inglês, francês e espanhol. Por conta das comemorações do jubileu, a Editora Fiel traçou um alvo ambicioso: publicar, até o próximo ano, alguns importantes tratados e os comentários do Novo Testamento escritos por Calvino. Esses lançamentos representam o trabalho da vida de um pregador do evangelho chamado Valter Graciano Martins, ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em meados da década de 1990, ele fundou uma editora chamada Paracletos, pois ele desejava, segundo suas próprias palavras, fazer “Calvino falar em português”. Mais recentemente, ele assinou contrato com a Editora Fiel cedendo os direitos de tradução para a mesma. Já comercializando alguns dos títulos abaixo, a Editora Fiel espera chegar até meados de 2009 com as seguintes obras de Calvino em seu catálogo:

Salmos• O Livro dos Salmos. 4 volumes. São Paulo/São José dos Campos: Paracletos/Fiel, 1999-2008.
• O Profeta Daniel. 2 volumes. São Paulo: Paracletos/Fiel, 2000.
• Romanos. São Paulo: Paracletos/Fiel, 2000.
• 1 Coríntios. São Paulo: Fiel, 2008.
• 2 Coríntios. São Paulo: Paracletos/Fiel, 2003.
• Gálatas. São José dos Campos: Fiel, 2007.
• Efésios. São José dos Campos: Fiel, 2007.
• Colossenses. São José dos Campos: Fiel, 2009.
• Filipenses. São José dos Campos: Fiel, 2009.
• 1 e 2 Tessalonicenses. São José dos Campos: Fiel, 2008.
• As Pastorais e Filemon. São José dos Campos: Fiel, 2008.
• Hebreus. São José dos Campos: Fiel, 2009.
• Epistolas Gerais. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009.

Os comentários anteriormente lançados por Paracletos estão sendo revisados, e acrescidos de notas de rodapé traduzidas por Rev. Valter Graciano, daí termos novas edições dos livros anteriormente lançados por Paracletos. Os comentários à Harmonia dos Evangelhos (em três volumes), ao Evangelho de João (em dois volumes) e ao livro de Atos (em dois volumes) já estão traduzidos, mas aguardam o processo de revisão. No que se refere ao Antigo Testamento, o tão aguardado volume 4 do comentário aos Salmos, que completa a coleção, será lançado em outubro desse ano, por ocasião da conferência da Fiel, e o comentário ao livro de Gênesis já está em fase de tradução. Em breve Rev. Valter trabalhará na tradução dos outros livros do Pentateuco. A tradução e edição desses comentários estão baseadas nas edições publicadas por Baker Book House e Eerdmans Publishing.


A Editora Fiel também espera lançar ainda esse ano os seguintes tratados, que já estão traduzidos e em fase de revisão:


Carta ao Cardeal Sadoleto. São José dos Campos: Fiel, 2008.
Santa Ceia (volume que inclui Breve Tratado Sobre a Santa Ceia de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Consenso Mútuo com Respeito aos Sacramentos, os Tópicos do Acordo, a Exposição dos Tópicos do Acordo, Last Admonition of John Calvin to Joachim Westphal, Clear Explanation of Sound Doctrine Concerning the True Partaking of the Flesh and Blood of Christ in the Holy Supper e The Best Method of Obtaining Concord). São José dos Campos: Fiel, 2008.


Também já estão traduzidos os sermões de Calvino sobre o livro de 2 Samuel e os tratados Vida e obra de Jesus Cristo, Eleição e reprovação, A providência secreta e Psicopaniquia, além da carta ao imperador Carlos V, A necessidade de reforma na igreja. A Editora também estuda a publicação da primeira edição das Institutas da Religião Cristã (1536), além do Catecismo de Genebra.


Outras editoras têm lançado importantes livros sobre Calvino em português:


As Institutas da Religião Cristã: um resumo [preparado por J. P. Wiles]. São Paulo: PES, 1984.
As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. Edição latina de 1559. 4 volumes. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. Edição francesa de 1541. 4 volumes. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
Instrução na Fé: princípios para a vida cristã [Brève Instruction chrétienne]. Goiânia: Logos, 2003.


Temos muito trabalho pela frente, e rogamos as orações do povo de Deus para que ele derrame sua graça sobre essa obra, a fim de que o grande reformador de Genebra fale na culta e bela língua portuguesa – quase 200 anos depois de John Calvin o protestantismo ter chegado ao Brasil, na esperança que dias melhores venham sobre a cambaleante igreja evangélica brasileira. O estímulo vem do próprio Calvino, que escreveu numa carta a Carlos V, em 1543: “A Reforma da Igreja é obra de Deus e tão independente de esperanças e opiniões humanas quanto a ressurreição dos mortos ou qualquer milagre dessa espécie. Portanto, no que tange à possibilidade de fazer algo em favor dela, não se pode ficar esperando pela boa vontade das pessoas ou pela alteração das circunstâncias da época, mas é preciso irromper por entre o desespero. Deus quer que seu evangelho seja pregado. Vamos obedecer a este mandamento, vamos para onde Ele nos chama. O sucesso não é da nossa conta”.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A Glória de Pregar a Bíblia

John Calvin



Feliz aniversário, João Calvino. Hoje, 9 de Julho de 2008, celebramos o 499º aniversário de seu nascimento. Sua pregação me inspira a insistir nessa grande e gloriosa tarefa de proclamar a Palavra de Deus.


A biografia escrita em 1975 por T. H. L. Parker diz a razão:


   E, assim, nós o acompanhamos pregando, aos domingos, cento e oitenta e
   nove sermões em Atos, entre 1549 e 1554; uma série breve em algumas das
   cartas de Paulo, entre 1554 e 1558; e sessenta e cinco sermões sobre a
   Harmonia dos Evangelhos, entre 1559 e 1564. Durante esse período, os dias
   da semana viram séries de sermões em Jeremias e Lamentações (até 1550);
   nos Profetas Menores e Daniel (1550-1552); cento e setenta e quatro em
   Ezequiel (1552-1554); cento e cinqüenta e nove em Jó (1554-1555); duzentos
   em Deuteronômio (1555-1556); trezentos e quarenta e dois em Isaías
   (1556-1559); e, então, cento e vinte e três em Gênesis (1559-1561);
   uma série breve em Juízes (1561); cento e sete em I Samuel e oitenta e
   sete em II Samuel (1561-1563) e um conjunto de mensagens em I Reis
   (1563-1564).


   Antes de sorrir diante dessa incomum atividade do púlpito, o leitor faria
   bem em se perguntar o que é preferível: de um lado, ouvir opiniões
   religiosas de segunda mão sobre ética social ou piedade má condensada,
   entregue em inglês desleixado – o que se ouvirá na maioria das igrejas de
   qualquer denominação onde se vá; ou, de outro lado, trezentos e quarenta
   e dois sermões no livro do profeta Isaías, sermões nascidos de uma paixão
   infinita de fé e de sinceridade ardente, sermões iluminados com senso
   teológico, vigorosos com perspicácia e imaginação, revelando compaixão
   profunda e a inextinguível alegria da esperança. Aqueles em Genebra que
   ouviam domingo após domingo, dia após dia e não fechavam seus ouvidos,
   mas eram “instruídos, admoestados, exortados e confrontados”, receberam
   um treinamento cristão tal como tinha sido dado a poucas congregações na
   Europa desde os dias dos Pais Apostólicos.


Obrigado, João Calvino, por acreditar na majestade da Palavra e por demonstrar com sua vida a glória de pregar a Bíblia.


Tradução: Maurício Silva Andrade
Fonte: www.desiringgod.org

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